Jucelino Alves,  do high diving

Jucelino Alves (à esquerda com camisa de Furnas) com os alunos na Escola de Circo  (Foto: Divulgação)

LANCE!
16/03/2016
17:26
Rio de Janeiro

Saltar de penhasco há muito tempo deixou de ser apenas uma brincadeira para Jucelino Alves. Principal nome do Brasil no high diving, como é conhecido mundialmente o esporte, este paraense, de 32 anos, que faz parte da equipe Furnas no Esporte, aproveitou uma visita ao Rio de Janeiro para reviver uma das paixões que tem na vida e para ensinar os alunos da Escola Nacional de Circo.

No picadeiro, Jucelino se sente à vontade. Já rodou o mundo, morou na Europa e na China, fazendo a alegria de crianças e adultos que gostam de ver acrobacias, até chegar a disputar as principais competições de high diving do planeta, como a Copa do Mundo e o Circuito Mundial ( Red Bull Cliff Diving). O que para muitos parece loucura, para ele é profissão, mas com muita diversão.

- Costumo dizer que eu nunca deixei de brincar. A cada acrobacia que faço, seja no salto em penhasco, seja no circo, é uma nova brincadeira. Comecei brincando na rua, passei para a capoeira, que despertou a acrobacia. No colégio, eu “matava” aula de educação física para ficar fazendo acrobacia. Então, a professora (que se chama Joice) me fez uma proposta: eu poderia faltar às aulas de educação física se fizesse as acrobacias dentro de um ginásio. Com a autorização dela em mãos, eu fui treinar na Uepa (Universidade do Estado do Pará), onde fiz ginástica olímpica por seis anos.

Da capoeira e da ginástica, Jucelino levou muitos ensinamentos para outro esporte: os saltos ornamentais, que ele começou a fazer sem saber nadar:

- Na Uepa também tinha aula de saltos ornamentais, mas eu não tinha condições de pagar. Num determinado dia, eu pedi autorização ao professor para fazer um salto no trampolim. Ele me falou que, se eu conseguisse fazer o salto, conseguiria uma vaga para mim.

Três meses após o “desafio” do professor, Jucelino já disputava o Campeonato Brasileiro de saltos ornamentais, rotina que manteve dos 14 aos 20 anos, com resultados significativos pelo país. Foi aí, então, que apareceu o circo na vida dele.

- Conheci um atleta, o Emerson Neves, que já estava na transição dos saltos para o circo. Ele me ofereceu a oportunidade de trabalhar num parque temático na Europa, o que me despertou a vontade de unir o profissional ao teatral. Em 2008, eu fiz um teste para o Circo do Franco Dragone e em 2010 fui chamado para trabalhar com eles em Macau, na China. Fiquei lá até 2013.

Enquanto esperava pelo chamado para trabalhar no circo, Jucelino disputou pela primeira vez o Mundial de saltos em penhasco e ficou em terceiro lugar. A modalidade ganhou fama, sobretudo pelos belos cenários e pelas “loucuras” dos atletas. Hoje, já é a sexta modalidade mais importante dos esportes aquáticos. Tem Copa do Mundo, Circuito Mundial e existe a esperança de que vire esporte olímpico, quem sabe para 2020.

No começo deste mês de março, Jucelino terminou em 11º lugar na Copa do Mundo, em Abu Dhabi (Emirados Árabes), o que fez com que se tornasse o primeiro brasileiro a conquistar vaga de forma direta para um Mundial, no caso o de 2017, em Budapeste. Os bons resultados e o pioneirismo no Brasil credenciaram o atleta a ensinar os alunos da Escola Nacional de Circo, no Rio de Janeiro.

- Dois bolsistas da escola que são meus amigos (Thiago Monteiro e Rayssa Palheta) me convidaram para vir aqui conversar com os alunos. O diretor da escola (Carlos Viana) aprovou e estou aqui para dar dicas sobre o aparelho que uso, o balanço russo.
No workshop com os futuros artistas circenses, Jucelino passa vídeos, dá dicas de como saltar, de como cair e mostra o talento para as acrobacias. Dali podem sair também atletas do high diving, segundo o especialista no assunto:

- Os atletas da modalidade vêm dos saltos ornamentais ou de circo. Para formação de novos atletas, precisamos de lugares adequados de treinamento, de equipe de suporte técnico e médico, de mais incentivo, como o de Furnas comigo.

Justamente por falta de muitos recursos e para se aprimorar nos treinamentos, Jucelino não vai disputar todas as etapas do Circuito Mundial neste ano (serão nove no total). Entre um e outro campeonato de mergulho radical pelo mundo, como nas Filipinas, no dia 2 de abril, no qual buscará manter o título, ele tem passagem marcada para embarcar num cruzeiro. Em alto mar, fará apresentações circenses por seis meses a partir do dia 15 do próximo mês.

- Sem este lado artístico, não consigo me manter – lamenta o atleta, que segue competindo, ou melhor brincando nos penhascos mundo afora.

Quem é ele:
JUCELINO JUNIOR:
Atleta de high diving, conhecido no Brasil com saltos de penhasco. Hoje é a sexta modalidade da FINA no desporte aquático. Começou a competir em 2009 com Red Bull Cliff Diving no circuito mundial.
Nascimento: 17/08/1983
Peso: 64 kg
Altura: 1,71 m
Naturalidade: Belém (PA)
Principais feitos na carreira:
• 3º Lugar no Mundial Itália Lanzada 2010
• 5º Lugar no Circuito Mundial Red Bull Ciff Diving, na Colômbia
• 1º Lugar no Circuito Radical 2013
• 2º Lugar no Mergulho Radical 2014
• 1º lugar no Mergulho Radical 2015
• 11º lugar na Copa do Mundo Abu Dhabi 2016