Del Nero e Marin (Foto: Ricardo Stuckert/CBF)

Del Nero e Marin durante a Copa-2014 (Foto: Ricardo Stuckert/CBF)

LANCE!
31/03/2017
15:25
São Paulo (SP) 

A Fifa acusa os ex-presidentes da CBF, José Maria Marin e Ricardo Teixeira, além do atual mandatário, Marco Polo Del Nero, de “corrupção” e de terem prejudicado a “reputação” da entidade durante o período de organização da Copa do Mundo de 2014. O fato consta no relatório entregue pela Fifa à Justiça dos Estados e da Suíça, e a entidade que comanda o futebol ainda pede um reembolso de US$ 5,3 milhões (quase R$ 17 milhões) por conta dos danos causados pelos dirigentes brasileiros.

A informação foi divulgada nesta sexta-feira pelo jornal O Estado de São Paulo e integra as investigações internas das atividades da Fifa que foram iniciadas após a prisão, em maio de 2015, dos principais cartolas da Fifa por envolvimento em casos de corrupção em competições organizadas pela entidade. O relatório seria uma tentativa da Fifa de se mostrar como vítima das fraudes de seus ex-dirigentes.

Em relação aos cartolas brasileiros, o relatório feito pelo escritório Quinn Emanuel aponta que Del Nero e Teixeira, que foram membros do Comitê Executivo da Fifa por vários anos, teriam absorvido US$ 1,67 milhão (R$ 5,3 milhões) e US$ 3,5 milhões (R$ 11 milhões), respectivamente, dos cofres da Fifa, dinheiro que teria sido gastos com viagens, hotéis e salários, além do impacto negativo à sua reputação. Já Marin teria consumido US$ 114 mil (R$ 357 mil).

Informações sobre contratos e repasses de dinheiro entre dirigentes envolvendo a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, também estão no relatório. Neste caso são citadas evidências que o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, e mais dois dirigentes da entidade, entre eles Jérôme Valcke, tinham contrato para receber cerca de R$ 100 milhões em prêmios e bônus pela realização do Mundial no Brasil. A suspeita é que os pagamentos possam se configurar como propinas.

Blatter tinha contratos de US$ 12 milhões (cerca de R$ 38 milhões, no câmbio atual) para receber por sua contribuição para a realizar a Copa no Brasil, enquanto que Valcke recebeu US$ 10 milhões (R$ 32 milhões) e Markus Kattner, vice-secretário geral, outros R$ 2 milhões (cerca de R$ 6,2 milhões). A competição gerou uma receita recorde para a entidade que comanda o futebol de US$ 5,7 bilhões.