icons.title signature.placeholder Bruno Cassucci, Felipe Bolguese e Rodrigo Vessoni
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25/08/2015
06:15

Roberto de Andrade guarda semelhanças com os presidentes que o antecederam no Corinthians. Tem o lado pouco polido de Andrés Sanchez, evidenciado em respostas ríspidas e em alguns palavrões que lhe escapam, e o estilo pés no chão de Mário Gobbi, que aparece quando ele evita fazer promessas que não poderá cumprir ou admite problemas e dificuldades do clube. No entanto, o mandatário alvinegro detesta qualquer paralelo de sua gestão com as dos outros, membros de seu mesmo grupo político.

– Para de me comparar com os outros, pô, eu sou o Roberto! – bradou, ao interromper pergunta que citava uma frase de Gobbi.

A seu estilo, o ex-vice-presidente e diretor de futebol do Timão recebeu a reportagem do LANCE! em sua sala no Parque São Jorge na última semana. Já passava das 17h e Roberto se queixava de ainda não ter almoçado por conta dos inúmeros compromissos. Antes da entrevista, pegou alguns pedaços de frios, abriu um refrigerante, ofereceu outros aos presentes, e logo esclareceu que a correria rotineira não o incomoda:

– Estou aqui porque quero, ninguém colocou um revólver na minha cabeça ou uma faca no meu peito, entendeu? Faço tudo com prazer!

Com prazer, Roberto, que está no cargo desde fevereiro, falou da boa fase da equipe, primeira do Brasileirão, comentou algumas de suas realizações e contou projetos para o futuro. Já sem tanta satisfação, ele disparou contra quem insinua conspiração da arbitragem a favor do Corinthians. Para ele, comentários como os de Eduardo Maluf, diretor de futebol do Atlético-MG, e Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético-PR, que recentemente afirmaram que o Timão estava sendo beneficiado pelo apito, tem explicação: a liderança corintiana incomoda.



Em quase uma hora de entrevista, o cartola, que deixou sua concessionária de carros um pouco de lado para se dedicar ao Corinthians, também disse que estar no G4 é obrigação do time, afirmou que a Fiel ficou um pouco "mal acostumada" com os títulos recentes e declarou que não há necessidade financeira de vender jogadores agora. Confira abaixo:

O Corinthians surpreendeu a muitos após um período rápido de crise e hoje é líder do BR-15 com quatro pontos de vantagem. Isso acaba por até aumentar a pressão e a cobrança pelo título?
Não é que aumenta, você fica mais aguçado para chegar ao título, óbvio, normal. Todas as pessoas que estão no futebol começam a enxergar até onde seu braço alcança. Quem está em décimo não dá para falar de campeonato, mas quem está em primeiro ou segundo, pode. Não só o Corinthians, tem cinco, seis clubes lá em cima que têm a real possibilidade.

O clube acabou se acostumando a disputar títulos recentemente...
O torcedor também ficou, entre aspas, mal acostumado. Todos aqui trabalhamos para ter um grupo forte e ganhar tudo todo ano. Impossível? Sim, mas ganhamos muito.

Terminar o ano sem um título seria algo aceitável?
Por que não? Acho normal, nós não temos a obrigação de ganhar título todo ano. Queremos? Sim, todo dia. Mas não obrigação. Temos elenco forte, mas e se alguém tiver um elenco mais forte e melhor? A competição é com os outros, não conosco.

O clube acaba pagando por ganhar tudo nos últimos anos?
A palavra certa não é pagar, pois é uma satisfação. Só que ninguém aceita mais um deslize, por menor que seja. Ninguém tem mais paciência como tinha. O Corinthians ficou 20 e poucos anos sem título e a torcida só crescia. Será que se isso acontecer hoje – Deus queira que não – a torcida vai crescer ou só encolher? Que hoje ficou mais exigente, não tenho dúvida! Mas tá bom, isso não é ruim, até porque estamos aqui para fazer o futebol glorioso, nosso objetivo é ganhar.

Você diz que o título não é obrigação, mas e o G4? É diferente, até pelas receitas direitas e indiretas que gera?
Obrigação é estar na cabeça do Brasileiro. Campeão, vice-campeão, terceiro lugar... O Corinthians não pode ficar fora dessas posições. Isso leva à Libertadores, então é.

