Vinícius Perazzini
12/03/2016
07:15
Rio de Janeiro (RJ)

Não é só a expectativa pela Olimpíada que tem agitado os bastidores do ciclismo no Brasil. Em meio a dificuldades para conseguir patrocinadores, a equipe de ciclismo feminina Memorial (Santos), também conhecida como Memorial Girls, decidiu fazer um calendário sensual e vendê-lo para arrecadar fundos. No Rio para a Copa Rio de Janeiro de Ciclismo, que vai acontecer neste domingo, na Enseada de Botafogo, as atletas conversaram com o LANCE! e detalharam suas experiências com o ensaio fotográfico, além dos obstáculos que precisam superar para seguir praticando o esporte em alto nível.

Uma das integrantes da equipe é Ana Paula Polegatch, que deverá ser uma das representantes do Brasil no ciclismo olímpico (o país tem duas vagas certas no feminino [os nomes serão indicados pela confederação nacional] e poderá ter mais uma, dependendo de resultados internacionais até junho). Ela contou os detalhes do ensaio sensual e admitiu que teve de vencer a vergonha.

- Acredito que muitas mulheres tenham vontade de fazer fotos sensuais, mas acabam se reprimindo, tendo vergonha, que era o que acontecia com a gente. Mas aos poucos a gente foi se soltando, com uma incentivando a outra. O calendário tem dois objetivos. Um é mostrar o lado sensual da mulher e o outro é arrecadar fundos para disputar competições internacionais, estas que somam pontos para o ranking olímpico - disse Ana Paula.


No total, 11 atletas participaram do ensaio, que foi comandado pelo fotógrafo esportivo Ivan Storti. O calendário foi lançado em fevereiro, com tiragem inicial de 1000 unidades, custando R$ 50 cada. Ele pode ser comprado através do e-mail memorialgirls@gmail.com e também na página da equipe no Facebook.

- O calendário tem feito sucesso, com uma procura enorme. Antes mesmo do lançamento, já tinham muitos encomendados - destacou Ana Paula Polegatch.

Ao seu lado, a companheira de equipe Gisele Gasparotto destacou que o ensaio valoriza as mulheres que praticam o ciclismo.

- É legal valorizar o corpo feminino. Na bike, a gente acaba sendo um pouco masculinizada, pois é um esporte muito masculino e o uniforme esconde um pouco do corpo. Então, foi bom aparecer de uma forma diferente para o público - afirmou Gisele.


Ana Paula e Gisele esperam que o ensaio atraia a atenção de empresas interessadas em patrocinar a equipe. O cenário atual está ruim para o esporte.

- É estranho, pois o ciclismo amador está crescendo de uma forma absurda, mas o ciclismo profissional no Brasil vem caindo. A gente vê empresas interessadas em trazer o público amador a começar a pedalar, mas o amador e o profissional são áreas diferentes. O trabalho de aproximar o público amador de acompanhar o mundo profissional é difícil, mas estamos lutando. Quando a gente conseguir esse elo, os patrocinadores vão olhar para o ciclismo profissional de outra forma - comentou Gisele, para em seguida contar um dos dramas vividos pela equipe:

- A gente não tem um patrocínio de bicicletas, algo que a gente gostaria muito de ter. Cada ciclista da nossa equipe precisa ter a própria bicicleta.

Participaram do calendário, além de Ana Paula Polegatch e Gisele Gasparotto, as ciclistas Valquíria Pardial, Camila Coelho, Mariane Ferreira, Maira Hendi Barbosa e Silvia Augusta da Silva, todas da categoria elite; Luanna Lavelli, Thayná Araújo e Renata Lopes do time sub-23; além de Marcia Fanhani representante do paraciclismo.