Onibus

Torcedores que acompanharam França x Romênia e que pegariam  o trem do Stade de France para Paris  foram acomodados, após atraso, em ônibus .  "Operação Tartaruga" fez o último horário ser cancelado (Carlos A. Vieira)

CARLOS ALBERTO VIEIRA
11/06/2016
12:18
Paris (FRA)


Vai pegar no tranco. É assim que as autoridades francesas estão tentando dar um jeito nos problemas pelos quais  a cidade passa em razão de uma série de greves em setores importantes e que tiveram início com a chegada da Eurocopa (há várias paralisações menores que acabam não influindo na competição).

Primeiro com os garis. Após uma semana sem a retirada do lixo, ocorreu um acordo e 30% do efetivo vêm trabalhando nos últimos dois dias, tentando deixar a cidade mais limpa. 

Neste momento, com a greve de pilotos da Air France. Ela começou neste sábado e vai inicialmente até a próxima terça-feira, a previsão era de um possível caos, mas o governo conseguiu iniciar um acordo e 90% dos voos saíram no horário.

Agora a briga é com o sindicato dos ferroviários. Uma greve no setor seria um caos, já que a grande maioria dos torcedores desta Euro usam metrôs ou linhas férreas para chegarem aos locais das partidas. Em Paris, o metrô leva até o Parc des Princes e o trem suburbano para o Stade de France. Desde quinta-feira os ferroviários estão fazendo operação tartaruga em estações pré-determinadas.

E isso ocasionou um grande problema já na partida de estreia. O jogo França 2x1 Romênia terminou às 23h desta sexta-feira no Stade de France e havia a previsão de trens saindo do terminal próximo do estádio para o subúrbio e também para Paris a cada meia hora até 1h30 da manhã, beneficiando 40 mil torcedores. A atenção das autoridades era total com estas linhas  Mesmo assim, quase todos os trens atrasaram (incomum na França). E dos dois últimos que deveriam sair, um para cado lado da região somente um chegou.

Ocorreu grande confusão, pois apenas um destino seria coberto. Depois de meia hora, os responsáveis decidiram que o trem iria para os subúrbios do Norte, pois o número de passageiros era maior.  E quem quisesse voltar para Paris teria de pegar táxi ou Uber.

Por causa da reação, arranjaram um jeitinho: o ônibus de uma das duas linhas que passam pelo Stade de France que estava indo para a garagem foi "intimado" a parar para pegar os passageiros e levar para uma das estações de Paris onde, de lá, todos poderiam ter mais opções de táxis. Alguns se espremeram dentro do ônibus. Outros aceitaram dividir a conta dos táxis.

- Os transportes coletivos vão colaborar sempre que possível. Se ocorrerem problemas com os trens, teremos os ônibus - disse um dos funcionários da estação Saint-Denis sem a menor convicção, pois minutos antes era ele quem distribuía os números e aplicativos de chamada de transportes para jornalistas e torcedores.

- Se aqui em Paris, no principal estádio da principal sede, está assim, imagine o que podemos ter nas outras cidades - reclamou um jornalista romeno que pegou o ônibus, hiperlotado e com vários torcedores franceses muito barulhentos que ficaram bebendo nos bares e deixaram para pegar o último trem, aquele que nunca chegou.

A palavra oficial

Em razão da enxurrada de reclamações sobre greves no período da Eurocopa e que por isso está ganhando repercussão fora da França, o secretário de transportes Alan Vidal deu uma entrevista afirmando que setores estratégicos não podem fazer greve total e que há uma lei (NR artigo L2215-1) segundo a qual o governo, em caso de extrema necessidade para manter a regularidade, pode requisitar o uso das instalações em greve, colocando pessoal próprio (maquinistas aposentados, por exemplo, receberiam um salário).

- Faremos tudo o necessário para executar o serviço. E quem tentar obstruir sofrerá as sanções previstas: multa (R$ 40 mil/cada) e prisão por 6 meses.

Nesta segunda-feira haverá um jogo de grande audiência no Stade de France, quando a Suécia de Ibrahimovic (ídolo parisiense de saída do PSG)  terá pela frente a Irlanda, que conta com torcida numerosa que já está desembarcando na capital francesa.