Bruno Cassucci e Gabriel Carneiro
16/06/2016
07:40
São Paulo (SP)

Tite não terá um jogo de despedida no comando do Corinthians, que decidiu liberá-lo de vez à CBF e chamar o auxiliar Fabio Carille para os próximos compromissos – a começar pelo jogo desta quinta-feira, às 20h, contra o Fluminense, pela oitava rodada do Brasileirão.

Carille conduzirá o Timão até a escolha do novo treinador, mas a tendência é que a transição seja suave. A maior prova disso é que foi Tite quem comandou o treino tático da última quarta-feira, que definiu a escalação, mesmo depois de já ter topado o convite da Seleção Brasileira. Contra o Fluminense, por exemplo, o Timão manterá o esquema tático implantado pelo treinador no Campeonato Brasileiro, e que até agora alcançou quatro vitórias e apenas duas derrotas, com distância curta para a liderança da competição.

A pedido do LANCE!, Tite mostrou um pouco do legado que deixará ao Corinthians nesta saída. O novo técnico da Seleção fez um desenho do esquema tático, explicando o que espera. Com a bola, o Timão atua no 4-2-3-1, com Bruno Henrique avançado e os pontas fechando para auxiliar Guilherme na armação. Já sem a bola, no momento de defender, o esquema é o tradicional 4-4-2, com o camisa 10 auxiliando Luciano na ação ofensiva. Essa variação e principalmente a consciência tática fazem parte do “pacote Tite”, que agora é da CBF.

– São duas formações, uma com a bola e outra sem. Quando temos a posse, o Bruno tem liberdade para sair. Sem ela o Guilherme fica ao lado do Luciano – disse o técnico, que abandonou no início do Brasileirão o 4-1-4-1, utilizado desde a volta ao Timão.

O esquema e o modelo de jogo, o elenco praticamente montado para o segundo semestre e a manutenção de boa parte da comissão técnica são alguns dos legados de Tite no Corinthians. Mas não é só isso.

O treinador foi fundamental para o Cifut (Centro de Inteligência do Futebol do Corinthians) ter cada vez mais importância no clube. Também criou uma cultura de maior preocupação tática dos atletas e, indiretamente, ajudou até no caixa do clube, valorizando jogadores antes encostados, como Felipe.

Evidentemente, a saída dele também deixará seus problemas para o sucessor.

Sem Tite, a diretoria alvinegra perde um importante escudo para momentos de tensão, e a tendência é de menos diálogo entre os departamentos do clube: o treinador tem ótimo relacionamento com dirigentes e especialmente o presidente Roberto de Andrade, com quem já havia trabalhado em outra passagem pelo Parque São Jorge. A aceitação do elenco e a integração de departamentos, como o já mencionado Cifut, também será desafio ao sucessor de Tite.

Isso sem contar a pressão do futuro novo técnico alvinegro em substituir um dos maiores ídolos da história do Timão...

Nesta quinta, o Corinthians começa nova era.