Nathan (Foto: Divulgação)

Nathan (Foto: Divulgação)

Daniel Bortoletto
06/03/2016
09:15
Enviado especial a Doha (QAT)

O título antecipado do Al Rayyan na Liga do Qatar, garantido neste sábado, é a maior conquista na carreira de um brasileiro pouco conhecido no país-natal, mas ídolo na pátria que o adotou.

O zagueiro Nathan, de 25 anos, deixou o Brasil aos 17. O irmão Wagner morava no Qatar e ele resolveu seguir o mesmo caminho, após não ser aprovado em uma peneira do Cruzeiro (MG) e ter sido profissionalizado pelo Juventude, um clube de empresários em Curitiba. Nascido em Toledo, no Paraná, ele ganhou uma oportunidade no Al Rayyan, um dos clubes mais tradicionais do país. Mas ficou dois anos apenas treinando, já que a cota de estrangeiros do clube estava preenchida.

- Eu jogava a terceira divisão do Campeonato Paranaense. Fora de casa desde os 13, pensei: "Vamos embora". Não falava inglês nada... Fiz escala em Dubai, tive problema com cartão de crédito... Vim com sonho, na cara e na coragem - conta o zagueiro.

O sonho catari por pouco não foi mais curto. Paulo Autuori, treinador que deu a primeira oportunidade para Nathan no Al Rayyan, o indicou para o Benfica. Mas a transferência não aconteceu:

- Em 2012 eu tive uma proposta do Benfica. Eles vieram quando o David Luiz saiu. Tive uma reunião, acertei, mas na hora de negociar com o clube... Fiquei louco, queria muito ir. Mas o Rayyan mandou um estrangeiro embora e eu fiquei de vez. Foi quando tudo mudou. Estou feliz com o caminho que segui.

Após esperar pacientemente a oportunidade, Nathan agora é titular absoluto na equipe comandada pelo uruguaio Jorge Fossati. Na ausência do artilheiro Rodrigo Tabata, ele ostenta a braçadeira de capitão. Com moral, ele é cotado inclusive para vestir a camisa da seleção catari, já que possui dupla cidadania por morar no país há mais de cinco anos.

- Consegui a naturalização no ano passado. Treinei alguns dias com a seleção, mas não joguei jogo oficial. Meu plano é até 2022 jogar na seleção. Minha meta é agora, mas depende muito. Se tiver que acontecer, vai acontecer. O Catar me proporcionou muita coisa boa, uma das formas de retribuir é jogando na seleção. Esse é um dos planos que eu tenho - disse o jogador.

Além de ser referência na zaga do Rayyan (15 gols sofridos em 21 jogos), Nathan ganhou destaque por um gol em especial entre os três que marcou. Em dezembro de 2015, na vitória por 2 a 0 sobre o Al Gharafa, pela 11ª rodada, ele arriscou bater uma falta do meio-campo. O goleiro Burhan estava adiantado e a bola entrou no ângulo. Confira o vídeo do lance clicando aqui: Será que ele vai repetir Wendell Lira e concorrer ao Prêmio Puskás na próxima festa da Fifa?

- Acho que é um pouco difícil (risos)... - admite Nathan, às gargalhadas.

Nos últimos anos, Nathan tem enfrentado alguns craques renomados do futebol mundial. Até a temporada passada, ele tinha o espanhol Raúl, ex-Real Madrid, como adversário. Na atual Liga, já enfrentou Xavi, ex-Barcelona:

- Jogava no vídeo-game contra eles... A adrenalina de estar em campo com Xavi é diferente, de outro mundo. Eu e Xavi acho que nos cumprimentamos só na entrada, somos de posição diferente. Mas no Raúl deu para dar um cutucãozinho (risos).

Viajou a convite do Comitê Olímpico do Qatar