Presidente da FIFA, Sepp Blatter participa de coletiva de imprensa em Zurique após sua reeleição (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)

Blatter deixou a presidência após escândalos de corrupção (Foto: Fabrice Coffrini/AFP)

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03/06/2016
11:16
Zurique (SUI)

Os procuradores que estão conduzindo a investigação interna sobre corrupção na Fifa divulgaram nesta sexta-feira informações contidas em contratos que mostram um esquema para beneficiar três ex-dirigentes do alto escalão da entidade: o presidente Joseph Blatter, o secretário-geral Jérôme Valcke e o diretor financeiro Markus Kattner, este último substituiu Valcke após a demissão como secretário-geral interino.

A evidência revela um esforço coordenado para enriquecimento próprio através de aumentos salariais, bônus da Copa do Mundo e outros incentivos totalizando mais de 79 milhões de francos suíços (R$ 286 milhões) nos últimos cinco anos. Alguns aditivos nos contratos previam pagamento até dezembro de 2019.

Segundo a Fifa, os achados demandam investigação mais profunda. A entidade compartilhou a informação com a Procuradoria-Geral da Suíça, que estenderá os detalhes aos Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O tema também será levado ao Comitê de Ética da Fifa.

Foram identificadas várias e seguidas emendas aos contratos de trabalho de Blatter, Valcke e Kattner, que foi o último a ser demitido, já na gestão Gianni Infantino. Em geral, os contratos eram assinados por Blatter, Valcke e pelo já falecido vice-presidente da Fifa, o argentino Julio Grondona. 

Apenas em relação aos bônus oriundos da Copa do Mundo, Blatter, Valcke e Kattner foram premiados com um valor de 26 milhões de francos suíços (R$ 93 milhões) referentes à edição de 2014, no Brasil. Destes, 10 milhões de francos suíços foram para Valcke, 12 milhões para Blatter e 4 milhões para Kattner.

DATAS LEVANTAM CURIOSIDADE

As datas em que alguns dos acordos foram firmados chamaram a atenção dos investigadores. Um é exemplo é que em 30 de abril de 2011, um mês antes da eleição presidencial na Fifa, Valcke e Kattner ganharam uma extensão contratual de oito anos e meio, mesmo com a incerteza que - em tese - existia, já que Blatter estava concorrendo á reeleição contra Mohammed Bin Hamman. Neste acordo, Kattner e Valcke ganharam indenizações de, respectivamente, 9,8 milhões e 17,5 milhões de francos suiços, com pagamento estendido até 2019.

Outra data que chamou atenção foi a da renovação do contrato de Kattner, que acabou demitido no mês passado. Em 31 de maio de 2015, quatro dias depois do estouro do escândalo de corrupção que prendeu sete dirigentes em Zurique, o diretor financeiro recebeu uma extensão contratual até dezembro de 2023.

Um dia antes, em 30 de maio, Blatter passou a ganhar como salário 3 milhões de francos suíços por ano, além de um bônus anual variável, cujo teto era 1,5 milhão de francos suíços.