E os comentários sobre um suposto favorecimento da arbitragem ao Corinthians? O Petraglia detonou...
[Interrompe] Você está vendo por que não existe união dos clubes? É por isso que não existe, ninguém respeita ninguém. Aí pergunto para você: o Flamengo jogou domingo passado contra o Palmeiras e foi prejudicado aos olhos de muita gente. O que o Corinthians tem a ver com isso? Onde eu ganhei alguma coisa? Fala-se muito porque o Corinthians chegou na liderança. Se estivéssemos em sexto, décimo, ninguém iria se preocupar. O que incomoda a todos é o Corinthians estar na liderança. Mas isso é falta de respeito com os atletas, comissão técnica, diretoria do clube. Não chegamos à liderança ajudados, temos a melhor defesa, perseguimos isso há tempos. Erro de arbitragem? Sempre existiu, existe e existirá, não vai mudar, é um ser humano, que decide numa fração de segundo e às vezes tem a visão encoberta. Se a gente achar que tudo é má fé, acabou o futebol.

Recentemente um árbitro paulista apitou um jogo do time. Isso poderia ser evitado, não?
Acho isso uma grande bobagem. O fato de a pessoa trabalhar na Federação Paulista ou Mineira não o faz ser mineiro ou paulistano, ele pode nascer em outro estado e ser torcedor de outro clube. É uma acusação sem fundamento. Para mim é choro, mi-mi-mi, procuram pelo em ovo.

Pode ter um efeito reverso e o clube ser prejudicado por isso?
Espero que não, é um absurdo falar isso. O Corinthians é ajudado em quê?

Por que o clube ficou em silêncio e também não se manifestou?
Erro acontece. Eu já reclamei e vou reclamar de juiz. Isso até ajuda a Comissão de Arbitragem a tomar uma atitude, mostrar que aquilo não está funcionando a contento, tem que fazer algo a melhorar. É normal. Mas falar que o juiz fez algo para ajudar time A ou B é ser leviano, não há prova.



A janela de transferências da Europa fecha dia 31. Ainda há o risco de sair algum jogador?
Não chegou proposta. No futuro, não sei. Até dia 31 pode chegar qualquer coisa aqui. Mas você pode abrir todas as minhas gavetas e não vai achar proposta por ninguém aqui.

E o Felipe? Você diz que não chegou oferta, mas sabe que há interesse da Udinese, não?
A Udinese tem que mandar algum papel, não tem? Como vai fazer, sinal de fumaça? E-mail, ok. Mas cadê o e-mail? Não chegou nada.

Mas se chegar oferta, venderá? Há necessidade financeira?
Não por necessidade financeira. O que mais eu respeito aqui é a vontade do atleta, primeiro pergunto se ele quer sair. Feita essa pergunta e ele dizendo que sim, vamos tratar da parte comercial. Aí vamos estudar, tem que ser interessante para o clube também, senão não adianta de nada.

O Andrés sugeriu um boicote à Libertadores. Você concorda?
Temos que nos unir e fazer alguma coisa para que isso se reverta, pois de fato é uma vergonha uma competição do padrão que é e por levar ao Mundial, a Libertadores ter a rentabilidade baixíssima. Se compararmos com a Champions League, meu Deus do céu, os valores são infinitamente inferiores.

E a liga de clubes no Brasil?
Acho que isso não vai existir. A CBF já deu outro passo no sentido de criar uma comissão dos clubes. Isso já é um avanço. Temos de esperar.

As frequentes declarações polêmicas do Andrés não geram mal estar? Isso também não representa ingerência dele?
É a opinião dele, o que tem de errado? Quantas pessoas do clube dão opinião? Não tem problema, a gente conversa muito. Vocês gostam de falar que o Andrés manda, e o presidente, não. É aí que querem chegar. Falar todo mundo pode falar, ele é superintendente de futebol e conselheiro. Não preciso concordar, ele não fala em nome do presidente.

Qual legado você pretende deixar até o fim do mandato?
Um Corinthians melhor, só isso que quero. Preparar para quem vier depois pegar um clube mais tranquilo. Queremos o Corinthians avançando, crescendo. É minha maior vontade!

