Bruno Cassucci e Gabriel Carneiro
19/10/2016
08:00
São Paulo (SP)

Guilherme volta ao passado olhando para o futuro. A decisão desta noite, entre Corinthians e Cruzeiro, valendo vaga na semifinal da Copa do Brasil, se apresenta como um déjà vu para o jogador. Há dez anos, ele se preparava para a mesma partida, com o mesmo técnico... mas com outra camisa. Recém-promovido ao elenco profissional da Raposa por Oswaldo de Oliveira, ele assistiu do banco de reservas o Timão vencer por 1 a 0.

Há uma década, o duelo era no Pacaembu. Hoje, será no Mineirão, palco em que o meia-atacante brilhou tantas vezes pelo Cruzeiro e o rival Atlético-MG. E não foi só o estádio que mudou em relação àquele jogo. A expectativa sobre Guilherme também é outra. Antes uma promessa de 17 anos, hoje ele é o camisa 10 alvinegro e uma das principais esperanças da equipe paulista. Mas para seguir em frente, ele olha para trás. Afinal, foi naquele outubro de 2006 que ele se encantou pelo Corinthians.

– Quando eu vi tanta estrutura, movimentação, loucura de torcedor... Esse jogo nós perdemos, e isso despertou algo diferente em mim, de querer um dia ter esse prazer de jogar no Corinthians. Não queria sair do futebol sem vestir essa camisa. E quando eu falo em fazer algo a mais, é jogar mais, deixar um legado, um título importante. E eu vejo que todos nós podemos fazer mais, buscar algo grande aqui – declarou o atleta.

Guilherme viria a estrear apenas no ano seguinte, com outro técnico, mas nem por isso ele e Oswaldo de Oliveira perderiam a admiração mútua. treinador corintiano pediu a contratação dele quando dirigia o Botafogo, o Santos e também o Palmeiras, mas só foi realizar o desejo agora, quando se derrete em elogios ao jogador:

– O conheci novinho, ele subiu comigo, tenho muito orgulho de vê-lo jogando hoje o que projetamos naquela época. É um jogador com versatilidade grande, inteligência, que faz hoje a função que fazia naquela época, de camisa 9. Um jogador interessante, que vai ser ainda muito mais útil – disse Oswaldo.

Agora “falso 9” no Timão, Guilherme já foi “de verdade”. No início no Cruzeiro e depois nos clubes pelos quais passou até ir para o Galo ele atuou mais próximo do gol. De volta ao habitat natural, o atacante tenta garantir a nova vitória corintiana, como há dez anos, e fazer história como sonhou aos 17...


EM QUE POSIÇÃO?
Categorias de base
Passou por Bacabal-MA e Real Salvador-BA, só em categorias menores até chegar ao Cruzeiro em 2003. Sempre foi atacante.

Cruzeiro
Subiu para o profissional em 2006, com Oswaldo, na função de segundo atacante, aberto. Assim, brilhou na Copa São Paulo de 2007 e subiu de vez. Chegou a ser centroavante.

Europa
Passou por Dinamo de Kiev (UCR), CSKA (RUS) e mais recentemente Antalyaspor (TUR). Atacante nos dois primeiros e meia no último.

Atlético-MG
Carência no meio fez com que atuasse nesta posição ou então como atacante aberto. Passou pela Turquia e chegou ao Corinthians como um meia.