Rodriguinho

Meio-campista contratado em 2013 assinou renovação recentemente até o fim de 2017 (Foto: Agência Corinthians)

Gabriel Carneiro
04/05/2016
08:00
São Paulo (SP)

No futebol, o caminho entre o topo do mundo e o fundo do poço é muito curto. Dias bons e ruins se alternam do início ao fim da carreira de qualquer atleta profissional. Há quem não se importe tanto com essas oscilações, mas também há quem jogue tudo para o alto durante os períodos de crise. Nesta quarta-feira, às 21h45, Rodriguinho será titular do Corinthians no jogo de volta das oitavas de final da Copa Libertadores, contra o Nacional (URU). É o topo, ou algo muito perto disso. Mas há pouco tempo, a realidade do camisa 26 do Timão era, sim, o fundo do poço.

Rodriguinho surgiu como alta aposta na base do ABC, um dos principais clubes do Estado onde nasceu, no Rio Grande do Norte. Subiu para os profissionais em 2007, era candidato a ídolo, mas naufragou. Rapidamente, do topo ao poço. A pressão da torcida e a falta de chances com alguns dos treinadores que passaram pelo ABC fizeram Rodriguinho desistir do futebol. Não pensar, cogitar, considerar a ideia... desistir mesmo! Em 14 de setembro de 2009, ele se reuniu com a diretoria e anunciou que desejava deixar o clube. Poucos dias depois, acertou com o ABC/UnP/Art & C e passou do campo ao futebol de salão. Outra vida.

– Eu não estava tendo tantas oportunidades quanto queria no futebol de campo, então fiquei meio desiludido. Foi um tempo difícil no futebol assim que comecei, aí pintou uma chance no futebol de salão, que eu gostava muito, e fui – lembra Rodriguinho, ao LANCE!.

Rodriguinho no futsal
Rodriguinho, com a 17, nos tempos de futsal (Foto: Reprodução)

Quase sete anos depois de deixar o futebol, Rodriguinho vive outro momento. Do poço ao topo. Primeiro o Bragantino, depois América-MG e enfim o Corinthians abriram as portas, além de passagens por Grêmio e Al Sharjah, dos Emirados Árabes. Agora, os planos são outros. Aos 28 anos, o meio-campista sonha em retribuir a confiança que fez Tite deixar Guilherme na reserva em nome de sua escalação. Rodado, o autor de três gols e três assistências em 15 jogos na temporada tem um sonho na carreira: ser ídolo do Corinthians.

Rodriguinho sabe a dificuldade. E sabe também que não será fácil conquistar a Fiel, que ainda tem um pé atrás com seu camisa 26.

– É muito difícil agradar todo mundo, ninguém consegue. Mas a gente se esforça para fazer o melhor. Ficaria muito feliz se eu pudesse entrar nessa galeria de ídolos, seria fantástico – torce o meia.

Enquanto Rodriguinho sonha, o Timão entra em campo para superar o 0 a 0 da ida e avançar às quartas de final da Libertadores. Quem sabe pinta um novo ídolo...

Leia o papo com o "candidato" a ídolo da Fiel.

Rodriguinho e Tite
Rodriguinho desbancou Guilherme (Foto: Agência Corinthians)

Qual a dimensão deste jogo contra o Nacional para você?
Para mim é um jogo especial, decisivo, em que a equipe está muito focada e tentando se preparar muito bem, porque sabe da importância que ele tem. Pode ser o mais importante do ano, mas a gente está confiante e espera que possa ter outros mais importantes que esse, pois se a gente passar vai ser um mais importante que o outro nas fases da Libertadores.

Recentemente você tirou a vaga do Guilherme no time. O que acha que fez para obter isso?
As boas atuações, né? Desde o começo do ano, a regularidade que eu venho mantendo, minha entrega em campo, conseguindo ajudar os meus companheiros fazendo gol e dando passe, estou adaptado ao esquema dele, porque ele joga com dois homens no meio que fazem praticamente a mesma função e me dou bem com o Elias, a gente alterna de uma maneira que dá dinâmica ao time. Estou ajudando a equipe, e isso me favorece. Espero poder manter as boas atuações e melhorar ainda mais.

