Abel Braga

Emoção tomou conta de Abel Braga na coletiva desta sexta-feira (Nelson Perez/Fluminense FC)

Matheus Dantas
02/12/2016
14:03
Rio de Janeiro (RJ)

A emoção de ser apresentado pela terceira vez como técnico do Fluminense tomou conta de Abel Braga nesta sexta-feira. O treinador, campeão brasileiro em 2012, deu uma longa entrevista na Sede das Laranjeiras e comentou o espírito que a equipe tricolor terá em 2017. E será muito diferente da atual.

- Esse clube é diferente. Eu venho buscar algo que o torcedor pretende e gosta de ver. O time do Fluminense, hoje, é um time sem alma. É um time sem cara. O time tem que ter caráter, entrega. Até pouco tempo isso existia. Antes de tudo tem que existir alma.  Já fica o aviso: vai ter que ter alma, caráter e uma noção exata do escudo que está no peito e de todos troféus - ressaltou Abel. 

Os presidentes Peter Siemsen e Pedro Abad acompanhar a apresentação do novo treinador do Fluminense, que assinou contrato de duas temporadas. Siemsen, que encerra seu segundo mandato à frente do clube na segunda quinzena deste mês, abriu a coletiva, lamentando o trágico acidente aéreo envolvendo a delegação da Chapecoense e jornalistas rumo à Colômbia.

Com a palavra, Peter Siemsen falou sobre a dor do futebol do brasileiro e revelou que se arrepende de não ter lutado mais pela permanência de Abel Braga em 2013, quando o treinador encerrou sua segunda passagem pelas Laranjeiras após um início ruim do Campeonato Brasileiro daquele ano. 

- Estamos em uma semana muito dura. Quem acompanha o futebol brasileiro, a história recente da Chape, as pessoas que perderam as vidas... Está difícil. A vida continua. Temos que planejar o futuro e por isso estamos aqui. É meu último ato, provavelmente, apresentar junto com meu amigo e novo presidente, Pedro Abad, o Abel Braga. É um orgulho muito grande. Só agradeço ao Abad e Pedro Antonio. Passei alguns anos chorando em público a perda do Abel em 2013. Fiquei muito chateado e me arrependi por não ter lutado mais. Acho legal o retorno dele e importante demais. É o momento de mudar o modelo que o futebol vinha sendo feito. .Temos que desenvolver o futebol com qualidade e estabilidade. Isso é fundamental para termos o sucesso. O futebol está em muito boas mãos. A presidência está em boas mãos - disse Siemsen.

Eleito presidente no último sábado, Pedro Abad articulou, junto com Pedro Antonio, a chegada de Abel Braga para 2017. O futuro mandatário tricolor prometeu uma reformulação no departamento de futebol e acredita que Abel Braga é o nome indicado para fazer parte de tais mudanças. 

- Se teve alguma coisa capaz de dar uma leve atenuada nessa tristeza é estar aqui ao lado do Abel. É com uma imensa satisfação que trazemos ele de volta. Ganhou como jogador. Ganhou como técnico. Tenho certeza que a partir de 2017 o Fluminense terá outra cara. Já conversamos bastante e o Abel tem o prognóstico do que deve ser feito e tenho certeza que o Fluminense sairá fortalecido - declarou o presidente do Tricolor pelos próximos três anos.

A emoção de Abel Braga não se resumiu ao retorno ao clube das Laranjeiras, aonde foi revelado como jogador e já comandou duas vezes. Vários conhecidos do treinador foram vítimas do trágico acidente da última terça-feira, como o ex-jogador e comentarista Mário Sérgio e o meia Josimar e o técnico Caio Junior.

- Só essa volta ao clube faz amenizar a dor que estou sentindo - afirmou Abel.

A comissão técnica de Abel Braga no Fluminense será composta por Leomir (auxiliar técnico), Marquinhos (preparador de goleiros),  Marcelo Chirol (auxiliar preparação física) e Fábio Moreno (observador técnico). Todos os profissionais já trabalharam com Abel em outras oportunidades. Outro preparador físico ainda deve compor a equipe, revelou o comandante do Tricolor em 2017.

Confira outras respostas do Abel Braga na coletiva desta sexta-feira:

A diretoria prometeu reforços e time para vencer o Brasileiro?

Vou estar muito próximo da diretoria na formação do plantel. Nós, Pedro Antonio, Marcelo Teixeira, o presidente, queremos buscar o melhor para o clube. A direção não precisa me prometer reforços; O que mais eu queria eles já me deram: lealdade. A promessa que fiz foi de resgatar a imagem do Fluminense em campo. Antes de pensar nos nomes, precisamos ter um número ideal de jogadores com a conduta que vamos exigir em 2017.

O Fluminense precisa de Abel Braga neste momento difícil?

Nas outras vezes que cheguei o momento era parecido. Houve muita colaboração de todos no clube. Treinador não joga sozinho, dirigente não joga. Vamos procurar dar a equipe as condições possíveis para conseguirmos aquilo que a gente quer. Peter estruturou, mudou o clube, Pedro vai dar continuidade. Existem coisas de serem resolvidas. A gente vai ter de virar a situação do time. Nas duas vezes anteriores, a situação não era fácil. Estou perdendo o posto de segundo maior treinador para um uruguaio (Ondino Vieira). Acho que faltam 80 jogos. Presidente, preciso disso. Não me manda embora antes. Não vou perder para o uruguaio. Sem chance.

O que fez nesse um ano sem trabalhar em clubes?

Devo ter visto uns 500 jogos. Escrevi umas 7 mil folhas. Estive em muitos lugares. Não preciso dizer isso, postar selfie. Me relacionei muito bem com o futebol. Aprendi muito por isso me acho melhor. Não foi um ano sabático, nunca ouviram isso da minha boca. O Abel está melhor.

Com será trabalhar sem o apoio financeiro da Unimed?

O maior patrocínio que pode existir é esse aqui (apontando para a bandeira do Fluminense). O Flu terá outra vida com o CT. É um clube centenário, que viverá 100 anos diferentes a partir de agora. O clube, agora, atingiu a maioridade.