Matheus Dantas
12/09/2017
12:26
Rio de Janeiro (RJ)

O estádio Giulite Coutinho, de propriedade do América e casa do Fluminense entre julho de 2016 e julho de 2017, é um dos estabelecimentos liberados pelo Corpo de Bombeiros mediante pagamento de propina. É o que aponta a investigação da Corregedoria Geral Unificada (CGU) da Segurança Pública e do Ministério Público do Rio de Janeiro. 

Uma operação realizada cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão, levando para a cadeia 34 pessoas até às 11h desta terça-feira, entre oficiais e membros dos Bombeiros suspeitos de cobrar propina para emitir alvará para estabelecimentos comerciais.

O América, proprietário do estádio, alega desconhecer a investigação.

- Desconheço completamente. O América sempre fez tudo dentro da legalidade - afirmou Marco Antonio Teixeira, diretor executivo de futebol e secretário geral administrativo do América, em rápido contato ao LANCE!, antes de completar:

- Vamos nos inteirar da situação e nos posicionar oficialmente - finalizou.

A notícia da operação da Corregedoria Geral Unificada da Segurança Pública e do MPRJ foi inicialmente publicada pelo portal G1. Os 38 mandados de prisão começaram a ser cumpridos nesta manhã, além de 67 mandados de busca e apreensão

Segundo agentes da CGU, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPRJ e da Polícia Civil, o estádio e outros locais que reuniam grande público receberam documentações sem cumprimento das exigências de segurança, necessárias para a proteção da vida de pessoas e do patrimônio, em caso de um incêndio, por exemplo.

- Em determinada conversa, isso é dito. O estádio funcionou sem autorização. Foi dada uma autorização prévia sem o cumprimento das exigências - afirmou a delegada Renata Araújo, da delegacia fazendária.

Os responsáveis pela investigação não revelaram quem negociou as propinas para a liberação do Giulite Coutinho.

RELEMBRE A PARCERIA ENTRE FLUMINENSE E AMÉRICA

Em 2016, com o Maracanã impossibilitado de receber partidas, o Fluminense buscou o América por uma parceria pelo Estádio Giulite Coutinho ainda em maio. O Tricolor passaria a mandar os jogos lá e, em troca, financiaria reformas no gramado e vestiários. Marco Antonio Teixeira foi um dos responsáveis pela negociação e o acordo selado entre os clubes, que se prorrogou para 2017.

A ideia do Fluminense era mandar partidas lá em junho, mas a espera se prolongou pois o estádio não havia sido liberado pela CBF. Uma primeira vistoria realizada pelo Corpo de Bombeiros identificou falhas no sistema preventivo de segurança contra incêndio e pânico.

Os reparos nas arquibancadas indicados foram feitos - respeitando o Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI) - e, em 17 de julho de 2016, o Fluminense venceu o Cruzeiro por 3 a 2, no Brasileirão, na estreia de sua "nova casa".