Gabriel Carneiro
08/08/2016
06:30
São Paulo (SP)

Aos 26 anos, Giovanni Augusto vive o melhor momento da carreira. Ele é titular do Corinthians, tem a confiança de Cristóvão Borges e está embalado por uma sequência de nove partidas como titular em que a equipe venceu cinco, empatou duas e foi derrotado duas. Nesta segunda-feira, um resultado positivo diante do Cruzeiro, às 21h, no Pacaembu, coloca o Timão no mínimo na segunda posição do Campeonato Brasileiro. Se ganhar por três gols de diferença, assume a liderança. Nada mau para o jogador que há menos de dez anos era avaliado em apenas R$ 90 mil...

Giovanni Augusto despontou para o futebol após se destacar na Copa São Paulo de Juniores de 2008 com a camisa do Paysandu. Antes disso, o meia já havia tido uma trajetória atribulada na base do clube paraense, cheia de desistências e oscilações. Quem lembra bem disso é Ronaldo Couto, o Nad, seu treinador dos 13 aos 18 anos.

– Sempre acreditamos muito nele e sempre fomos desafiados por ele também. O Giovanni desistia do futebol muitas vezes por causa das dificuldades. Direto eu ia buscá-lo na casa dele, conversar com a mãe, orientar. Até que em algum momento ele levou a sério e o resto da história vocês sabem – brinca Nad, em entrevista ao LANCE! 13 anos depois de ser apresentado a Giovanni Augusto na base do Papão.

Depois da Copinha, Giovanni foi comprado pelo Atlético-MG por R$ 90 mil, um valor quase 200 vezes menor do que os R$ 15 milhões que o Corinthians investiu neste ano pelo futebol do camisa 17. Até agora, a “retribuição” veio em quatro gols e duas assistências.

Diante do Cruzeiro, seu ex-rival nos tempos de Galo, a chance de fazer bonito e honrar a fase de ouro.

COM A PALAVRA, Nad (Ronaldo Couto)
Primeiro técnico de Giovanni, ao LANCE!

Giovanni Augusto
Meia vive bom momento atualmente (Foto: Alan Morici/Lancepress!)

"O Giovanni Augusto treinou pela primeira vez comigo aos 13 anos, e eu logo vi muita qualidade. Conversei com meus colegas que ele era muito inteligente, habilidoso, sabia jogar em todas as funções ofensivas, ajudava a marcação... Enfim, muito potencial. Na época, pela personalidade forte, eu o integrei logo no sub-15, mas a trajetória foi difícil. Eram muitas dificuldades, principalmente financeiras, que ele vivia. Direto, não tinha dinheiro para o transporte, e olha que a mãe fazia de tudo, mas não tinha como vir treinar. Mas eu, se vejo potencial, invisto. Dei dinheiro para o ônibus, ajudei como foi possível e diversas vezes fui conversar, porque ele pensou que no futebol de salão seria mais fácil para ele. Ele dava uma parada, aí convencíamos e ele voltava. Parou de novo, mas voltou. É um orgulho vê-lo como está hoje."