marcelo teixeira

Marcelo Teixeira está no Fluminense desde 2011 (Divulgação)

Alexandre Araújo e Luiza Sá
19/06/2018
07:30
Rio de Janeiro (RJ)

Em um ano de dificuldades financeiras, o Fluminense usou uma fórmula conhecida no futebol e viu a utilização dos jogadores criados no clube como parte da solução para a formação do elenco para esta temporada, com alguns conseguindo se destacar, como o zagueiro Ibañez, o lateral-esquerdo Ayrton Lucas e o atacante Pedro. Diretor da base e um dos responsáveis pela integração entre as peças das categorias inferiores e o grupo principal, Marcelo Teixeira recebeu o LANCE! e conversou sobre o momento do clube e o aproveitamento desses jovens na equipe que vinha sendo comandada por Abel Braga. 

- Procuramos afinar bastante profissional com a base. Todo mundo sabe que o Fluminense já vem com cinto apertado desde o início da gestão do Abad. A gente vêm tendo restrições financeiras por conta de questões do passado, o que vem impedindo que o Fluminense faça grandes investimentos no futebol profissional. Eu, que estou muito próximo, sei bem o trabalho que vem sendo feito - disse ele, que completou:

- O Fluminense segue sua veia de lançar jovens jogadores. Isso vem acontecendo sistematicamente ano a ano. Esse ano, temos o Ibañez aparecendo direto do Sub-20, o Ayrton, que fez parte de um plano de carreira, Pablo Dyego, que estava no mesmo sistema de ganhar rodagem. Grande parte dos gols no Estadual foram de jogadores da base, o que mostra que estão contribuindo. Estamos vendo o Pedro muito bem, o Marcos Junior...

Pedro Fluminense
Pedro foi artilheiro do Carioca (Mailson Santana/Fluminense)

Criado nas categorias de base do Flu, Pedro foi o artilheiro do Campeonato Carioca, com sete gols, e é um dos goleadores do Brasileiro, com seis (atrás de Roger Guedes, do Atlético-MG, com nove, e Willian, do Palmeiras, com sete), conseguindo suprir a saída de Henrique Dourado, que deixou o Tricolor e foi para o rival Flamengo.

Teixeira aponta que o camisa 9, diante dos números que apresentava, tinha a confiança dos profissionais do clube e salientou o trabalho fora dos campos realizado quando o jovem foi promovido ao grupo de cima:

- Quando se traz um jogador da base para o profissional, tem de ver o histórico desse jogador e ter a convicção daquilo que se acredita. O Pedro é um jogador que, na base, sempre foi artilheiro. Era um atacante que tínhamos uma convicção de que tinha um potencial futuro. Subiu muito jovem, naturalmente teve dificuldade. Precisou passar por um período onde ele jogou pouco e treinou muito, muito orientado pelo Abel. Mas uma coisa bacana é que, desde o primeiro momento em que ele chegou ao profissional, o Abel detectou qualidade nele e sabia que era questão de tempo. O próprio Abel vinha trabalhando o jogador no extra-campo, pedindo paciência, mas trabalhando as deficiências que ele poderia ter ainda, aperfeiçoando algumas coisas, e tendo paciência. A coisa foi em uma evolução e, agora, esse ano acelerou de uma forma que o Pedro amadureceu muito.

"Pedro é um jogador que, na base, sempre foi artilheiro. Era um atacante que tínhamos uma convicção de que tinha um potencial futuro. Subiu muito jovem, naturalmente teve dificuldade"

Pedro e Ayrton Lucas foram jogadores que, recentemente, tiveram os nomes ligados a interesse de clubes europeus. Marcelo Teixeira aponta que sempre há a possibilidade de saídas de peças do elenco neste período do ano, mas garante que há peças de reposição à altura em Xerém.

- Sabemos que, no meio do ano, todo clube brasileiro está sujeito a perder jogadores para fora. Fluminense tem jovens se destacando e aí cabe ao clube, em caso de proposta, decidir se vai sair ou não. Se sair e precisar de reposição, sabemos que, no clube, tem jogadores que estão sendo preparados para chegar ao profissional - apontou, avisando não ter conhecimento de nenhuma proposta oficial que tenha chegado à diretoria.

No clube desde 2011, Marcelo Teixeira é um dos dirigentes do departamento de futebol com mais tempo de casa e já passou por diversos momentos nas Laranjeiras. Ele lembra que o cenário pelo qual o Fluminense atravessa nos bastidores não chega a ser muito diferente do que a própria instituição e outras já viveram e ressalta os "modelos político" dos clubes brasileiros.

Marcelo Teixeira e Pedro Abad
Teixeira e presidente Pedro Abad (Nelson Perez/Fluminense FC)

- Os modelos dos clubes de futebol no Brasil são políticos. Então, os profissionais que hoje trabalham com futebol sabem que vão para um clube que vai ter eleição e isso, inevitavelmente, causa movimento. Vimos, esses anos, vários clubes que fizeram grandes mudanças no departamento de futebol de base, por exemplo, que hoje é minha área, onde os profissionais que estavam lá, faziam um grande trabalho e vieram pessoas novas, que procuraram usar pessoas da confiança deles. Acho que isso faz parte da cultura, do modelo dos clubes. Não dá para dizer se (crise política atual) foi mais ou se foi menos (intensa). O Fluminense sempre foi um clube político, com movimentação política

"Os profissionais que hoje trabalham com futebol sabem que vão para um clube que vai ter eleição e isso, inevitavelmente, causa movimento"

O dirigente aproveitou para comentar a situação do Flu Samorim, filial do Fluminense na Eslováquia. O projeto esteve em xeque por questões financeiras, mas, segundo Teixeira, a diretoria conseguiu patrocinadores que conseguiriam financiar boa parte do planejamento para o clube, mas a decisão da continuidade da iniciativa ainda depende do aval do presidente Pedro Abad.

Fluminense Samorin
Jogadores do Flu Samorim celebram gol (Divulgação)

- A temporada, para a gente, foi interessante. Foi a primeira em que conseguimos utilizar diversos jovens. Isso foi muito legal porque são jogadores que vão ser incorporados ao Sub-20 do Fluminense e ainda tem um espaço de tempo na categoria para se desenvolverem. São jogadores que vão estar jogando o Sub-20 com uma bagagem internacional grande. Ficamos bastante satisfeitos. Sofremos um pouco no começo da temporada porque levou muito jogador novo, mas terminamos com a terceira melhor campanha no segundo turno. Agora, estamos em um momento de planejamento, o presidente está fazendo essa definição. Já alcançamos metade do orçamento do próximo ano em contratos de patrocínio. O custo do projeto vai ser praticamente irrisório para o Fluminense. Estamos fazendo o planejamento até que se tenha uma definição, que o presidente está avaliando a sequência - afirmou.