Roberto de Andrade guarda semelhanças com os presidentes que o antecederam no Corinthians. Tem o lado pouco polido de Andrés Sanchez, evidenciado em respostas ríspidas e em alguns palavrões que lhe escapam, e o estilo pés no chão de Mário Gobbi, que aparece quando ele evita fazer promessas que não poderá cumprir ou admite problemas e dificuldades do clube. No entanto, o mandatário alvinegro detesta qualquer paralelo de sua gestão com as dos outros, membros de seu mesmo grupo político.

– Para de me comparar com os outros, pô, eu sou o Roberto! – bradou, ao interromper pergunta que citava uma frase de Gobbi.

A seu estilo, o ex-vice-presidente e diretor de futebol do Timão recebeu a reportagem do LANCE! em sua sala no Parque São Jorge na última semana. Já passava das 17h e Roberto se queixava de ainda não ter almoçado por conta dos inúmeros compromissos. Antes da entrevista, pegou alguns pedaços de frios, abriu um refrigerante, ofereceu outros aos presentes, e logo esclareceu que a correria rotineira não o incomoda:

– Estou aqui porque quero, ninguém colocou um revólver na minha cabeça ou uma faca no meu peito, entendeu? Faço tudo com prazer!

Com prazer, Roberto, que está no cargo desde fevereiro, falou da boa fase da equipe, primeira do Brasileirão, comentou algumas de suas realizações e contou projetos para o futuro. Já sem tanta satisfação, ele disparou contra quem insinua conspiração da arbitragem a favor do Corinthians. Para ele, comentários como os de Eduardo Maluf, diretor de futebol do Atlético-MG, e Mário Celso Petraglia, presidente do Atlético-PR, que recentemente afirmaram que o Timão estava sendo beneficiado pelo apito, tem explicação: a liderança corintiana incomoda.



Em quase uma hora de entrevista, o cartola, que deixou sua concessionária de carros um pouco de lado para se dedicar ao Corinthians, também disse que estar no G4 é obrigação do time, afirmou que a Fiel ficou um pouco "mal acostumada" com os títulos recentes e declarou que não há necessidade financeira de vender jogadores agora. Confira abaixo:

O Corinthians surpreendeu a muitos após um período rápido de crise e hoje é líder do BR-15 com quatro pontos de vantagem. Isso acaba por até aumentar a pressão e a cobrança pelo título?
Não é que aumenta, você fica mais aguçado para chegar ao título, óbvio, normal. Todas as pessoas que estão no futebol começam a enxergar até onde seu braço alcança. Quem está em décimo não dá para falar de campeonato, mas quem está em primeiro ou segundo, pode. Não só o Corinthians, tem cinco, seis clubes lá em cima que têm a real possibilidade.

O clube acabou se acostumando a disputar títulos recentemente...
O torcedor também ficou, entre aspas, mal acostumado. Todos aqui trabalhamos para ter um grupo forte e ganhar tudo todo ano. Impossível? Sim, mas ganhamos muito.

Terminar o ano sem um título seria algo aceitável?
Por que não? Acho normal, nós não temos a obrigação de ganhar título todo ano. Queremos? Sim, todo dia. Mas não obrigação. Temos elenco forte, mas e se alguém tiver um elenco mais forte e melhor? A competição é com os outros, não conosco.

O clube acaba pagando por ganhar tudo nos últimos anos?
A palavra certa não é pagar, pois é uma satisfação. Só que ninguém aceita mais um deslize, por menor que seja. Ninguém tem mais paciência como tinha. O Corinthians ficou 20 e poucos anos sem título e a torcida só crescia. Será que se isso acontecer hoje – Deus queira que não – a torcida vai crescer ou só encolher? Que hoje ficou mais exigente, não tenho dúvida! Mas tá bom, isso não é ruim, até porque estamos aqui para fazer o futebol glorioso, nosso objetivo é ganhar.

Você diz que o título não é obrigação, mas e o G4? É diferente, até pelas receitas direitas e indiretas que gera?
Obrigação é estar na cabeça do Brasileiro. Campeão, vice-campeão, terceiro lugar... O Corinthians não pode ficar fora dessas posições. Isso leva à Libertadores, então é.

