Entrevista - Roberto de Andrade Presidente Corinthians (foto:Eduardo Viana/LANCE!Press)

Roberto de Andrade lamentou perda de atletas para o futebol chinês (foto:Eduardo Viana/LANCE!Press)

Bruno Cassucci
07/01/2016
11:37
São Paulo (SP)

Três jogadores já deixaram o Corinthians rumo à China: Jadson para o Tianjin Quanjian, e Renato Augusto e Ralf para o Beijing Guoan. E a lista pode crescer ainda mais. Quem afirma é o próprio presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, que concedeu entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira.

Demonstrando espanto e um pouco de irritação, o mandatário falou sobre o assédio asiático e disse nada poder fazer diante de propostas milionárias e pagamentos de multas rescisórias.

- Todos nós aqui do clube fomos surpreendidos com essas saídas. Vou tentar ser bem didático na explicação: o futebol chinês trabalha diferente dos demais. Em qualquer outro país se procura os clubes. O futebol chinês procura o atleta, o seduz com valores expressivos, e nós tomamos ciência meia hora antes de o atleta ir embora. Eles depositam a multa, não tem defesa para o clube, não tem o que fazer. Nessa situação podemos perder cinco, seis, sete... Quero que o torcedor entenda que não é uma postura do clube. Nosso planejamento até então era contar com todos os atletas - disse.

- Se eu falar uma coisa, vocês podem me chamar de louco. O Renato Augusto esteve aqui ontem (terça-feira), se despediu de nós, de todos, e o Corinthians não tem um documento. Não precisa falar com ninguém, eles (dirigentes do clube chinês) não sabem nem meu nome, vão pagar a multa e levar o atleta - completou Roberto de Andrade.

Elias é um que pode sair em breve. Ele já aceitou proposta do Hebei China Fortune, mas o clube prioriza a contratação de Lucas Lima. Já Gil interessa ao Shandong Luneng, também da China, e o goleiro Cássio tem proposta do Besiktas, da Turquia.

- Existe sondagem a outros atletas. Nós podemos... não vou dizer nos próximos dias, mas pode ser nos próximos minutos ou horas, perder outro jogador, pois existem sondagens. Isso acontece com clube campeão brasileiro, que tem atletas de ponta, não tem defesa. Não vamos fazer loucura, porque é insano equiparar salário de R$ 2 milhões - afirmou o cartola.

Roberto de Andrade disse entender os atletas e não culpá-los, mas demonstrou incômodo com a debandada no elenco e mandou um recado à Fiel:

- O importante aqui é a camisa do Corinthians, não quem a veste. Não quero atleta que não queira ficar. Se tem proposta, traga e pode ir embora - avisou.

- Não vamos ficar bravos com o atleta. Quem chora pelo Corinthians sou eu, e o torcedor também. O resto não tem amor ao Corinthians. Eles trabalham no Corinthians. Temos a mania de achar que o atleta tem um vínculo eterno. É duro falar isso, mas é a verdade. O poder financeiro fala mais alto na vida de qualquer cidadão - concluiu o dirigente.