Bruno Cassucci e Gabriel Carneiro
01/06/2016
06:30
São Paulo (SP)

– É como eu falo: a única coisa que dá resultado rápido é veneno – disse Guilherme, ainda no início da passagem pelo Corinthians, quando enfrentava certa resistência da Fiel ao seu futebol.

O meio-campista, contratado por R$ 5,7 milhões para vestir a camisa 10, começou o ano mais recuado que o habitual, e admitiu confusão com a adaptação ao setor. No entanto, era justamente de tempo que Guilherme precisava para convencer.

Nesta quarta-feira, às 21h, no clássico contra o Santos, Guilherme tentará dar sequência ao seu melhor momento nestes pouco mais de quatro meses como jogador do Timão. Desde que voltou ao time titular, há três jogos, o camisa 10 teve participações diretas em três gols, um em cada partida: assistências contra Vitória e Sport e um golaço diante da Ponte, justamente na última vez em Itaquera.

A prova da importância do meia é simples de tirar: no intervalo de três jogos em que ele foi reserva, o Corinthians não alcançou nenhuma vitória, contra Nacional (URU), ida e volta das oitavas da Libertadores, e Grêmio, já pelo Brasileirão. Com o 10 de volta, o Timão encontrou sua formação contra o Vitória e depois embalou dois bons resultados no torneio.

– Não posso garantir 38 jogos maravilhosos, mas eu almejo, sim, fazer muitos gols e dar passes. Sou um sonhador – revelou o camisa 10 do Corinthians, em entrevista recente.

E essa história podia nem ter chegado tão longe... Guilherme esteve no alvo do Santos entre 2014 e 2015, quando vivia uma espécie de litígio com o Atlético-MG. Na época não houve acerto, mesmo após empresários oferecerem o jogador ao Peixe, onde hoje poderia estar trabalhando pela terceira vez com Dorival Júnior (veja mais abaixo). Mas hoje Guilherme é do Timão. E até agora não há veneno que detenha.

DUAS EXPERIÊNCIAS COM DORIVAL: CRUZEIRO E ATLÉTICO-MG

Guilherme e Dorival Jr pelo Cruzeiro
Atacante surgiu bem na Raposa (Foto:André Brant/Lancepress)

Destaque do Cruzeiro campeão da Copa São Paulo de Juniores de 2007, Guilherme foi promovido aos profissionais durante o Campeonato Mineiro e estreou pelo time de cima em abril, sob o comando de Paulo Autuori. O garoto não teve muitas chances, e só conheceu uma verdadeira sequência de jogos após a chegada do técnico Dorival Júnior, no mês seguinte. No Brasileirão daquele ano, Guilherme jogou 26 partidas e marcou dez gols, sendo titular e peça-chave da campanha da Raposa, que fechou em quinto lugar, com vaga assegurada na Libertadores. Dorival, porém, deu lugar a Adilson Batista, e Guilherme foi negociado com o futebol da Ucrânia em 2009.

Em maio de 2011, o Atlético-MG acertou a compra de Guilherme por R$ 14 milhões, e o atacante reencontrou Dorival, então treinador do Galo. A reedição da parceria, no entanto, durou apenas seis jogos: Atlético-PR, Avaí, Atlético-GO, Flamengo, Internacional e Ceará, com duas vitórias, um empate e três derrotas. O atacante marcou apenas um gol no período.