Léo Saueia
16/11/2015
08:00
São Paulo (SP)

Apesar de a temporada do futebol brasileiro estar praticamente no fim, o futsal para atletas com Síndrome de Down está apenas começando. No próximo dia 20, será realizado o primeiro torneio paulista da modalidade.

O ambicioso projeto de organizar um Campeonato Brasileiro com 12 equipes do país afora foi adiado por conta da crise que assola o país e restringe a verba fornecida pelo governo estadual. Mas nada que tire a força de vontade de Cleiton Monteiro, coordenador técnico da Abdem (Associação de Desportos para Deficientes Intelectuais). Contando com quatro clubes de São Paulo que abraçaram a causa (Corinthians, Santos, Portuguesa e Juventus), será realizado um quadrangular no Juventus. 

"O segmento Down está crescendo muito no mundo", diz Cleiton

Quem pensa que haverá clima apenas de festa para divulgar o esporte para portadores de Síndrome de Down está enganado. O campeonato servirá de laboratório para Cleiton convocar a Seleção Brasileira de Futsal Down, que visa a disputa dos Jogos Olímpicos da modalidade na Itália, no ano que vem.

Segundo Cleiton, que além de coordenador da Abdem é treinador do Corinthians e da Seleção Brasileira, a principal dificuldade para a divulgação do esporte para atletas especiais é a falta de verba.

Futsal para portadores de Síndrome de Down (Foto:Eduardo Viana/LANCE!Press)
Caio comemora gol em treino da Portuguesa, no Centro Olímpico (Foto:Eduardo Viana/LANCE!Press)


– Dificuldade financeira é enorme. Protocolamos um projeto na Secretaria de Esportes para criar o Campeonato Brasileiro e não tive resposta a tempo para disputar já agora. Aí tive a ideia de agregar os clubes parceiros para fazer um quadrangular para poder fomentar o esporte Down no Brasil – disse o multitarefas Cleiton, ao LANCE!.

Apesar da necessidade que a síndrome exige na hora de abordar determinadas situações, o treinamento no futebol é dado da mesma maneira a um atleta profissional.

– No nosso caso de Síndrome de Down não há diferença, são regras oficiais. Claro que o entendimento deles (atletas) não é da maneira de um profissional, mas todos os treinamentos são feitos de maneira profissional. Eles se cobram entre si e querem ganhar – explicou.

Conhece aquela frase de que ‘‘não importa o resultado, o que vale é competir?’’ Que nada!

Confira um bate-bola com Cleiton Monteiro, coordenador da Abdem:

​Como a Abdem se mantém?
A Abdem recebe recurso do Comitê Paralímpico para manutenção da entidade e pagamento de alguns funcionários. Fora isso, ela tem que correr atrás dos projetos para fazer as competições. Este ano infelizmente por causa da crise não realizamos nenhum evento ainda. Por envolver imagem de clubes, mídia, a gente acredita que o governador libere a realização do Brasileiro. Paralelamente, a gente vai fazer o primeiro campeonato paulista agora no dia 20.

Com o que a instituição lida?
A Abdem, como confederação, trabalha não só por deficiente intelectual competitivo como para Síndrome de Down também. E no mundo o segmento Down está crescendo muito, e no Brasil não poderia ser diferente.

Como manter viagens e torneios sem recurso?
A gente não tem patrocínio, muitas vezes os próprios pais dos atletas que ajudam a bancar os custos de viagem, hospedagem, material... Então fica um pouco complicado.