Gabriel Carneiro
06/06/2016
06:35
São Paulo (SP)

Walter, Fernando Prass, Vanderlei e Denis não custaram quase nada aos cofres de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo - essa informação é só para você ter uma ideia de que é muito raro um clube investir grana alta pela contratação de um goleiro.

Pois em junho de 2011 o Timão desembolsou R$ 5 milhões para tirar o promissor Renan do Avaí. Parecia ótimo negócio, mas o destino se encarregou de mostrar o contrário, e nesta segunda-feira o contrato de cinco anos entre clube e jogador chega ao fim. As lembranças que ficam não são lá muito boas.

Renan chegou ao Corinthians com status de titular. Ele havia sido convocado para a Seleção Brasileira em 2010, graças à idade olímpica, se destacou em 2011, quando o Avaí eliminou o São Paulo e avançou às semifinais da Copa do Brasil, e era pretendido por gigantes internacionais, como o Benfica (Portugal). A melhor oferta, porém, foi do Corinthians, que anunciou o reforço em 1° de junho daquele ano. Não se previa muito trabalho para ser titular, já que as únicas opções de Tite eram Julio Cesar, Danilo Fernandes, Rafael Santos e Gauther.

O jovem de 21 anos treinou, se adaptou, ficou na reserva por alguns jogos e finalmente foi lançado em uma partida contra o Cruzeiro, em 24 de julho de 2011, na 11ª rodada do Brasileirão. Parecia só o início de uma era, mas foi o início do fim. Na derrota por 1 a 0, ele estava adiantado em um chute do meio da rua de Wallyson e ficou marcado. No jogo seguinte, o Timão tomou 3 a 2 do Avaí e na sequência venceu o América-MG por 2 a 1. Neste jogo, mais uma falha de Renan, que foi barrado do time e jamais disputou um jogo oficial pelo Corinthians.


- Eu não sei te falar porque o Corinthians nunca mais quis me usar. Fico sem resposta. A partir do momento em que você é contratado por uma empresa, não pode ter uma única oportunidade de mostrar o seu valor. Eu não estava ali por acaso, então não sei porque nunca tive uma segunda chance. Respeito as decisões que foram tomadas, mas eu não pedi para me contratarem - desabafa, ao LANCE!, o goleiro Renan, agora livre e à espera de novas chances.


Foram apenas três jogos oficiais e cinco gols sofridos em cinco anos de contrato com o Corinthians. O goleiro recebia salários de cerca de R$ 80 mil no clube, o que indica um gasto aproximado de R$ 10 milhões nestas cinco temporadas. Isso mesmo: R$ 10 milhões por três jogos, uma média exagerada de mais de R$ 3 milhões por cada vez em que entrou em campo pelo clube.

Mesmo sendo um jogador tão caro para os cofres corintianos, Renan jamais teve respaldo interno, e foi emprestado sete vezes durante o vínculo com o Timão: Vitória, Estoril (Portugal), Guarani, Botafogo-SP, Bragantino, Caxias e Tigres-RJ abriram as portas para o goleiro, que nunca mais reencontrou as glórias vividas nos tempos de Avaí.

- No meu pensamento se eu tivesse uma sequência maior no Corinthians talvez as coisas poderiam ser diferentes, mas o destino quis assim. Tenho que aceitar as decisões do Tite, que é um cara que admiro, respeito, é vencedor. Temos que aceitar, porque manda quem pode e obedece quem tem juízo. Ele não achou que eu seria a peça para aquele momento, mas tenho que agradecer a ele por tudo o que fez por mim e agora pensar em voltar ao cenário - diz Renan, que admite ter nutrido até o fim do contrato a esperança de ser utilizado no Timão.

Com a mesma rapidez com que surgiu no cenário nacional, o goleiro caiu no ostracismo. De festejado, candidato à vaga na Olimpíada e à meta titular do Corinthians a renegado, frustrado, afastado. Desde que retornou do Tigres, Renan treinou separado do elenco principal, em horários alternativos como 11h e 13h, apenas na academia, nunca no gramado, e só de segunda a sexta.

