Matheus Dantas 
13/10/2016
07:20
Rio de Janeiro (RJ)

O período de um ano foi o suficiente para uma mudança radical na vida de Douglas. Em 6 de setembro de 2015, o meio-campista fez sua estreia no time profissional do Fluminense. Hoje, já é cara conhecida da torcida, titular e um dos jogadores que mais atuou pelo Tricolor das Laranjeiras na temporada.

Aos 19 anos, Douglas tem nesta quinta mais uma oportunidade para mostrar seu futebol contra o Flamengo, às 21h no Raulino de Oliveira, em Volta Redonda. O clássico tem um significado especial para o jovem camisa 13:

– Fla-Flu é um dos maiores clássicos do mundo, e tem um gosto especial para todo mundo. Por ter sido o jogo da minha estreia, é diferente para mim – afirmou o jogador ao LANCE!, em entrevista que também abordou o início da carreira e os planos de Douglas para o futuro.

Você estreou pelos profissionais no dia 6 de setembro de 2015. Além de ter ganho a condição de titular, o que mais mudou?

Quando tem essa transição, da base para o profissional, dá um frio na barriga. Ainda mais por minha estreia ter sido num Fla-Flu. Mas consegui me adaptar rapidamente no time principal e acho que o amadurecimento foi um ponto positivo também. Quando você vem da base, vem cercado de expectativas, já que o Fluminense tem Xerém como vitrine. Então, a gente tem que manter os pés no chão e o foco total no trabalho.

Como você avalia a sua participação na temporada?

Acho que o saldo é positivo. Me firmei no elenco principal, conquistamos a Primeira Liga e estamos brigando na parte de cima do Campeonato Brasileiro, buscando a vaga na Libertadores. A Copa do Brasil nos escapou por detalhes, mas são coisas do futebol. Venho aprendendo muito com meus companheiros e comissão técnica para evoluir cada vez mais, dando o retorno em campo para ajudar o Fluminense.

Em qual ponto acha que mais evoluiu dentro de campo desde então? Em quais aspectos você ainda pode crescer?

Acho que um bom jogador, hoje em dia, tem que saber fazer várias funções dentro de campo. Então, o aperfeiçoamento tem que vir em todos os fundamentos. Me cobro muito na marcação e na qualidade do passe, que acho que são meus pontos mais fortes, pois um volante tem que ter uma boa saída de bola. Sempre que surge uma possibilidade, gosto de chegar no ataque como elemento surpresa para finalizar a jogada.

Como é ser titular aos 19 anos? A tradição do Fluminense em subir jovens ajuda nesta transição?

Todos sabemos como é a “fábrica” de Xerém. São anos e anos revelando grandes jogadores que hoje brilham no Brasil e no exterior. Me sinto muito honrado de poder vestir essa camisa e sempre me entrego nos jogos para retribuir a todos que apostaram em mim. A confiança do Levir e dos meus companheiros é fundamental para o meu crescimento, e espero que esse seja apenas o início de uma longa história vitoriosa aqui no clube.

No dia 29 de maio, no clássico contra o Botafogo, você entrou no lugar de Pierre, que se lesionou, e a partir dali ganhou a titularidade na equipe de Levir Culpi. Aquela partida foi essencial para tudo que vem acontecendo desde então?

A gente nunca fica feliz quando um companheiro se machuca, mas são coisas que sabemos que acontece no futebol. Eu estava trabalhando forte para agarrar a oportunidade quando ela aparecesse e o Levir optou por me colocar no jogo. Graças a Deus, tudo aconteceu da melhor forma, consegui roubar a bola e toquei para o Fred marcar o gol que nos deu a vitória. Dali pra frente as coisas foram acontecendo de forma muito positiva para mim.

O Fluminense viveu momentos de muita oscilação durante o Campeonato Brasileiro. Por que os resultados variaram tanto? Acha que esse time era capaz de brigar mais em cima na tabela?

Começamos o campeonato viajando muito, não tínhamos uma casa para jogar. O cansaço era muito grande, mas a gente tentava passar por cima desses obstáculos. Nós sabemos da força e do potencial do nosso elenco, e, com certeza, poderíamos estar disputando o título. O Fluminense sempre entra nos torneios pensando em título, e dessa vez não foi diferente. Alguns reforços chegaram durante o campeonato e nos fortalecemos ainda mais para brigar, ao menos, pela vaga na Libertadores.

Acredita que se tivessem Edson Passos desde o começo poderia ser diferente? Qual a explicação para um rendimento tão bom lá? É só a torcida?

Com certeza. Edson Passos é um diferencial para a nossa equipe. Conseguimos fazer de lá um caldeirão, onde nossa torcida lota todo jogo e inferniza o adversário. Antes, não tínhamos um lugar certo para jogar, a cada hora era um estádio diferente. Agora, temos o nosso torcedor de forma fiel com a gente em todos os jogos e já estamos acostumados com o gramado do estádio. Somando isso tudo, nossa confiança aumenta quando jogamos lá.

Contra o Flamengo será em Volta Redonda, com torcida dividida. Qual o prejuízo de não atuar em casa? 

Edson Passos nos fará falta, mas também conhecemos Volta Redonda. Jogamos muitas vezes lá e conhecemos o estádio. Fla-Flu é um dos maiores clássicos do mundo e tudo pode acontecer, independentemente do estádio. Claro que queríamos a nossa torcida em maioria, mas tenho certeza de que ela comparecerá em peso para nos apoiar.

