Guilherme Amaro
06/10/2017
06:00
São Paulo (SP)

Guilherme Arana não esperava por uma temporada tão boa. Aos 20 anos, o lateral-esquerdo assumiu a titularidade do Corinthians após a saída de Uendel, conquistou o Paulistão e está perto de faturar o Brasileirão. Não é à toa que ele diz que 2017 ficará marcado...

- Esse é um ano que vai ficar marcado. "Sé louco", nem eu esperava por isso. As coisas aconteceram muito rápido! (sic) - afirmou o lateral, em entrevista exclusiva ao LANCE!.

Arana sabe que é boa a vantagem de oito pontos do Corinthians na liderança do Brasileirão. A apenas 12 jogos para o fim do campeonato, porém, o lateral ainda vê a disputa aberta. Ao ser questionado se dá para o Timão perder esse título, ele pensou por quase cinco segundos antes de responder:

- Dá, mas não podemos deixar. Campeonato Brasileiro você tem que ficar ligado a todo momento - alertou Arana.

- Temos de manter a seriedade, porque só faltam 12 jogos, então temos de dar a vida a cada rodada. Temos a vantagem, é claro, mas não podemos abaixar a guarda. Tem que trabalhar para ser coroado com o título - completou.

O lateral admite que o Corinthians está devendo neste momento do Brasileirão. Após fazer o melhor primeiro turno da história, terminando invicto, o Timão sofreu três derrotas nos sete jogos do returno até agora. Arana ainda busca entender o motivo dessa queda da equipe.

- Acho que foi aquela parada (duas semanas entre os jogos contra Sport e Vitória, porque o duelo com a Chape havia sido adiado). Estávamos vindo em uma sequência muito boa, e depois teve a parada. Acho que acomodou um pouco, não sei. Perdemos uma (para o Vitória), e é normal sentir um pouco. Mas somos profissionais e temos de ter a consciência de que precisamos melhorar o futebol do segundo turno - analisou.


Nesta entrevista ao LANCE!, Arana também comentou sobre o sonho de jogar na Europa e disputar uma Copa do Mundo, disse que tem dado dicas a Marciel e revelou que prefere quando os jogos acontecem em sequência, ao contrário da maioria dos atletas e treinadores. Confira abaixo:

Como vê essa queda do Corinthians no segundo turno?
Para falar a verdade, isso era o que todos esperavam da gente no começo do ano. Ninguém botava fé, mas daí fizemos um primeiro turno espetacular. Claro que caímos agora, mas ainda bem que não foi só nosso time, todos estão oscilando. Temos que manter o foco, sabemos que temos que melhorar em alguns aspectos. Só faltam 12 jogos, e cada jogo é uma decisão. Vamos tentar retomar aqueles jogos do primeiro turno, porque só depende de nós.

Um dos motivos citados pela queda foi a pausa entre os jogos. Não é bom ter mais tempo para treinar e descansar?
É bom, sim. Mas acho que se fosse direto, seria bem melhor. Tudo em uma sequência só.

Mesmo sem ter tido férias por conta do Sul-Americano Sub-20 no começo do ano?
Eu tive oito dias de férias, muito pouco, até sinto essa parte, mas o ambiente aqui é bom, é melhor já concentrar com os companheiros, ir numa sequência direto.

Mas não é chato concentrar?
Às vezes enche o saco, mas é necessário. Nos alimentamos direito e dormimos no horário certo. A estrutura é muito boa aqui, então acho bem melhor ficar e recuperar as forças. Quando tinha jogo direto, às vezes a gente nem ia para casa, ficava aqui recuperando e estudando o outro time. Eu preferia, era bem melhor. Essa parada acho que influenciou bastante.

O Marciel, que é seu amigo, tem jogado de lateral-esquerdo. Você dá dicas para ele ou há rivalidade pela posição?
Quando eu estava na Seleção Sub-20 e o lá na Flórida Cup, ele já estava jogando de lateral. Quando ele está jogando, eu falo o que dá para melhorar. E ele também faz isso comigo. Somos amigos. Um aconselha o outro, não temos essa vaidade. Com o próprio Moisés também. Quando o Uendel e o Fábio Santos estavam aqui, eu era o terceiro lateral, e eles passavam bastante coisa para mim. Acho que é assim que tem que ser mesmo.

Você já admitiu que pensa em jogar na Europa um dia. Em caso de título brasileiro, acha que pode ser a hora ideal para ir?
Esses assuntos eu deixo para minha mãe e meus empresários. Tenho que estar feliz, e aqui no Corinthians estou feliz. Deixo também nas mãos de Deus. Fico bem tranquilo, só procuro focar dentro de campo para ajudar minha equipe.

E em relação à Seleção? Você disse recentemente que sonhava até com a Copa de 2018. Acha que ainda dá?
É difícil, mas não impossível. Todo jogador tem esse pensamento, sonha alto, quer disputar uma Copa do Mundo. O meu sonho é esse também, e vou em busca. Tenho 20 anos, com muito a aprender e a conquistar. Tenho que manter a cabeça boa.