Melissa Gargalis
23/10/2016
07:00
São Paulo (SP)

Por pouco Oscar e Mkhitaryan não atuaram lado a lado. Formado na base do São Paulo, o meio-campista do Chelsea estava em uma categoria inferior a do armênio, quando o camisa 22 do Manchester United veio ao Brasil para participar de um intercâmbio de clubes.

Em 2003, quando tinha 14 anos, Mkhitaryan deixou a Armênia junto de mais dois colegas de Pyunik, seu clube de formação, para encarar o desafio de passar um tempo no São Paulo. Dos meninos, apenas o então jogador do United conseguiu prosperar. Os outros dois, sem brilho, desistiram do futebol.

"Dos garotos, Mkhitaryan era o mais tímido, mas era o único que tinha jeito para bola", diz Marcelo Lima

- 'Mkhi' foi um dos três meninos que vieram ao Brasil. Ele ficou conosco na categoria sub-15 pelo período de quatro meses. Dos garotos, Mkhitaryan era o mais tímido, mas era o único que tinha jeito para bola. Também tinha muita disciplina e sempre estava disposto a aprender - contou Marcelo Lima, ex-preparador físico do São Paulo, ao LANCE!

Disposição para aprender, aliás, é um dos pontos fortes do armênio. Atualmente, aos 27 anos, ele fala nada menos que seis línguas.

- Ele tem fluência no armênio, que é a nossa língua materna, no russo, por conta da nossa avó, no Francês, por ter morado sete anos na França, no alemão, pelo tempo que passou no Borussia Dortmund, no Inglês e no Português, que estudou antes de viajar ao Brasil e que aprendeu também com os companheiros brasileiros do Shakhtar Donetsk - disse Monika, irmã do jogador.

- Ele sempre foi um modelo para sua família e é um grande orgulho para o seu país. É um líder e uma pessoa que busca sempre aprender - contou orgulhosa, falando também sobre a personalidade do irmão.

- Na Armênia, todos adoram ele. Ele é uma ótima pessoa e adora passar o tempo com os fãs. Quando esteve na Alemanha, não permitiu que um torcedor sequer voltasse para casa sem conseguir um autógrafo. Ele é assim por onde passa - revelou.

Oscar não é muito diferente. Marcos Vizolli, ex-treinador do São Paulo, conta que o meia do Chelsea tinha características semelhante a de Mkhitaryan.

- Ele era tímido, mas era um menino que tinha uma personalidade muito forte. Não parecia, não demonstrava, mas era dentro de campo que ele mostrava sua força - contou, falando também sobre seu nível técnico:

"Era diferenciado desde pequeno, mas tinha alguns lapsos. Momentos de lucidez e momentos de apagão. Fico contente que tenha conseguido chegar no lugar que chegou. Fico contente pelos dois", diz Vizolli

- Tecnicamente, sempre foi muito bom. Era diferenciado desde pequeno, mas tinha alguns lapsos. Momentos de lucidez e momentos de apagão. Fico contente que tenha conseguido chegar no lugar que chegou. Fico contente pelos dois - concluiu.

Se o tempo é o senhor da razão, enfim, os dois terão a oportunidade de se conhecerem 13 anos após a passagem do armênio pelo Brasil. Neste domingo, Chelsea e Manchester United se enfrentam pela nona rodada do Campeonato Inglês, às 13h (de Brasília), em Stamford Bridge. A titularidade dos dois, no entanto, segue como um ponto de interrogação. A campanha de ambos não é das melhores.

Na última semana, Oscar sofreu a perda de seu avô. No retorno à Inglaterra, o técnico Antonio Conte não confirmou a presença do brasileiro no jogo contra o United. Em seis jogos, o camisa 11 não marcou nenhum gol no Inglês. Assistência, só tem uma. Mkhitaryan, por sua vez, se lesionou, atuou em apenas quatro jogos e ainda não marcou com a camisa vermelha. Neste domingo, no duelo dos 'ex-são-paulinos', resta saber qual lado se dará melhor.