Neste sábado, dia 4, ele voltou a Itapema, cidade próxima de onde nasceu em Santa Catarina, de mala e cuia. De folga no fim de semana, ficaria sem contrato no Corinthians já no domingo. E agora está à procura de um novo destino ao lado do empresário Carlos Corsine, o mesmo que o ajudou a chegar ao Timão. Clube grande? Clube pequeno? Clube brasileiro? Clube estrangeiro? Não importa. O jogador, hoje aos 25 anos, só espera que o próximo capítulo de sua história seja diferente.

- Não tive sequência, mas não posso botar culpa em ninguém, era coisa do destino. Agora é seguir a vida e procurar espaço em outro clube. Potencial eu tenho, não foi à toa que cheguei em um grande centro. Agora é paciência e voltar a trabalhar, porque fiz um grande Campeonato Carioca pelo Tigres e sei que as coisas vão acontecer - desabafa.

Não se sabe para onde, mas o próximo passo de Renan será bem longe do Corinthians.

CONFIRA MAIS DECLARAÇÕES DE RENAN AO LANCE!

Contra o Cruzeiro, triste estreia
Contra o Cruzeiro, triste estreia pelo Timão (Foto: Mauro Horita)

FUTURO
"Depois que saí do Tigres voltei ao Corinthians e treinei em horários alternativos, diferente do profissional. Agora estamos conversando, existem várias possibilidades. O mercado está um pouco difícil, mas existem especulações, de concreto nada ainda, só conversando com alguns clubes. Esperamos que se concretize o mais rápido possível, as conversas estão fluindo e logo deveremos ter notícia, já que fico livre a partir de agora. Amanhã (segunda-feira) começo trabalhos com um personal, porque não passo ficar parado".


SAÍDA DO CORINTHIANS
"Primeiramente tenho que agradecer a Deus por ter feito um grande contrato com um grande clube, isso foi fruto de trabalho bem realizado no Avaí. Avalio como uma experiência boa no Corinthians, um contrato bom, mas infelizmente na vida não é tudo da maneira que a gente pensa que vai ser, às vezes acontecem coisas diferentes".


FALHAS CONTRA CRUZEIRO E AMÉRICA-MG EM 2011
"Não acho que tenha falhado contra o Cruzeiro. Sempre deixei bem claro que o único gol que falhei foi no jogo do América-MG, que vencemos. Foi uma bola dividida com o Leandro Castán e eu me precipitei um pouquinho, mas no jogo do Cruzeiro fui orientado a jogar adiantado e cumpri o que ele (Tite) ordenou, de maneira alguma falhei. Sempre admiti contra o América, mas Cruzeiro não".


SETE EMPRÉSTIMOS
"É, foram alguns empréstimos, um número até grande, mas onde tivemos experiência de conhecer novas metodologias de trabalho, ver como funcionam outros clubes. Foram bons períodos".

SELEÇÃO BRASILEIRA EM 2010
"Aquela convocação para a Seleção Brasileira em 2010 me deixou muito grato pela oportunidade, que foi fruto de trabalho. Muitas pessoas me orientavam, fiquei muito feliz, apesar de surpreso por jogar dentro de um clube de menor expressão em Série A e ser chamado. Mas foi fruto de um trabalho e as coisas aconteceram naturalmente".

O QUE LEVA DO CORINTHIANS
"Eu agradeço a Deus por ter tido essa oportunidade de jogar em um grande centro. Pela idade que tenho muita gente diz que tenho uma experiência grande já. Agradeço a todos os profissionais do Corinthians, todo mundo sempre me deu auxilio, apesar de muitas vezes eu não treinar no clube, treinar no Flamengo de Guarulhos, mas agradeço ao Alessandro, ao Edu Gaspar, ao Andrés, agradeço todo mundo que deu apoio. Tenho orgulho de ter sido por cinco anos um jogador do Corinthians".

VOLTARÁ A UM GRANDE CLUBE?
"Todo desejo de atleta é estar em grande centro e dar continuidade. Eu cheguei, mas não tive sequência de trabalho, não culpo a ninguém, mas agora é momento de parar, pensar, refletir, aprender com erros e acertos e voltar a um grande centro com pés no chão, sem vaidade, e ter a tranquilidade de viver esse novo momento. O mercado está aberto. Não foi por acaso que cheguei ao Corinthians".