Bruno Cassucci e Gabriel Carneiro
10/01/2017
07:00
São Paulo (SP)

O Corinthians chegou a um acordo com a Caixa Econômica Federal sobre o novo modelo de financiamento da Arena Corinthians, estádio inaugurado em maio de 2014 e que já recebeu 87 partidas da equipe profissional do Timão. O clube estava sem pagar as parcelas do financiamento desde maio, quando a Caixa concedeu um período de carência justamente para rediscutir o contrato. Agora que há entendimento em relação ao tema, o Corinthians voltará a pagar as mensalidades, mas com valor reduzido.

No modelo antigo, o Corinthians pagava parcelas mensais de mais de R$ 5 milhões, e agora o valor cairá quase pela metade, para pouco mais de R$ 3 milhões. A diminuição do montante se deve ao aumento do prazo de pagamento da Arena, que antes era de 12 anos e agora chegará perto dos 20. Para este acordo começar para valer, resta apenas "colocar no papel", ou seja, formalizar o acerto que já existe desde a última semana do ano passado. A expectativa é que o anúncio ocorra nas próximas semanas, já que a negociação também envolve a construtora Odebrecht e precisa da chancela do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Outras possibilidades cotadas, como maior autonomia ao Corinthians na administração do estádio ou manutenção de parte do valor arrecadado com bilheteria pelo clube, não avançaram. Assim, a renda obtida com a comercialização de ingressos para os jogos do Corinthians segue sendo revertida 100% para o fundo que administra as contas da Arena, assim como os valores obtidos com a exploração de outras propriedades, como cadeiras, camarotes e eventos.

Apesar de não ter encontrado facilidade em outras negociações, o Corinthians está satisfeito com o acordo. Trata-se da única solução possível para o clube conseguir manter em dia as parcelas do financiamento e dos juros da Arena - Andrés Sanchez, ex-presidente do clube, disse que o Timão chegou a investir dinheiro do futebol para pagar o estádio. Além disso, segundo as regras do BNDES, os financiamentos do programa “ProCopa” (ao qual o Timão aderiu) poderiam ter até 36 meses de carência. A Arena de Itaquera, porém, contou com somente 19 meses. Por isso, o pedido de mais 17 meses de prazo.

Os custos do estádio do Corinthians já passam R$ 1,2 bilhão, mas a tendência é que aumentem consideravelmente até o fim do contrato - até porque haverá mais juros graças ao maior prazo de pagamento.

Solução? Só que não!

O fato de não ter vendido os naming rights (direito de exploração do nome) da Arena Corinthians é um dos aspectos determinantes para as dificuldades do clube no pagamento. Ano passado, o Corinthians teve negociações avançadas com um fundo de investimento, mas não houve apresentação de garantias financeiras e o acordo regrediu. Hoje, não há nenhuma negociação em curso, apenas algumas consultas.

- Vamos ter de começar isso de novo. Não tenho mais detalhes porque não sou eu quem está cuidando disso, mas é claro que todas as notícias negativas que saem estão prejudicando (a venda). Vamos trabalhar para reverter isso - diz, ao LANCE!, Emerson Piovezan, diretor de finanças do Corinthians.