Manoel Evangelista, o Mané da Carne, ao lado de Andrés Sanchez (Foto: Reprodução/Facebook)

Manoel Evangelista, o Mané da Carne, ao lado de Andrés Sanchez (Foto: Edson Y. Miyashiro/Zizao)

Bruno Cassucci
06/05/2016
06:20
São Paulo (SP)

Manoel Ramos Evangelista é figura influente nos bastidores do Corinthians e popular no Parque São Jorge. Contudo, Mané da Carne, como é chamado o conselheiro vitalício do clube, só viria a se tornar conhecido de boa parte da Fiel torcida e de torcedores de outras equipes nos últimos dias, quando foi alvo de denúncias do empresário Helmut Niki Apaza.

Apontado como um dos recebedores de 60 mil dólares pela venda de 20% dos direitos econômicos do jovem Alyson Motta, então com 15 anos, Mané da Carne afirma "não entender nada do que está acontecendo" e nega qualquer ato ilegal. O conselheiro se diz indignado por ter de provar sua inocência e dispara críticas a alguns dos envolvidos no caso e também ao vice-presidente corintiano Jorge Kalil (veja mais abaixo).

Em entrevista ao LANCE!, Evangelista declarou que as acusações contra ele são falsas, afirmou ter recebido apoio de muitas pessoas do Corinthians nos últimos dias e revelou que cogita se afastar do Timão após 52 anos (ele está com 70).

- Mesmo sendo vítima, tendo que provar minha inocência no Comitê de Ética do Conselho do clube, vou esclarecer tudo. Depois, acho que vou renunciar. Penso em entregar minha carteira de conselheiro vitalício e ir viajar, aproveitar os meus netos. Tenho filho economista, médica, dentista e a caçula será publicitária. Tudo o que quero agora é curtir minha vida - comentou Evangelista, dono de açougue, motivo que originou o seu apelido.

Questionado sobre o porquê da decisão de deixar o Corinthians, já que alega ser inocente, ele justificou-se:

- É muita desonestidade, muita sujeira junto. Lá é uma podridão! Com exceção de algumas pessoas, você não pode confiar em ninguém - disse, referindo-se a membros do Conselho.

Padrinho do ex-presidente Andrés Sanchez no Corinthians e hoje assessor parlamentar do deputado federal pelo PT-SP, Mané da Carne admite conhecer o jovem Alyson e a família dele. Influente na base do Timão, onde trabalhou por anos, ele indicou o atacante ao clube e diz ter sido chamado algumas vezes por dirigentes da base para ajudar a conversar com o garoto, a quem chama de "rebelde". Ele também reconhece que participou de negociações para a assinatura do primeiro contrato profissional do atleta, mas nada relacionado a divisão direitos econômicos segundo ele.

- Estou chateado, aborrecido, pois ajudei muito o Alyson e a família dele e agora acontece isso. Também ajudei o Julio (Cesar Polizeli) ex-empresário do menino, que é um cara que não presta. É nessa hora que a gente vê os amigos - destacou o conselheiro.

- Se o Julio ou o Fábio (Barrozo, ex-gerente da base) recebeu dinheiro? Não sei. Eu não levei nada - completou.

O conselheiro também disse ter se encontrado três vezes com o empresário Helmut Niki. A primeira teria sido em uma padaria, na qual o agente ofereceu jogadores que atuavam na Venezuela, e ele teria dito que não tratava de assuntos relacionados ao futebol profissional. A segunda teria sido no CT Joaquim Grava, quando Mané afirma que apresentou a estrutura do Timão ao norte-americano. A última, segundo o relato, foi durante a disputa da última Florida Cup, em janeiro.

- Fui para a Disney com dinheiro do meu bolso, como faço em todas as viagens que vou do Corinthians. Ele me convidou para um jantar, só fui porque ele estava me perturbando, eu queria ficar com minha família. O Niki disse que gostava muito de mim, me chamou para ir a Cabo Canaveral com ele, mas eu recusei. Foi só isso, nunca falamos do Alyson - argumenta.

Manoel Evangelista terá de prestar esclarecimentos na sindicância interna do Corinthians. Caso seja julgado culpado, ele pode até mesmo ser expulso do Conselho e do quadro associativo do Timão.

CONFUSÃO COM O VICE

Na entrevista ao LANCE!, Mané da Carne reforçou o forte laço que tem com Andrés Sanchez e o atual vice-presidente do clube, André Luiz Oliveira, o André Negão, mas disparou contra outro membro da cúpula alvinegra, o vice Jorge Kalil.

O conselheiro teve um forte desentendimento com Kalil, que quase culminou em troca de agressões físicas no mês passado. O episódio aconteceu na Colômbia, na véspera do jogo entre Corinthians e Santa Fé, pela Libertadores. Durante um jantar, Jorge Kalil tirou uma foto com as pessoas que estavam na mesa e compartilhou em redes sociais. Mané não gostou, pois achou que a repercussão poderia ser ruim, ainda mais em caso de derrota da equipe no dia seguinte, e repreendeu o vice. Foi então que a confusão começou:

- Ele ficou p..., começou a apontar o dedo, gritar comigo. Aí falei umas verdades, disse que quem o colocou como vice fui eu, pois ninguém queria ele. Ele perguntou: "Não tenho capacidade? Sou um médico conceituado". Aí falei que não discuto capacidade, mas ninguém gosta dele lá. Quem o colocou como vice foi o Andrés a pedido meu - conta o conselheiro.

A briga prosseguiu e Kalil teria chamado Mané da Carne de ladrão segundo relatos. Também houve gritaria e troca de insultos e palavrões.

- Ele é muito boleirão. O Kalil fica do lado dos jogadores quando eles estão aquecendo, quer ir em vestiário, outro dia até preleção do Tite assistiu. O que me deixa nervoso é isso - desabafou.

O LANCE! tentou contato com o vice-presidente do Timão, mas ele disse estar em atendimento médico e não poder falar. Depois, o dirigente não atendeu os contatos da reportagem.