Você chegou às Laranjeiras aos sete anos para jogar no futebol. Como é essa sua relação com o Fluminense? Sente-se em casa?

O Fluminense é minha casa. Aqui cresci, aprendi a ter valores e evoluí profissional e pessoalmente. Sempre serei grato às pessoas com quem trabalhei aqui, desde o futsal até chegar aqui no profissional. Tenho muitos sonhos pra realizar e, com certeza, o que vivo hoje é um deles. Quero fazer história no clube e conquistar títulos para a torcida tricolor.

Imagino que algumas pessoas tenham maior importância nessa caminhada, alguém que costumava te levar aos treinos, incentivar a continuar jogando... Consegue dizer uma ou duas pessoas que tiveram esse papel?

Sem dúvida os meus pais. Essas são as pessoas que sempre estiveram comigo, me apoiaram e me ajudaram a chegar onde estou hoje. Quando comecei, minha mãe me levava aos treinos pela manhã de ônibus e meu pai me buscava à noite, pois ele trabalhava durante o dia. Eles se desdobravam para me ajudar no meu sonho. Hoje, posso retribuir esse empenho deles, e a minha gratidão e admiração pelos dois será eterna.

 Em que momento você percebeu que o futebol podia ser o seu futuro? Teve que abrir mão de muita coisa para se dedicar ao futebol?


Quando o meu avô, já falecido, falou para o meu pai: “esse menino vai ter futuro”. A partir dali, decidi que era realmente isso que eu queria. Quando cheguei na escolinha do Fluminense, percebi que a oportunidade tinha batido à minha porta e que não podia deixar batido. Agarrei a chance com todas as minhas forças e, graças a Deus e à minha família, hoje posso dizer que jogo pelo profissional do Fluminense, com muita garra e muito empenho.

O que você projeta para sua carreira? Deseja conquistar o que no Fluminense? Europa e Seleção Brasileira são objetivos?

Todo jogador tem o sonho de jogar na Europa. É um objetivo pessoal, mas antes eu preciso e quero fazer história no Fluminense. Eu sei que é o meu bom trabalho aqui que renderá frutos lá na frente. Tive a oportunidade de defender a seleção brasileira sub-20 em algumas oportunidades, inclusive sendo capitão, e isso é muito satisfatório. Vou continuar o meu trabalho no Fluminense para que os frutos venham a ser colhidos lá na frente.

O que dessa temporada de 2016 fica para o próximo ano? Qual a importância de manter, por exemplo, o Levir Culpi, que tem contrato até o fim desta temporada?

Acho que conseguimos montar uma base forte nesse ano, que está brigando pela vaga na Libertadores. Temos um elenco equilibrado e um técnico experiente, que já conhece os jogadores. Outros chegarão no ano que vem para somar e juntar forçar para brigar por coisas maiores. O Levir é um cara excepcional, além de um técnico que dispensa comentários. Temos certeza de que a diretoria vai fazer o possível para que ele continue com a gente.

O Levir Culpi sempre mostra muita sinceridade nas entrevistas, com os jornalistas, imagino que seja o mesmo com os jogadores. Como isso ajuda no dia a dia do elenco?

Essa transparência é importante para a gente. Ele sempre deixa claro quando está satisfeito e insatisfeito e, se tiver que dar bronca, dá para valer. Mas isso tudo faz parte do trabalho. Sabemos que ele está sempre buscando o aperfeiçoamento do time para que os resultados positivos venham. É um técnico que dá a mesma atenção para todos, jovens e experientes, e é um cara que vou levar para a minha vida.

Muito se falou sobre a saída do Fred e a perda de uma liderança no grupo. No entanto, a saída do Fred deu mais espaço para outros jogadores crescerem, como você, Cícero e Gustavo Scarpa. A saída do Fred já está superada?

O Fred é um jogador que marcou história no Fluminense e que todos nós respeitávamos muito. Ele orientava muito os jovens e aprendemos muito com ele. Mas o futebol é feito de ciclos e, infelizmente, o dele no clube acabou. O Fluminense continua e quem está aqui dentro hoje busca honrar a camisa e vencer as partidas para alcançar os objetivos do clube.

 Você já falou sobre a admiração que tem pelo Magno Alves, que disse que costuma dar conselhos para os jogadores mais jovens. Como é essa relação com os mais experientes, como o Magnata, Cavalieri, Gum? Dá tranquilidade para entrar em campo?

O Magno Alves é um cara excepcional. Nesse meu pouco tempo no profissional, vi poucos como ele. Tenho um carinho muito especial e uma admiração enorme, pois são poucos jogadores que se mantêm em alto nível com a idade dele. Ter esses jogadores experientes no elenco é importante para a gente, mas o jogador tem que saber de suas responsabilidades desde cedo. Eles nos passam segurança, mas, se precisar, dão bronca também. Mas sempre de forma construtiva e para o nosso bem. É um prazer poder jogar com atletas desse nível.

As suas tatuagens chamam um pouco atenção. Quando/Como começou essa mania? Todas têm algum significado especial? Uma que chama bastante atenção é essa do Mickey na mão?

Comecei fazendo as tatuagens com uma homenagem aos meus pais, porque acho que preciso eternizar tudo o que eles fizeram por mim. Algumas têm significado especial, outras são pelo desenho em si. A do Mickey eu fiz porque, quando era criança, gostava muito de assistir ao desenho, então decidi fazer a tatuagem na mão.