Will Grigg, atacante da Irlanda do Norte

Will Grigg foi artilheiro do Wigan, da Inglaterra, na temporada passada (AFP)

Alex Sabino -
20/06/2016
07:45
São Paulo (SP)

Ele não fez nenhum gol. Sequer é titular da seleção que está longe de ser favorita. Corre sério risco de nem passar da fase de grupos. Pouco importa. Will Grigg, 24 anos, é um dos grandes nomes da Eurocopa. Tudo por causa de uma música.

Nesta terça-feira, a Irlanda do Norte enfrenta a Alemanha. Precisa de pelo menos um empate para não correr risco de ficar pelo caminho. Will Grigg deve começar no banco de reservas. Antes, durante e depois do jogo, vai acontecer o mesmo que tem ocorrido em todos os dias do torneio, em qualquer zona de concentração de torcedores, estádios ou bares.

Alguém vai começar a cantar: “He will score goals, will score just more and more” (Ele vai marcar gols, vai marcar mais e mais).

É a senha. Em seguida, a multidão vai começar a repetir o refrão que virou febre na França. “Will Grigg’s on fire. Your defence is terrified!” (Will Grigg está demais. Sua defesa vai ficar aterrorizada!).

Nunca uma música de torcida se tornou hit instantâneo como a composição de Sean Kennedy, 25 anos, torcedor do Wigan, da Inglaterra. De quebra, catapultou a fama de Grigg que, apesar de deixar defesas “aterrorizadas”, tem apenas um gol pela seleção da Irlanda do Norte.

Sean Kenney, autor da música sobre Will Grigg
Sean Kennedy, autor da música que virou febre na Euro (Reprodução)

- Que coisa de louco, cara! Jamais imaginei que uma coisa dessas pudesse acontecer. E foi em questão de semanas. Eu ouço as pessoas cantando nos estádios todos os dias. É insano - comemorou Kennedy, em conversa com o LANCE! na semana passada.

O ritmo é o da canção “Freed from Desire”, da cantora italiana Gala, lançado no início de 1997. Fez sucesso na Europa. No ranking de CD’s (aquele disco pequeno que você precisava de um aparelho para tocar, para os mais novos que não se lembram) mais vendidos do Reino Unido, por exemplo, chegou à segunda posição. A versão de Kennedy está quase lá. Uma gravação da dupla House Blonde é a 11a. música mais comprada na loja online da Apple da Inglaterra. 
Todo o dinheiro arrecadado vai para uma instituição de caridade d cidade de Wigan.

Não surpreenderia se a torcida da Irlanda do Norte fosse a autora da música que cola como chiclete na cabeça de quem a escuta pela primeira vez. O país não participava de qualquer competição desde 1986, quando foi à Copa do Mundo do México. Eles têm grito de guerra que diz não serem “o Brasil, são a Irlanda do Norte, mas é tudo a mesma coisa”, brincando com a própria limitação em campo e deixando claro que, apesar disso, o amor é incondicional.

Seria condizente para uma torcida dessa escrever canção para atacante com um gol pela seleção.

Até máscaras de Grigg já apareceram na arquibancada
ODD ANDERSEN / AFP

Mas Sean Kennedy não é irlandês. É inglês. Ele compôs a paródia para os torcedores do Wigan cantarem nos estádios. Pelo clube que na última temporada subiu para a segunda divisão do país, Grigg fez 28 gols e 43 partidas depois de ser comprado do Brentford por 1 milhão de libras esterlinas (cerca de R$ 5,2 milhões em valores atuais).

"Eu preciso fazer gol, não é? Se eu paro, a música morre

- Alguém tinha de escrever alguma coisa para ele. Não parava de fazer gols. Mas era uma coisa local, para a gente se divertir. Agora explodiu. Claro que me sinto orgulhoso. Dá para pensar até que sou um pouco importante... - se diverte.

Para divulgá-la, Kennedy fez um vídeo de si mesmo a cantando e colocou no Youtube.

O resto é história.

Os jogadores da seleção da Irlanda do Norte gravaram um vídeo para a BBC cantando “Will Grigg’s on fire”. Outras torcidas já roubaram a ideia. Os ingleses usam a mesma letra e música, substituindo apenas Grigg por Jamie Vardy. Os irlandeses do sul fazem o mesmo, mas para o também atacante Shane Long. Mas não adianta, a versão que se tornou a febre da Eurocopa é para Will Grigg.

- Eu preciso fazer gols, não é? Se eu paro, a música morre. Tenho de mantê-la viva - disse o homenageado, em entrevista à BBC.

Por causa da música e pela divulgação que esta deu ao Wigan, Sean Kennedy ganhou um carnê de ingressos para as partidas da próxima temporada, que começa em agosto.

- Sempre gostei desse negócio de brincar com versões de músicas e usá-las no futebol. Já tinha escrito outras, mas nunca deu certo. Mas esta... Pegou fogo - brinca Kennedy, fazendo trocadilho com o “on fire” do refrão.

E se a pequena Irlanda do Norte, país com apenas 40 jogadores de futebol profissionais, passar para as oitavas de final, a França pode se preparar. Will Grigg’s estará “on fire” por ainda mais tempo na Eurocopa.