Johan, o ‘anjo’ que ajudou no resgate das vítimas em Medellín

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Fora de Campo
05/12/2016
18:06
Rio de Janeiro (RJ)

O acidente envolvendo a delegação da Chapecoense, em Medellín, causou comoção mundial. A população, os esportistas e os mais diversos profissionais e instituições têm sido pauta desde a última terça-feira, por suas atitudes de apoio e carinho com o Verdão do Oeste, profissionais de imprensa e tripulação que morreram no acidente.

No entanto um jovem de 15 anos também chamou a atenção. Johan, estava em casa quando ouviu o barulho da queda do avião e saiu com seu pai para ajudar no resgate. Em entrevista ao portal ‘Uol’ o jovem falou sobre como foi ajudar os sobreviventes e também comentou a repercussão de sua ajuda:

― Só sei que um senhor fez uma reportagem sobre mim. Está em português e não posso entender bem.

Vivendo em um povoado distante de Medellín, Johan continua com sua rotina normal, mesmo após o apoio no resgate e a repercussão do caso. O jovem estuda e agora, durante as férias, ajuda seu pai na roça todos os dias:

― Consegui dormir lá pelas 4h30 e tive que acordar às 5h30 para trabalhar. Neste momento estamos cumprindo um contrato de hortênsias. Precisamos arrancar uma plantação de hortênsias.

O jovem é torcedor do Atlético Nacional, equipe que ia enfrentar a Chapecoense pela final da Copa Sul Americana, e trabalha desde os cinco anos na roça com o pai. Ele contou ao portal ‘Uol’ que nunca foi a um estádio:

― Fui uma vez ao estádio, mas só vi por fora. Nunca entrei no estádio, nunca vi uma partida.

O estádio em questão é o Atanasio Giradot, onde o Atlético manda seus jogos.

Johan queria ser jogador de futebol profissional, no entanto teve que se afastar dos gramados, no ano passado. Ele jogava como lateral ou volante, no time do povoado onde vive, porém a falta de dinheiro para ir aos treinos o impediu de seguir seu sonho.

Em casa, após ajudar no resgate, o jovem descreve a conversa que teve com seu pai sobre o ocorrido naquela madrugada e fala também sobre a mudança positiva que a participação trouxe para eles:

― Eu e meu pai falamos que nos sentimos satisfeitos de ajudar as pessoas. E todos os meus familiares têm me parabenizado por ajudar aquelas vidas. Sou uma pessoa diferente e mudei para melhor. Já tenho uma resposta à vida: que você sempre tem que ajudar sem esperar nada em troca, fazer com o coração. Que o material não importa nada. O mais importante e sentir-se bem.

O jovem colombiano diz também que gostaria de conhecer as pessoas que ajudou a salvar e as famílias das vítimas fatais. E revela que após o acidente têm rezado pelos sobreviventes e pelas famílias:

― Desde aquele momento, todas as noites tenho rezado por eles. Pelas pessoas que sobreviveram, mas ainda mais pelas famílias das pessoas que morreram, para que tenham força para seguir adiante.

Johan relata que ainda estão vivas na memória as imagens do trabalho de policiais e bombeiros. O jovem narra que ao chegar no local do acidente, Alan Ruschel tinha acabado de ser encontrado, mas lembra também de uma situação mais complicada:

― Me lembro que Alan estava quase inconsciente e o bombeiro falava com ele para que respondesse e não desmaiasse. Outra situação que lembro muito foi quando estávamos tirando um paciente. Estava imobilizado, andamos 10 metros e ele morreu. Não sei quem era.

Com apenas 15 anos, Johan ficou responsável por conduzir os socorristas, já que conhece bem a região. O menino conta que ajudou os bombeiros que resgataram Alan Ruschel, Follmann e Erwin Tumir (boliviano tripulante do avião). Seu pai, ajudou guiando os outros dois sobreviventes. Pai e filho ajudaram no resgate até que foram expulsos por um policial:

― Eu estava tirando o Tumiri e um policial nos mandou sair. Meu pai explicou que estávamos ajudando e mostrando o caminho para resgatar as pessoas. Ele disse 'não importa, que saiam'. Quando um bombeiro nos defendeu, ele disse que era para sair e saímos.