Caio Emerson

Atacante havia feito  seis gols no Paulistão sub-17 do ano passado, quando o Timão caiu na semi (Foto: Reprodução)

Gabriel Carneiro
12/05/2016
07:25
São Paulo (SP)

Caio Emerson Pereira Marques da Silva voltou a Sete Lagoas (MG), cidade onde nasceu há 17 anos, e marcou três vezes na vitória do Corinthians diante do Cruzeiro por 5 a 3, no jogo de ida das semifinais da Copa do Brasil sub-17. Com o "hat trick" no compromisso decisivo, o camisa 7 do time juvenil do Timão chegou a seis marcados e à vice-artilharia da competição. Badalado pelo bom desempenho no torneio mais importante de sua categoria, Caio Emerson é tratado como alta aposta no Corinthians, assim como Fabricio Oya, seu companheiro de time. A questão é que, enquanto Oya já tem vínculo profissional com o Timão até setembro de 2018, o goleador ainda não assinou o primeiro contrato formal com o clube do Parque São Jorge.

Aos 17 anos, o garoto está no Corinthians desde 2013, mas seu único vínculo com a equipe é de formação, com validade até 26 de fevereiro do ano que vem. Dos titulares na semifinal da Copa do Brasil sub-17, o garoto é um dos únicos quatro que ainda não possui contrato profissional segundo registros da Federação Paulista de Futebol (FPF).

A ocorrência de ter um jogador badalado sem contrato profissional ocorre justamente em um momento de evidência das categorias inferiores do Corinthians. Nas últimas semanas, a base foi pivô de um importante racha político no clube e ainda tem sido alvo de constantes debates a respeito das situações de profissionais. O empresário norte-americano Helmut Niki alega ter pago 110 mil dólares (cerca de R$ 390 mil) por 20% dos direitos econômicos de um jogador da base do Corinthians que nunca recebeu e também uma carta de procuração sem validade. 

Niki conduziu a negociação para comprar 20% dos direitos do garoto Alyson Motta, de 16 anos, com Fábio Barrozo, ex-gerente das categorias de base do clube, que deixou o cargo no último mês, e o conselheiro Manoel Ramos Evangelista, conhecido como Mané da Carne, conselheiro vitalício e ex-assessor da presidência durante a gestão de Andrés Sanchez (entre 2007 e 2011). O empresário procurou o Corinthians alegando ter sido passado para trás pela dupla, que teria ficado com o seu dinheiro. O imbróglio faz com que Alyson não tenha contrato profissional com o clube até hoje.

O Corinthians abriu sindicância interna para apurar as denúncias, e até José Onofre de Souza Almeida, que ocupa a chefia do departamento de base desde a posse de Roberto de Andrade, em 2015, corre risco de perder o cargo. Enquanto nada se resolve, o clube segue enfrentando os desafios diários da montagem de suas categorias de base, com contratos, resultados e em meio à construção de seu novo centro de treinamento para as divisões inferiores.

No sub-17, o Corinthians está fazendo bonito. Tirou Luverdense, Coritiba e Chapecoense antes de chegar às semifinais da Copa do Brasil da categoria. Na abertura da fase, contra o Cruzeiro, a goleada por 5 a 3 fora de casa abriu o caminho para a classificação, que será decidida em Limeira na próxima quarta-feira. O Timãozinho tem 16 gols marcados e nove sofridos até o momento. Dos 16 gols, seis são de Caio Emerson.