Libertadores - Corinthians x Nacional URU (Foto:Ale Cabral/LANCE!Press)

Corinthians e Nacional antes do jogo na Arena (Foto:Ale Cabral/LANCE!Press)

Rodrigo Vessoni
06/05/2016
15:10
São Paulo

A eliminação do Corinthians na Copa Libertadores era questão de tempo. Oitavas, quartas, semi... não importa. Ao vender seis dos 11 titulares campeões brasileiros a um mês do início da disputa, a diretoria abriu mão do bicampeonato da América. Sem dúvida, a maior culpada.

Mas não é a única. O segundo gol do Nacional saiu porque Giovanni Augusto, machucado, caiu no chão por duas vezes e não teve força nem perna para evitar o início do lance. Médicos e fisioterapeutas tiveram sua parcela - isso sem falar no doping de Yago e na lesão grave de Elias. Afinal, Marquinhos Gabriel e Romero estavam aptos e em melhores condições.

Tite também deu sua contribuição, ao ignorar o ótimo momento do paraguaio, artilheiro do elenco em 2016. Se os outros estivessem ‘voando’, seria compreensível. Mas não era o caso. Lucca era um exemplo de jogador que estava num momento apenas razoável e poderia ser tirado da equipe sem maiores contestação.

Li e ouvi críticas pesadas em cima do resultado, dos mesmos que ‘babavam’ pelo futebol apresentado antes dos mata-matas, que elogiam a reconstrução e diziam que era um tudo uma maravilha. Não farei o mesmo. O Corinthians caiu na Libertadores, simplesmente, porque não se preparou para conquistá-la como fez outras vezes. Basta lembrar das participações em 2000, 2013 e 2015, por exemplo. Times bons e maduros, com jogadores que poderiam decidir partidas, elencos que tinham lastro e gabarito para tal. O de 2016 nunca teve.

Mas, então, o time é ruim e deve mudar tudo. Não. Pelo contrário. O Corinthians brigará lá em cima da tabela no Brasileirão-16. É um dos candidatos ao título, assim como era após cair para o Guaraní-PAR e conquistar o caneco posteriormente com todos os recordes. De onde tirei isso? Basta comparar com os outros 19 rivais. Quem, neste momento, é tão melhor do que a equipe de Tite? Qual elenco é tão mais qualificado? O Galo. E apenas ele.

SINALIZADORES
Ouvi e li jornalistas criticarem o uso de sinalizadores por parte de alguns torcedores no setor norte, das organizadas. Além de não ver problema - falo desse tipo de pisca-pisca, não de sinalizador naval que mata pessoas -, a culpa pela utilização dos mesmos na última quarta-feira deve ser dividida com a diretoria e os responsáveis pela Arena.

É simples. O sistema (CBF, PM, Secretaria de Segurança Pública, etc) não deixa que os torcedores de organizadas façam nada nos estádios. Não se pode levar faixas, instrumentos, bandeirões, absolutamente nada. O clube e administração da Arena Corinthians, então, deveriam se tornar parceiros da torcida, oficializando a festa. Algo que o Cruzeiro faz em MG, o Grêmio faz no RS, para citar alguns exemplos.

Bastaria uma relação aberta e franca com os torcedores. Bastaria o clube fazer sua parte, oferecendo às torcidas organizadas (e aos torcedores em geral) a possibilidade de uma grande festa na entrada do time. Mosaico, bandeirinhas, faixas verticais, fogos de artifício, fumaça na beira do campo, bexigas... em contrapartida, poderia ter a promessa dos torcedores de que sinalizadores que causam punições não seriam levados. Quanto toda essa festa custaria? Uma migalha perto dos R$ 3 milhões de renda. Mas o clube não fez nada, não houve sequer uma queima de fogos. Então, incentivados por são-paulinos e palmeirenses, que fizeram igual na mesma competição semanas antes, os torcedores levaram centenas de piscas-piscas.

Sim, você pode achar esse assunto irrelevante. Tem seu direito, caro internauta. Mas para os torcedores das organizadas, esse tipo de festa faz parte do DNA de um estádio. O clube, como instituição, não pode dar as costas a esse tipo de coisa. É preciso saber conviver com isso.

Em tempo: muita gente criticou o uso dos sinalizadores na Arena na última quarta, com a visão CORRETA de que isso causaria punição ao clube, o bem maior de todos. Mas houve quem apoiasse a iniciativa. Certamente, pessoas cansadas dessa quantidade de proibições que se vê nos estádios brasileiros de uns anos para cá. Mas isso é um assunto para uma discussão posterior.