Levir Culpi em coletiva
Patrick Monteiro
07/03/2016
16:04
Rio de Janeiro (RJ)

Os mais pessimistas diriam que desembarcou nas Laranjeiras um "burro com sorte". O próprio treinador se autodenominou desta forma, ao dar título à sua biografia lançada em janeiro de 2015. Mas as oito taças estaduais, quatro nacionais e duas sul-americanas provam que Levir Culpi não teve uma carreira construída apenas nos sucessos da casualidade. Nesta segunda-feira, no salão nobre das Laranjeiras, o técnico foi apresentado para dar início ao seu novo trabalho que, segundo ele, terá um problema comum em outras equipes a ser solucionado.

- Fluminense dispensa comentários. O prazer é meu. Eu que espero fazer alguma coisa e aproveitar o tempo que estiver aqui. Eu acho que o potencial do Fluminense é muito parecido com o de outros clubes do Brasil. O problema eu acho que é o mesmo dos outros: não tem time, não tem padrão. Todo mundo sabe a escalação do Barcelona. E os times brasileiros todo mundo demora para saber a escalação. Vamos trabalhar e fortalecer a base do time. Acabei de ser apresentado pela comissão técnica. São muitos profissionais. Acho que precisamos ajustar a forma de trabalho que nos conduza aos resultados - disse.

O primeiro desafio da nova missão ainda não tem local definido. O Fluminense recebe o Criciúma na quinta-feira, às 21h45, em duelo da última rodada da fase de grupos da Primeira Liga. Depois, o treinador debutará no Carioca-2016, em um confronto que ele reconhecer ser nada agradável: uma de suas ex-equipes, o Botafogo, no qual trabalhou na Série B do Brasileiro de 2003.

- Nunca é bom. Eu não gosto muito de jogar contra os clubes em que passei. Porque normalmente tem muitos amigos. É meio constrangedor porque alguém vai ter que matar o outro time. Mas a ideia é vencer porque só assim nós vamos atingir os nossos objetivos - considerou.

Questionado sobre a curto prazo de validade que tiveram os últimos treinadores que passaram pelas Laranjeiras, Levir preferiu usar a sinceridade:

- Olhando imediatamente, a reposta vai fica muito acoplada aos nossos resultados. Tem a parte extracampo. E a mentalidade é brasileira, não é só do clube. Neste momento, a expectativa no futebol segue a mesma: ganhou está bom, perdeu tem que mexer. Com os resultados, a gente consegue se manter. Sem resultado, não adianta nem um bom trabalho. Infelizmente, a coisa funciona deste jeito. Venho com isso na cabeça, antes de começar o trabalho - ponderou.

Com vínculo apenas até dezembro, Levir terá de sobreviver a uma eleição presidencial no clube em 2016. Fato que o atual mandatário, Peter Siemsen, minimizou:

- Esse negócio de cláusula automática não existe. Se o futuro presidente estiver feliz com o ele e ele também, não tem motivos para não continuar - explicou.