Bruno Cassucci
20/11/2015
11:55
Visão da dupla / São Paulo (SP)

A dificuldade na escolha do craque do Brasileirão-2015 criou uma mutação. Se ela de fato existisse, teríamos o melhor jogador do futebol brasileiro e, por que não, um dos melhores do mundo. Renadson, junção dos corintianos Renato Augusto e Jadson, é assistência, gol, marcação, criatividade e espírito coletivo. É pesadelo dos adversários e euforia da Fiel.

Mais incrível do que o desempenho da dupla alvinegra na campanha do hexacampeonato do Timão é a lembrança de que houve quem acreditasse que eles não pudessem jogar juntos. A tese era defendida por Mano Menezes, treinador corintiano em 2014, e quase foi reforçada por Tite no início deste ano, quando o técnico escalava Lodeiro. A venda do uruguaio ao Boca Juniors (ARG) e a não contratação de Conca “obrigaram” Jadson a voltar ao time. E o camisa 10 não sairia mais, nem mesmo com uma oferta milionária da China, em fevereiro.

"Já tive vários momentos na minha carreira, mas hoje estou vivendo uma fase especial. Tenho de agradecer muito a confiança que o Tite e os meus companheiros me passaram desde que eu cheguei no Corinthians", Jadson


Como também não saiu Renato Augusto, antes vítima do próprio corpo, que o tirou de combate tantas vezes. Livre das lesões, ele chegou ao auge. E também à Seleção.


Jadson, por sua vez, ainda não voltou a vestir a amarelinha, mas conseguiu feitos grandiosos. Foram incríveis 26 assistências até o momento na temporada, 14 só no Brasileirão. Somam-se a isso as 13 bolas que ele colocou na rede no campeonato e o resultado impressiona: o meia participou diretamente de 43% gols do Corinthians no Nacional.

"Depois de tudo que eu passei, o ano de 2015 tem sido muito bom para mim. Dei a volta por cima, terminando o ano de forma excepcional", Renato


Os mesmos números que destacam o camisa 10 não conseguem refletir o que apresentou o seu companheiro, que veste a 8. Renato Augusto fez “somente” cinco gols no campeonato e deu seis assistências. Mas quantos contra-ataques fatais ele puxou? Quantas jogadas clareou? E os espaços sempre bem ocupado?

Talvez aí esteja o segredo de Renadson. Uma parte do craque do Brasileirão é eficiência, visão e precisão, a outra é magia, inteligência e criação. Não há um sem o outro. Não haveria o título do Timão sem ele(s).

Renato Augusto caneta
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