Felippe Rocha e Igor Siqueira
12/02/2017
18:45
Rio de Janeiro (RJ)

As lágrimas dos gêmeos Gabriel e Pedro Berger, de 10 anos, foram poucas perto das outras que rolaram no universo de medo trazido pelas confusões ao redor do Nilton Santos, antes de a bola rolar no Botafogo x Flamengo. Lamentavelmente, o trinômio “tiro, porrada e bomba” foi o tom das cenas vistas nas horas antes do jogo. Em uma das confusões, três torcedores foram baleados e levados ao Hospital Salgado Filho. 

Quem alardeou a possibilidade de confusão foi o vice-presidente executivo do Botafogo, Luis Fernando Santos, assim que chegou ao estádio. Segundo ele, o efetivo policial que compareceu não foi suficiente, o que deixaria o jogo sob risco.

– Constatamos às 16h, quando eles deveriam chegar e não chegaram. Se existem, vieram em quantidade muito pequena. Para o Botafogo, não existem condições mínimas de realização do jogo porque não temos como garantir a segurança fora do estádio – afirmou o dirigente.

A sugestão de cancelamento foi prontamente rebatida pela Ferj, por meio do diretor de competições, Marcelo Vianna, delegado do jogo.

– Não tem documento algum para embasar o cancelamento.

Fato é que o pau quebrou nas ruas. Durante a preliminar, o clássico entre Bota e Fla pelo Carioca Sub-20, começaram a ser ouvidos os sons de bombas e tiros. Foi um confronto na direção do setor Norte. Um segurança chegou a ser atingido de raspão na orelha, fora a quantidade de gente que se agrediu e foi ferida durante a ação policial.

Depois de correrias intermitentes de torcedores, muita gente tentando entrar nos portões de acesso da imprensa e uma bomba de gás de pimenta que afetou jornalistas e seguranças do estádio, nova briga no setor Oeste. Para escaparem, torcedores alvinegros tiveram que acessar a arquibancada Oeste pelo lado Norte. E foi nessa tentativa de fugir da hostilidade nas ruas que os gêmeos Pedro e Gabriel Berger chegaram ao interior do estádio. Chorando, assustados e temendo o que poderia ter lhes acontecido só por causa do desejo de ir ao futebol.

– Vou esperar acalmar para ir pra casa com eles. Nunca mais – disse a mãe, Flávia Berger.