Gabriel Carneiro
17/08/2016
06:30
São Paulo (SP)

"Alô Elias, seu pipoqueiro, pode ir embora e leva o baladeiro", cantaram alguns torcedores do Corinthians na última segunda-feira, em protesto realizado pelas torcidas organizadas no Parque São Jorge em razão da má fase da equipe, que já não vence há três rodadas do Brasileirão. O recado da Fiel nesse canto está claro: a relação entre jogador e clube já não é a mesma de tempos atrás, e a responsabilidade de liderar a reação poderá cair no colo do veterano.

Hoje chamado de "pipoqueiro", Elias já viveu dias de glórias no Timão: campeão brasileiro da Série B (2008), campeão do Paulista e da Copa do Brasil (2009) e do Brasileirão (2015). Por muito tempo, o volante foi o favorito nos pedidos da torcida por reforços, já que as marcas são bastante positivas: 251 jogos e 41 gols de um jogador assumidamente torcedor do Corinthians – até de frequentar arquibancada, como foi na Libertadores de 2012, quando ainda era do Sporting (POR).

Neste ano, Elias não tem conseguido repetir os bons números das épocas anteriores: ele jogou apenas 23 das 78 partidas do Corinthians no ano e é o titular menos frequente em campo, com 70,5% de ausências. Até jogadores que já chegaram depois do início da temporada, como Balbuena (anunciado em fevereiro) e Marquinhos Gabriel (anunciado em abril) já entraram em campo por mais tempo.

Soma-se à ausência em campo a reclamação pública do volante sobre o comportamento da torcida nos últimos jogos. Ele chegou a comparar a Fiel à torcida do São Paulo, “que só critica”. A comparação não pegou bem com a torcida, e o próprio jogador se arrependeu de tê-la feito.

Presente na arrancada do Corinthians da Série B aos grandes títulos internacionais, Elias está diante de um dos maiores desafios de sua carreira: liderar a reação de um Timão sob pressão. Consegue?

Elias, do Corinthians
Volante atuou em só 29,4% dos jogos de 2016 (Foto: Daniel Augusto Jr)

QUANDO FOI DESFALQUE?

Lesão polêmica - O volante teve uma fissura na fíbula da perna esquerda detectada em fevereiro, e ficou quatro semanas com o local imobilizado. O que causou estranheza foi o fato de ele ter feito uma ressonância magnética apenas 18 dias após sofrer uma pancada durante o jogo contra o Grêmio Osasco Audax, em 4 de fevereiro.

Copa América - Recuperado da lesão, Elias atuou em apenas mais nove partidas antes de voltar a deixar a rotina do Corinthians, desta vez para atuar na Copa América. O desfalque durou cinco jogos.

Vai embora? - Antes da Copa América, a saída de Elias do Corinthians era dada como certa, inclusive entre os próprios dirigentes. O Shandong Luneng, da China, era o maior interessado, mas a demissão do técnico Mano Menezes atrapalhou os planos e o jogador seguiu no Brasil. Volta foi contra o Fluminense.

Mais uma lesão... - Elias voltou ao Corinthians no dia 16 de junho, e sofreu uma fratura na costela logo em seu primeiro jogo, quando foi substituído. Recuperação tinha prazo de dois meses, mas foi antecipada para apenas um.