Torcida do Fluminense x Atlético-GO

Canção inspirada em série vem sendo cantada pela torcida do Flu (Foto: Lucas Merçon/Fluminense F.C.)

Alexandre Araújo e Marcello Neves
13/03/2018
16:13
Rio de Janeiro (RJ)

O sucesso mundial da série espanhola "La casa de papel" (A casa do papel, em tradução livre), fez com que muitos brasileiros conhecessem "Bella Ciao", música italiana composta no fim dos anos 40 e que representou a resistência ao fascismo. Agora, porém, o ritmo busca também levar o Fluminense a novos triunfos. A canção ganhou uma versão que vem conquistando as arquibancadas nos jogos do Tricolor e embalando a torcida do clube das Laranjeiras.

O tricolor Anderson Gonçalves, autor de "Sangue do Encarnado", uma alusão à terceira camisa do Fluminense, ressalta que queria criar um cântico que enaltecesse a história do clube, fundado em julho de 1902.

- Assisti à série e sempre tive o sonho de ver a torcida do clube que eu amo cantar uma música feita por mim. É uma emoção impagável. Queria fazer uma letra diferente das letras padrões que têm nas torcidas dos clubes. Trazer mais o lado histórico do clube - disse.

Anderson esperava que a torcida pudesse gostar da obra, mas garante que não imaginava que ela pudesse cair nas graças tão rapidamente:

- Acreditei que a torcida fosse abraçar a música por ela ser curta e trazer a história do clube, a importância de um clube centenário como o Fluminense. Mas não esperava que fossem cantar tão rapidamente. Fiquei surpreso.

Para ele, o cunho político de "Bella Ciao" tem a ver com o momento pelo qual passa o bastidor do clube tricolor.

- Fluminense vive momento político bastante conturbado, devido a uma administração incompetente, mas o que resta a nós, torcedores, é acreditar, protestar e resistir - aponta.

Se na ficção, o plano do Professor - personagem que planeja o assalto à Casa da Moeda da Espanha - era com que ele e os comparsas ficassem ricos, no futebol, a missão parece ser mais palpável, mas, ainda assim, complicada, segundo Anderson.

- Acredito que o maior sonho da torcida para esta temporada seja a conquista da Sul-Americana, mas, para isso acontecer, precisamos de contratações urgentes - avisa ele, apontando que o grupo precisa de um zagueiro, um meia de criação, um atacante pelos lados e um centroavante.

Em "La casa de papel", o Professor é quem treina e dá o passo a passo para que o restante do grupo possa realizar o roubo. Nesta temporada da série tricolor, Abel poderia ocupar a função. O autor de "Sangue do Encarnado" ainda faz outros paralelos.

- Apesar dos erros que comete às vezes, o Abel é ídolo. Ele tira leite de pedra com o elenco que o Fluminense tem. O Sornoza seria o Berlim, porque é o craque do meio de campo. Jádson e Richard servem como mão dupla, tanto para atacar quanto para defender, então seriam Oslo e Helsinki. O Marlon Freitas seria o Rio, porque faz algumas besteiras (risos). Gum seria a Tokyo, é um ídolo, mas pode entregar o plano. Pedro e Robinho acho que seriam Nauróbi e Moscou. Marcos Júnior é o tricolor em campo, esforçado... Seria o Denver - brinca.

Na produção espanhola, os bandidos usam uma máscara do pintor catalão surrealista Salvador Dali para não serem reconhecidos. No caso do Flu, Anderson escolheria um outro 'bigodudo':

- Eu diria o goleiro Castilho, por tudo que representou para o Fluminense. É um grande ídolo. Mas acredito que o Rivelino assusta mais (risos) - lembra.

Rivelino - Fluminense
Rivelino pelo Fluminense (Foto: Reprodução/Arquivo LANCE!)

Com o sucesso da versão tricolor, Anderson, inclusive, já vem ganhando a admiração dos companheiros de arquibancada.

- Noa jogos, algumas pessoas me reconhecem e parabenizam pela música. Isso, para mim, é muito gratificante - finaliza.​

Letra "Sangue encarnado"

"E eu visto o sangue
Do encarnado
Sou tricolor, tricolor, tricolor, lor, lor

Minha bandeira
É centenária
Ô dá-lhe, dá-lhe tricolor"