E os comentários sobre um suposto favorecimento da arbitragem ao Corinthians? O Petraglia detonou...
[Interrompe] Você está vendo por que não existe união dos clubes? É por isso que não existe, ninguém respeita ninguém. Aí pergunto para você: o Flamengo jogou domingo passado contra o Palmeiras e foi prejudicado aos olhos de muita gente. O que o Corinthians tem a ver com isso? Onde eu ganhei alguma coisa? Fala-se muito porque o Corinthians chegou na liderança. Se estivéssemos em sexto, décimo, ninguém iria se preocupar. O que incomoda a todos é o Corinthians estar na liderança. Mas isso é falta de respeito com os atletas, comissão técnica, diretoria do clube. Não chegamos à liderança ajudados, temos a melhor defesa, perseguimos isso há tempos. Erro de arbitragem? Sempre existiu, existe e existirá, não vai mudar, é um ser humano, que decide numa fração de segundo e às vezes tem a visão encoberta. Se a gente achar que tudo é má fé, acabou o futebol.

Recentemente um árbitro paulista apitou um jogo do time. Isso poderia ser evitado, não?
Acho isso uma grande bobagem. O fato de a pessoa trabalhar na Federação Paulista ou Mineira não o faz ser mineiro ou paulistano, ele pode nascer em outro estado e ser torcedor de outro clube. É uma acusação sem fundamento. Para mim é choro, mi-mi-mi, procuram pelo em ovo.

Pode ter um efeito reverso e o clube ser prejudicado por isso?
Espero que não, é um absurdo falar isso. O Corinthians é ajudado em quê?

Por que o clube ficou em silêncio e também não se manifestou?
Erro acontece. Eu já reclamei e vou reclamar de juiz. Isso até ajuda a Comissão de Arbitragem a tomar uma atitude, mostrar que aquilo não está funcionando a contento, tem que fazer algo a melhorar. É normal. Mas falar que o juiz fez algo para ajudar time A ou B é ser leviano, não há prova.



A janela de transferências da Europa fecha dia 31. Ainda há o risco de sair algum jogador?
Não chegou proposta. No futuro, não sei. Até dia 31 pode chegar qualquer coisa aqui. Mas você pode abrir todas as minhas gavetas e não vai achar proposta por ninguém aqui.

E o Felipe? Você diz que não chegou oferta, mas sabe que há interesse da Udinese, não?
A Udinese tem que mandar algum papel, não tem? Como vai fazer, sinal de fumaça? E-mail, ok. Mas cadê o e-mail? Não chegou nada.

Mas se chegar oferta, venderá? Há necessidade financeira?
Não por necessidade financeira. O que mais eu respeito aqui é a vontade do atleta, primeiro pergunto se ele quer sair. Feita essa pergunta e ele dizendo que sim, vamos tratar da parte comercial. Aí vamos estudar, tem que ser interessante para o clube também, senão não adianta de nada.

O Andrés sugeriu um boicote à Libertadores. Você concorda?
Temos que nos unir e fazer alguma coisa para que isso se reverta, pois de fato é uma vergonha uma competição do padrão que é e por levar ao Mundial, a Libertadores ter a rentabilidade baixíssima. Se compararmos com a Champions League, meu Deus do céu, os valores são infinitamente inferiores.

E a liga de clubes no Brasil?
Acho que isso não vai existir. A CBF já deu outro passo no sentido de criar uma comissão dos clubes. Isso já é um avanço. Temos de esperar.

As frequentes declarações polêmicas do Andrés não geram mal estar? Isso também não representa ingerência dele?
É a opinião dele, o que tem de errado? Quantas pessoas do clube dão opinião? Não tem problema, a gente conversa muito. Vocês gostam de falar que o Andrés manda, e o presidente, não. É aí que querem chegar. Falar todo mundo pode falar, ele é superintendente de futebol e conselheiro. Não preciso concordar, ele não fala em nome do presidente.

Qual legado você pretende deixar até o fim do mandato?
Um Corinthians melhor, só isso que quero. Preparar para quem vier depois pegar um clube mais tranquilo. Queremos o Corinthians avançando, crescendo. É minha maior vontade!