O que representa para um jogador ser titular do Corinthians em um jogo decisivo, de Libertadores, em casa?
Muito feliz de poder estar vivendo esse momento, de jogar jogos tão importantes. Sempre quis viver isso aqui no Corinthians, porque o clube tem tradição de passar e viver grandes decisões. A gente espera poder ir além, sonho em poder jogar uma final aqui dentro, dar alegria. Já tenho noção de como é bom ser campeão aqui, vivemos o Brasileirão, mas agora estamos em busca da Libertadores. Estamos muito atentos para conseguir ter essa conquista, que seria muito importante para todo mundo. Ia ser perfeito para mim e para o clube.

Rodriguinho, do Corinthians
Rodriguinho foi capitão neste ano (Foto: Agência Corinthians)

E para quem há alguns meses nem estava no elenco...
As coisas mudam mesmo. Tive bons e maus momentos, e sempre aprendi e cresci com todos eles. Hoje estou vivendo um momento legal, mas nem sempre foi assim. Lembro que lá no começo aprendi que santo de casa não faz milagre, deixei o ABC, voltei ao futsal. Mas foi bom que consegui voltar para o campo e me sinto muito feliz.

Como é essa história?
Pois é, acabei migrando para o salão acho que em 2009, estava infeliz, aí comecei a jogar, me sentia bem, me sentia feliz. Logo acabou meu contrato com o ABC e aos poucos eu percebi que o futebol de salão é meio ingrato, infelizmente. Não atrai tanto público, não dá tanto dinheiro também, então em 2010 voltei, acertei com o Bragantino e as coisas começaram a melhorar. Hoje estou muito feliz com a minha escolha, feliz de poder jogar no campo, e principalmente de estar no Corinthians, com uma torcida tão grande e onde há tanta visibilidade.

'Quero gravar meu nome, quem sabe com essa Libertadores, jogando e atuando mais pelo Corinthians'

Uma vez, quando você estava no América-MG, disse que vivia um bom momento, mas seu sonho era ser ídolo em um grande clube. Pode acontecer no Corinthians?
Não que o América-MG não seja um grande clube, mas realmente o Corinthians é diferenciado, uma coisa fora do normal. Eu sonho sim com isso, não vou te falar que não. Para a minha carreira e a minha história seria importantíssimo ser lembrado por alguma coisa que fiz aqui. Meu nome já está um pouco na história pelo Campeonato Brasileiro de 2015, mas quero gravar mais ainda, quem sabe com essa Libertadores, jogando e atuando mais. Quando eu estava no América-MG realmente faltavam campeonatos importantes, como eu disputo agora, e brigar por títulos.

Um dos desafios será conquistar a torcida, que ainda tem um pé atrás com você... Como será?
A gente não pode se afetar, porque a parte psicológica é muito importante dentro de campo. Não se empolgar quando vêm os elogios e nem se abater quando vêm as críticas, que são normais. Temos que encarar com tranquilidade, paciência e trabalhar bastante para melhorar. Acredito que esse seja o caminho para alcançar isso.

Você tem sido um dos jogadores mais eficientes do ano, com participações em seis gols. É algo que você busca ou foi natural?
A gente fica feliz pelo trabalho, de poder estar ajudando. Eu jogo em uma função que tenho que deixar meus companheiros na cara do gol e fico feliz por estar fazendo bem, para poder ajudar mais ainda durante as competições, principalmente a Libertadores, para melhorar os números. Isso é uma coisa que a gente vem fazendo, mas não é algo que eu busque como se fosse uma coisa louca, vem naturalmente. E tem vindo bastante, então estou confiante.

Rodriguinho no futsal
Meia (à direita) passou quatro meses no futsal (Foto: Reprodução)

Então para quem busca idolatria e melhores números, este jogo das oitavas é fundamental...
Com certeza. É importantíssimo, para mim e para todos no Corinthians. Mas espero que venham mais jogos e estou confiante que a gente vá passar dessa fase, aí virão jogos maiores em busca do nosso objetivo de título.

O que você espera do Nacional, fora de casa, neste confronto?
Muita catimba, porque eles gostam de apelar de algumas formas para tentar desestabilizar nossa equipe. Jogos contra estrangeiros são assim, eles tentam tirar proveito dessa parte do brasileiro, que se irrita com algumas coisas. Precisamos fazer nossa parte aqui na Arena, porque assim que vamos conseguir. Mas é cuidado, porque eles têm jogadores rápidos na frente. Espero que a gente possa fazer com que esse jogo seja fácil, espero maturidade para uma decisão deste tamanho no torneio.