Bruno Cassucci e Gabriel Carneiro
28/11/2016
20:16
São Paulo (SP)

O presidente Roberto de Andrade e a diretoria de futebol do Corinthians foram formalmente notificados pela Comissão de Ética e Disciplina do clube na última sexta-feira a respeito do pedido de impeachment elaborado por conselheiros do clube contra o mandatário. Assim, o prazo para apresentação de defesa teve início nesta segunda-feira e segue durante dez dias. Depois disso, a comissão se reunirá para elaborar um parecer dizendo se é a favor ou contra a destituição.

Nos últimos dias, já consciente da entrega do pedido de impedimento de um grupo de conselheiros, o presidente começou a elaboração da defesa. O requerimento tem como base assinaturas supostamente fraudulentas do presidente alvinegro em contratos da Arena. Segundo reportagem da revista Época, Roberto teria avalizado contratos com datas anteriores à de sua posse como presidente do Corinthians. São dois casos: no primeiro, ele rubricou uma lista de presença de assembleia geral de cotistas do estádio que ocorreu dois dias antes de ele ser eleito. No outro, o nome do cartola apareceu em contrato do estacionamento da arena com a Omni, firmado 27 dias antes do pleito.

A defesa de Roberto de Andrade tem afirmado nos bastidores que tem como comprovar que os dois documentos foram assinados posteriormente à sua data de posse. Embora os contratos sejam anteriores à assunção de Andrade ao cargo de presidente, só foram levados à aprovação após o início do mandato. Além disso, a ideia da defesa será mostrar que não houve má fé ou mesmo dolo no caso das assinaturas. 

Em dez dias, Roberto de Andrade apresentará as provas que podem livrá-lo da acusação de fraude e então a Comissão de Ética se reúne para elaborar o parecer. Na sequência, o Conselho Deliberativo corintiano votará este parecer. Caso a saída de Roberto de Andrade seja aprovada, ele é afastado temporariamente, mas é preciso que os associados do clube, em uma Assembleia Geral, ratifiquem a decisão. Se isso ocorrer, uma nova eleição ocorrerá em até 30 dias.

Contudo, não há consenso sobre como este pleito deve ser realizado. No clube, há quem defenda que a eleição seja feita com voto dos associados, como ocorre a cada três anos. Outra ala, contudo, é favorável a votação indireta, realizada dentro do Conselho Deliberativo.

Os que defendem a saída de Roberto de Andrade se apegam ao artigo 104 do estatuto do clube, que afirma que o presidente pode ser destituído caso tenha "acarretado, por ação ou omissão, prejuízo considerável ao patrimônio ou à imagem do Corinthians".

Se o presidente for afastado, quem assumirá o cargo temporariamente é André Luiz Oliveira, vice-presidente que foi alvo de condução coercitiva na operação Lava Jato. O nome e o endereço dele aparaceram em uma planilha da construtora Odebrecht com uma anotação para pagamento de R$ 500 mil.