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Zico é o maior ídolo do futebol do Flamengo

Roberto Assaf
12/11/2015
10:40
Rio de Janeiro (RJ)

No fim de 1911 surgiu uma nova força no futebol carioca. Tudo começou no dia 21 de setembro, na Pensão Almeida, à Rua do Catete, 186, onde se reuniram nove jogadores do Fluminense, que estavam insatisfeitos com a direção do clube, que havia barrado o centroavante Alberto Borgerth, escalando em seu lugar o zagueiro Ernesto Paranhos. A proposta formulada no encontro foi a debandada geral das Laranjeiras. A equipe cumpriu a promessa de enfrentar o América. Venceu por 2 a 0 e garantiu o título ao Tricolor.

Mas no dia seguinte, o grupo dos dissidentes anunciou o desligamento. Borgerth, líder dos dissidentes, sugeriu a criação de uma seção de futebol no Flamengo, de pronto aplaudida pela turma. Em 8 de novembro de 1911, a proposta foi apresentada pela primeira vez em assembleia aos sócios rubro-negros. O pessoal do remo torceu o nariz. Via o futebol como um esporte “de saltinhos de bailarina”.

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Borgerth insistiu. No dia 25, o presidente Virgílio Leite de Oliveira e Silva submeteu o assunto a uma nova apreciação. E convocou uma reunião extraordinária para 24 de dezembro, quando a ideia foi enfim aprovada. A direção do chamado Departamento de Esportes Terrestres acabou sendo entregue, é claro, a Borgerth. Também se transferiram para o Flamengo os ex-tricolores Arnaldo “Galo” de Almeida, Emmanuel Augusto Nery, Ernesto “Zalacain” Amarante, Gustavo “Gustavinho” Adolpho de Carvalho, Lawrence Andrews, Orlando “Baiano” Sampaio Mattos, Othon Baena de Figueiredo e Píndaro de Carvalho Rodrigues.

Na primeira partida oficial, em 3 de maio de 1912, o Flamengo massacrou o Sport Club Mangueira: 15 a 2. Gustavinho marcou o primeiro gol da história. Ainda sem um campo próprio, o futebol do Flamengo passou a cair no gosto popular, porque passou a treinar na Praia do Russell, cedida pela Prefeitura. E foi ali, naquele espaço, aberto, sem muros nem portões, que os jogadores se aproximaram da gente simples, que começava a se entusiasmar pelo esporte que logo se tornaria a paixão das multidões.

Hoje o Flamengo tem um punhado de títulos da maior importância, como o Mundial Interclubes e a Copa Libertadores da América, conquistados em 1981, o hexa brasileiro, três Copas do Brasil, 33 estaduais, a hegemonia da Taça Guanabara, e uma coleção invejável de vitórias para enfartar. Pena que a administração atual tenha afastado o Flamengo do povão, e esquecido que um time vencedor pode faturar mais que as receitas imediatas e efêmeras que acabam prejudicando, a médio prazo, o futebol e o próprio caixa do clube.