Atacante Washington, ex-Fluminense

Washington faturou o Brasileiro de 2010 com a camisa do Tricolor das Laranjeiras (Foto: Cleber Mendes/Lancepress!)

Patrick Monteiro
19/02/2016
10:35
Rio de Janeiro (RJ)

Com 16 gols em seis jogos, o ataque do Fluminense vem caminhando na contramão do time e ajudando o Tricolor a tomar rumo na temporada. Metade desse número foi alcançada nos últimos dois jogos, que resultaram em vitórias da equipe das Laranjeiras. E, se o assunto é bola na rede, um certo centroavante de 1,90m pode dar aulas como poucos. Recordista de gols em uma só edição do Campeonato Brasileiro, Washington Stecanela Cerqueira já "maltratou" muitas defesas vestindo o grená, o verde e o branco. Agora, ele curte de longe os feitos alcançados por Fred e cia, mas faz um alerta:

- É legal ver que está acontecendo tantos gols em poucos jogos no início de temporada. Isso mostra a força ofensiva do time. Tem que se preocupar com o fato de estar tomando muitos gols (foram dez em partidas oficiais até o momento). Mas o ataque está eficiente, e tomara que continue assim. A perfeição seria um ataque bem ofensivo, mas com preocupação na defesa. É claro que, às vezes, deixa uma vulnerabilidade e o time sofre atrás. Mas é uma questão de ajuste no treinamento - opinou ele, que em 2004 fez 34 gols pelo Atlético-PR, quebrando recorde e contribuindo na campanha do vice-campeonato do Furacão.

Clássico

Embalado pela atuação de Diego Souza - autor de três tentos e uma assistência para Gustavo Scarpa -, o Fluminense bateu o Cruzeiro na última quarta-feira. O placar de 4 a 3, dentro do Mineirão, deu um gás a mais para o pressionado técnico Eduardo Baptista e os seus comandados buscarem novo triunfo domingo, no clássico com o Flamengo, em Brasília.

- Dá confiança. Há uma certa pressão, justamente com resultados que não agradaram muito a torcida (duas derrotas e um empate). Principalmente no jogo de quarta-feira, deu uma confiança enorme para as próximas partidas. Domingo teremos um grande jogo. Clássico sempre é muito equilibrado. O Fluminense tem que manter essa confiança. Vai ser uma partida equilibrada, até porque o resultado do Flamengo não foi bom no último clássico (contra o Vasco, derrota por 1 a 0 em São Januário) - ponderou aquele que ficou conhecido como "Coração Valente".

Diego Souza e Eduardo Baptista

Apesar da atuação impecável do camisa 10, que esteve improvisado no ataque devido à ausência de Fred, Washington prefere que o meia siga em sua posição de origem. Além disso, a permanência do treinador é entendida com fator benéfico para o time.

- Não vejo o Diego (Souza) jogando de atacante. Claro que ele é um líder também, mas como "homem gol" não. Ele é um meia ofensivo. Como centroavante ele fica perdido, já não é a função dele. Eventualmente, ele aparecendo no ataque, fazendo os gols, aí sim. Sobre o Eduardo Baptista, é um treinador estudioso, jovem, mas com um belíssimo futuro. Começou muito bem no Fluminense, até poderia ir a uma final de Copa do Brasil (foi eliminado nas semifinais, em 2015, pelo campeão Palmeiras), depois teve uma instabilidade. Mas vejo que é um treinador que pode ajudar muito o Fluminense. Vai ser importante - destacou.

Projeção para a temporada
 
Quando o tema é a conquista de troféus, Washington, entretanto, mantém a cautela. Para ele, serão necessários alguns ajustes no atual elenco, se os tricolores quiserem rechear a galeria em 2016.

- Eu sempre acredito. São bons jogadores. Tem uma comissão que trabalha bem. Acredito em uma grande campanha. Em relação a títulos, precisa de um reforços pontuais para vencer o Brasileiro ou chegar em uma Libertadores - apontou.

Volta ao futebol

Torcedor declarado de Fluminense, Atlético-PR e Ponte Preta (todos ex-clubes do camisa 9), Washington anunciou sua aposentadoria do futebol em janeiro de 2011. Hoje, aos 40 anos, o ex-atleta exerce a função de vereador em Caxias do Sul (RS). No entanto, já planeja o retorno ao futebol, longe dos gramados.

- Jogo mais não. Fiz curso de treinador e de gestão também. Temos que nos atualizar sempre. Volto como treinador ou dirigente. Estou aguentando mais não. Logo logo, estamos retornando ao futebol - revelou o campeão brasileiro com o Fluminense em 2010, que enfrentou problemas cardiovasculares ao longo da carreira.