LANCE!
22/10/2016
18:19
São Paulo (SP)

Conselheiros e associados do Corinthians aceitaram uma proposta de mudança do Estatuto Social do clube em Assembleia Geral Extraordinária realizada na tarde deste sábado, no ginásio do Parque São Jorge. Ao todo, 966 votantes compareceram ao local e 902 deram votos favoráveis às propostas, com 59 votos negativos, quatro nulos e um voto branco. Algumas mudanças serão implementadas imediatamente, mas a maioria delas valerá a partir da próxima eleição presidencial, em fevereiro de 2018.

O Corinthians decidiu que terá fim o chapão, como é chamado o formato de escolha dos conselheiros do clube. O chapão é um grupo de 200 conselheiros mais 50 suplentes que são eleitos junto com o presidente do clube. Quem vota em determinado candidato escolhe também a chapa única com todos os conselheiros. Segundo alas do clube, porém, esse sistema de escolha é antidemocrático e enfraquece a oposição. A partir do próximo pleito, passa a não valer mais. 

A próxima eleição, aliás, será em fevereiro de 2018, mas a seguinte ocorrerá no mês de novembro de 2020, com o novo presidente assumindo o cargo no primeiro dia útil do ano seguinte. A ideia é que isso ajude no planejamento do clube e, com isso, o próximo presidente terá um mandato mais curto em função desse ajuste. 

A votação das mudanças no estatuto do Timão recebeu protestos de grupos oposicionistas da atual gestão, comandada por Roberto de Andrade, que foi eleito com apoio de Andrés Sanchez. Na entrada do Parque São Jorge, havia conselheiros com as faixas "Fora chapão" e "O Corinthians não é carro para ser administrado na concessionária", em relação à atividade profissional do presidente, que é dono de uma loja de carros, e à suposta ausência do mandatário no dia a dia da sede do clube.

CONHEÇA AS MUDANÇAS NO ESTATUTO DO CORINTHIANS

1) Fim de privilégio para sócios licenciados - De acordo com as regras antigas, um associado que pede licença de sua posição ganha isenção do pagamento da mensalidade e perde o direito de usufruir dos direitos e prerrogativas da condição. Quando decidir encerrar a licença, voltam esses direitos. A mudança indica que o associado licenciado só poderá usufruir de seus direitos de votar e ser votado decorridos cinco anos do retorno efetivo.

2) Ficha limpa no Corinthians - Proposta aprovada é de inclusão de dois parágrafos no Estatuto: o associado agora não poderá ser candidato à presidência do Corinthians caso tenha sido condenado pela Justiça. Serão necessários oito anos após o cumprimento da pena para que o associado recupere direitos políticos. Essa inelegibilidade, no entanto, não se aplicará em crimes culposos (sem intenção) e nem os definidos como de menor potencial ofensivo.

3) Mudança de data na eleição presidencial - Antes, as eleições do Corinthians ocorriam de três em três anos e sempre na primeira quinzena de fevereiro, o que atrapalha o planejamento do time de futebol. A proposta aprovada é de eleições trienais, mas em novembro, e com os vencedores assumindo postos no primeiro dia útil do ano seguinte. A mudança, porém, vale apenas a partir de 2020, para que os atuais presidente e conselheiros usufruam dos direitos de seus cargos até fevereiro de 2018. Haverá, também, a criação de um governo de transição entre diretorias.

4) Atletas na diretoria? Isso mesmo! - Uma das propostas aprovadas visa garantir a participação de atletas do Corinthians nos colegiados de direção do clube, desde que as candidaturas obedeçam condições do Estatuto, como o tempo de associação.

5) Ex-presidentes ganham "cargo" - O Cori (Conselho de Orientação do Corinthians), órgão superior ao Conselho Deliberativo e que aprecia as contas do clube, é composto por dez membros e dez suplentes eleitos pelo Conselho Deliberativo, além dos últimos dois presidentes do clube. A mudança propõe que todos os ex-presidentes da diretoria e do Conselho Deliberativo tornem-se membros natos do Cori.

6) Chance de reeleição mais próxima - Antes, a reeleição consecutiva para o mesmo cargo não era permitida e o presidente ficava inelegível nas duas eleições subsequentes. Mudança é para que esse número diminua para apenas uma eleição, o que significa que um presidente pode ser eleito, cumprir três anos, ficar três fora e depois voltar para mais três. O prazo mínimo sem cargo antes era de seis anos.

7) Nomenclatura de cargo - O "diretor de relações internacionais" passa a ser "diretor de relações institucionais".

8) Rigor nas investigações - Ideia é acrescentar o seguinte artigo: "O administrador que tenha praticado ato de gestão irregular ou temerária será imediatamente afastado, após decisão da Assembleia Geral, e ficará inelegível pelo período de dez anos".

9) Fim do chapão - Chapas agora serão compostas por apenas 25 associados, não mais cem. Assim, serão eleitas as dez chapas mais votadas, sendo oito para preencher os cargos de conselheiros trienais efetivos e duas para a suplência. Em caso de empate na eleição, a chapa vencedora será a que tiver candidatos com mais tempo de associação na soma de todos os integrantes.

10) Criação de comissão eleitoral - Agora, uma comissão será nomeada seis meses antes das eleições do Corinthians para fazer o regimento eleitoral, organizar o processo, candidaturas, julgar impugnações e declarar os eleitos. Serão cinco conselheiros nomeados pelo presidente do órgão.

11) Tecnologia no Timão - Votações passarão a ser eletrônicas, salvo impossibilidades técnicas.

12) Cautela nos gastos - Segundo a mudança, uma diretoria só poderá antecipar ou comprometer até 30% das receitas do primeiro ano do mandato subsequente. A proposta tem um dispositivo que permite autorizar o gasto superior a 30% "em face de situação extraordinária".