Corinthians x Cruzeiro (Foto:Eduardo Viana/LANCE!Press)

Torcida do Corinthians teve comportamento criticado por volante Elias na segunda (Foto:Eduardo Viana/LANCE!Press)

LANCE!
10/08/2016
14:10
São Paulo (SP)

Dois dias após o volante Elias protestar contra as vaias da torcida do Corinthians ao empate em 1 a 1 com o Cruzeiro, no Pacaembu, a principal organizada do clube emitiu um comunicado oficial condenando uma frase utilizada pelo jogador, mas demonstrando concordância com o posicionamento, ou seja, admitindo a falta de apoio de parte das arquibancadas durante os jogos do Timão. O questionamento da Gaviões da Fiel é sobre o trecho do discurso em que Elias compara a torcida do Corinthians à do São Paulo, que "só critica o time a todo momento".

"Nossa diretoria rechaça toda e qualquer comparação - tenha ela o intuito que for - com qualquer torcida que seja. Comparar-nos é um desrespeito para com a única torcida publicamente reconhecida por uma fidelidade inigualável.
E, nesse sentido, o jogador Elias errou feio. Não aceitamos o que foi dito de jeito nenhum", escreveu a torcida organizada, antes de abrir o parágrafo seguinte dizendo que "em compensação, estamos de acordo com o restante do discurso".

Antes de deixar o Corinthians para assumir a Seleção Brasileira, o técnico Tite disse que a torcida estava mais impaciente neste ano do que em momentos anteriores com a equipe. Substituto do treinador, Cristóvão Borges fez o mesmo diagnóstico em menos de dois meses de trabalho pelo clube, e encarou a ira da Fiel no empate de segunda-feira, terceiro jogo consecutivo do Timão como mandante sem vitória. O treinador foi chamado de "burro", e logo depois defendido por diversos jogadores.

Segundo a nota oficial, a organizada concorda com a queixa dos jogadores sobre as vaias durante o jogo serem prejudiciais ao time, e ainda chamou a atitude de "frutos malditos" do "futebol moderno".

"Nós, dos Gaviões da Fiel, que tanto lutamos pelas festas populares e apaixonadas nos estádios, lamentamos que, ano após ano, dirigentes, emissoras e federações estejam mercantilizando nossa paixão e criando uma espécie de neo-torcida. Nunca fomos adeptos das vaias e críticas durante o jogo, pois consideramos que o papel fundamental e indispensável da nossa torcida é apoiar e incentivar o Corinthians", cita a organizada, antes de completar com o seguinte: "Sendo assim, respeitamos a insatisfação de todos, mas acreditamos que a postura de parte da torcida Corinthiana nos últimos jogos colocam à prova o título de Fiel que sempre tivemos como indiscutível.
Não há fidelidade parcial. Apoiamos incondicionalmente. Jamais optaremos por não apoiar".

VEJA A ÍNTEGRA DA NOTA OFICIAL PUBLICADA PELA GAVIÕES DA FIEL:
"Em 1969, jovens amigos idealizaram o que viria a ser a maior torcida organizada do País e decidiram reforçar no nome da entidade a fama que há tempos a torcida já havia conquistado: a de ser Fiel.
Desde então, os Gaviões levam a sério tal fidelidade, tendo não apenas como um orgulho, mas acima de tudo como um compromisso. Onde quer que o Corinthians jogue, fazemo-nos presentes, até mesmo quando tentam nos proibir e/ou censurar (vide jogos recentes).
Tendo esse princípio em mente, nossa diretoria rechaça toda e qualquer comparação - tenha ela o intuito que for - com qualquer torcida que seja. Comparar-nos é um desrespeito para com a única torcida publicamente reconhecida por uma fidelidade inigualável.
E, nesse sentido, o jogador Elias errou feio. Não aceitamos o que foi dito de jeito nenhum!
Em compensação, estamos de acordo com o restante do discurso.
Nós, dos Gaviões da Fiel, que tanto lutamos pelas festas populares e apaixonadas nos estádios, lamentamos que, ano após ano, dirigentes, emissoras e federações estejam mercantilizando nossa paixão e criando uma espécie de neo-torcida.
Nunca fomos adeptos das vaias e críticas durante o jogo, pois consideramos que o papel fundamental e indispensável da nossa torcida é apoiar e incentivar o Corinthians. Dentro da nossa fidelidade pública, sempre houve a unânime opinião de que nossa torcida era capaz de ganhar jogos com a forma que inflamamos os jogadores dentro do campo.
Em relação a isso, a ordem natural das coisas sempre foi (e deveria continuar sendo) uma só: quem está dentro de campo, se inflama por quem está fora. Jamais o contrário, como vem acontecendo nos últimos anos.
Sabemos da importância da cobrança e temos vasto histórico como órgão fiscalizador e uma força independente, seja para os assuntos futebolísticos ou administrativos. Sendo assim, respeitamos a insatisfação de todos, mas acreditamos que a postura de parte da torcida Corinthiana nos últimos jogos colocam à prova o título de Fiel que sempre tivemos como indiscutível.
Não há fidelidade parcial. Apoiamos incondicionalmente. Jamais optaremos por não apoiar.
Durante os 90 minutos de partida, os Gaviões da Fiel continuarão - como sempre - cantando, apoiando, incentivando e fazendo de tudo para que dentro de campo os jogadores ouçam nosso apelo, se motivem e joguem por nós. Com nós.
Em contrapartida, no extra campo, persistiremos na luta contra a modernização do futebol, processo este que culmina não apenas no afastamento do povo preto e pobre das arquibancadas, como em novos padrões e preceitos de jogadores, administradores e até mesmo torcedores, como os que infelizmente hoje motivam esta nota.
Como sempre, reforçamos: somos absolutamente contrários ao futebol moderno e todos seus frutos malditos".