Bruno Cassucci
22/06/2016
07:55
São Paulo (SP)

Há 282 dias Rildo não atua em uma partida oficial. Desde 13 de setembro de 2015, o jogador teve três problemas clínicos diferentes, passou por duas cirurgias e fez inúmeras sessões de fisioterapia. Mas ele não quer olhar o passado. Com mais seis meses de contrato com o Corinthians, o atacante mira o futuro, espera a chance de voltar a jogar e sonha em mostrar trabalho e seguir no clube em 2017.

Plenamente recuperado de luxação no ombro e de fratura no pé esquerdo, ele foi relacionado para o duelo contra o Botafogo, domingo, e ficará na reserva do Timão esta noite, contra o Atlético-MG.

– Eu acredito no trabalho. Tenho seis meses para mostrar meu valor. Joguei 13 jogos ano passado pelo Corinthians. Se for ver os minutos, não deu nem três partidas completas. E mesmo assim consegui a minha oportunidade como titular. vou trabalhar firme e forte. Agora depende de mim, tenho certeza que vou ter oportunidade, cabe a mim aproveitá-la – afirmou, ao LANCE!.

O jogador, que diz não ter rancor de Edílson, responsável por machucá-lo em treino, tenta aproveitar a troca de comando da equipe e os vários desfalques que têm o novo técnico alvinegro, Cristóvão Borges. Na noite desta quarta, em Minas, serão nove baixas.

Ansioso pela volta aos campos, o camisa 31, de 27 anos, agradece ao apoio que recebeu da Fiel no período mais difícil da sua carreira.

– Quando saio na rua o pessoal fala para eu voltar logo e ajudar o Corinthians. Sou muito grato à torcida. Joguei 13 jogos, mas foram os mais felizes da minha vida. Independentemente de ser fora ou em casa, a torcida compareceu e incentivou. Quero agradecer e falar que vou voltar mais forte, melhor que antes. As dificuldades me deram incentivo!

Confira a entrevista exclusiva com Rildo:

Como você está se sentindo?

"Não vejo a hora de poder ajudar o Corinthians de novo"

Voltei a trabalhar com bola semana passada, estou apto a jogar. Não atuo há dez meses, mas sempre vou ao estádio ver as partidas. Não vejo a hora de poder ajudar o Corinthians de novo.

Qual foi o momento mais difícil nestes quase dez meses fora?
Foi o jogo contra o Joinville, pois tinha conseguido minha oportunidade como titular e em dois minutos e meio tudo aquilo foi por água abaixo. Mas nunca desisti, sempre trabalhei forte com o apoio dos companheiros e do Tite, que conversava comigo para eu ter fé... Foi difícil para mim, todo mundo viu que eu estava entrando bem nos jogos, mas quando virei titular, logo machuquei e tive que operar. Depois passei por mais cirurgias por conta da infecção (no ombro esquerdo), mas nunca desisti, trabalhei firme, não faltei nas sessões de fisioterapia, fazia dois períodos e às vezes até de domingo. Estou voltando, estou feliz.

"Cheguei em final de campeonato em todos os times que passei, mas nunca tinha ganhado título"

Houve algum momento feliz?
O momento mais bacana, mesmo não estando em campo, foi o jogo contra o Vasco, quando fomos campeões brasileiros. Cheguei em final de campeonato em todos os times que passei, mas nunca tinha ganhado título. Fui duas vezes vice com o Vitória, vice paulista com o Santos, vice da Sul-Americana com a Ponte, vice da A3 com a Ferroviária... Então o momento mais gratificante foi aquele dia em que fomos campeões brasileiros.

Tirou algum aprendizado desse período?
Todo mundo passa por momentos difíceis, e essas duas lesões foram consecutivas... Mas temos que tirar lições desses lados negativos e aprender a dar valor às mínimas coisas, como cada dia treinamento, cada hora no clube sem lesão. A gente tem que ver esse lado.

Você acha que foi só azar ou tem alguma outra explicação para os problemas?
O pessoal brinca que tenho que ir para Aparecida (no Santuário de Nossa Senhora), fala que é azar... Toda segunda-feira eu vou na igreja, na Comunidade da Graça, no Carrão. Acredito em Deus, faço minhas orações, e tenho fé que vou dar a volta por cima quando estiver à disposição.

Como foi sua rotina neste tempo sem jogar?
Quando a gente está treinando dificilmente trabalha em dois períodos. Na fisioterapia, não, são dois períodos todo dia, é bastante cansativo. Você chega 8h, sai quase meio-dia. Vai para casa, almoça, e 14h volta e fica até o fim da tarde. Você fica praticamente o dia todo no clube. Mas isso é para melhora. Graças a Deus estou bem, agora é esperar minha oportunidade.

"Tenho certeza que todo mundo terá a sua chance. Cabe a mim aproveitar quando tiver minha oportunidade."

Quando se machucou, você era titular. Acha que dá para retomar a vaga?
Tenho na cabeça que quero ficar à disposição do Cristóvão. Tem jogadores de qualidade, a concorrência é grande, mas o Corinthians só tem a ganhar. Tenho certeza que todo mundo terá a sua chance. Cabe a mim aproveitar quando tiver minha oportunidade.

Ficou com alguma mágoa do Edílson, que te machucou?
O Edílson é parceiro, não teve maldade, aquilo acontece. Todos estamos sujeitos. Infelizmente em 2014 eu tive uma dividida com o Vanderlei, goleiro do Santos, e acabei o machucando. Todo mundo conhece o meu caráter e sabe que não fiz isso na maldade, até fui no hospital visitá-lo. Isso é do futebol. Como machuquei o Vanderlei, o Edílson me machucou. Ele me ligou, pediu desculpa. Confio no caráter dele, sei que não foi na maldade.

Acha que o Corinthians é favorito ao título brasileiro?
Acho que o Corinthians briga por título em todos os campeonatos que entra. Estamos no G4, mas temos jogos muito difíceis. Saíram jogadores de qualidade, chegaram outros... Estamos trabalhando com humildade, mas tenho certeza que, com pés nos chão, temos tudo para chegar no final e sermos campeões de novo.