Marcio Porto
22/01/2018
17:36
São Paulo (SP)

Criticado neste início de temporada por não satisfazer a parte da torcida e da mídia, o atacante Kazim ganhou um forte aliado contra a crise pessoal no Corinthians: o meia Jadson, que participou de metade dos gols do Timão nesta temporada 2018. Nesta segunda-feira, em entrevista coletiva, o camisa 10 falou que teve uma conversa particular com o amigo e deu conselhos para ele chutar para longe a zica que o rodeia. 

- Kazim é um cara muito querido por mim e pelo grupo. Amigo pessoal meu, torço muito por ele. Ele tem muita experiência, de bagagem internacional. É um cara muito rodado. Momentos difíceis todo mundo passa, tive uma conversa com ele no vestiário, falei para ele não abaixar a cabeça, que depois a bola começa a entrar. Falei para ele que passei por isso também, e que logo as coisas mudam - afirmou Jadson. 

E Jadson tem razão. Ano passado mesmo, ele chegou a ser sacado do time na reta final do Campeonato Brasileiro pelo mau desempenho e forma física considerada abaixo do ideal - uma fratura nas costelas o prejudicou. No entanto, só foi 2018 começar que ele mudou o cenário. Até o momento, Jadson participou de quatro dos sete gols do Corinthians no ano. Neste domingo, contra o São Caetano, fez dois na goleada por 4 a 0 e entrou na lista dos dez maiores artilheiros do Timão no século. O jogador de 34 anos chegou a 36 bolas na rede, igualou o ex-lateral Rogério e só precisa de mais um gol para empatar com o ex-atacante Deivid, que ocupa a nona posição no ranking. Ele comemora. 

- Ano passado nossa equipe estava vivendo um bom momento no Brasileiro, não tinha perdido ainda. E a gente foi jogar contra o Avaí, nunca tinha fraturado nada na minha vida, e aí fraturei duas costelas, isso me prejudicou, perdi ritmo. Na vida do jogador sempre estamos sujeito a crítica. Acho que pela situação do time também, que não estava conseguindo as vitórias, e vem as cobranças. E o time começou a ganhar novamente. Mas nunca reclamei, nunca fiquei de carinha emburrada, sempre continuei trabalhando. E quando o Carille me colocou, ajudei a equipe. Esse ano ainda não estou 100% da minha forma, mas tenho participado bastante das jogadas do time. Acho que o time tem muito a crescer. Tomara que seja um ano abençoado tanto para mim quanto para a equipe - analisou Jadson.

A melhora de Jadson também está relacionada com seu posicionamento em campo. Ele saiu do lado para o meio, onde sempre preferiu atuar e tem dado certo. Agora, ele já projeta mais uma boa temporada com o Corinthians. 

- O Corinthians, pela sua grandeza, sempre entra como favorito. Mesmo com desconfiança. de não contratar muitos jogadores, mas é mais como a comissão conduz. Ano passado sofremos duras críticas. Mas independentemente de chegarem contratações, de peso ou não, o importante é o grupo estar fechado e trabalhando para fazer um bom ano - afirmou.

Jadson deixou pra trás grandes goleadores da história do Corinthians, como o centroavante Ronaldo Fenômeno (35), o volante Paulinho (34), o meia Danilo (33) e os atacantes Nilmar (31), Emerson Sheik (26), Luizão (24), entre outros. O recordista de gols pelo clube neste século é o atacante Dentinho, com 55 gols em 187 jogos.

Confira outros trechos da coletiva de Jadson:


Gol esquisito contra o São Caetano
Eu tive um pouco de sorte na hora do lance. Foi uma jogada bem trabalhada ali, o Romero escolheu. Vi o Júnior fazendo o facão, eu tentei ali, faltou ele chegar nela. O goleiro ficou em dúvida, e aí foi minha assistência-gol. Mas fico feliz em ajudar minha equipe.

Mudança de posição
Em 2015 eu acabei jogando mais pelos lados, ano passado também. Mas minha carreira toda sempre joguei mais centralizado, me senti mais confortável por ali. Sempre tentei fazer a função por ali. Aí eu e Carille tivemos uma conversa, falei para ele, e graças a Deus consegui participar bem, criando as jogadas. Acho que pelo meio tenho a visão dos atacantes e isso me ajuda bastante. 

Dez maiores artilheiros do Corinthians no século

Fico muito feliz em chegar nessa marca. Acho que são poucos que podem chegar. Não sou muito de fazer gol, sou mais de assistência, mas quando tem oportunidade, fico feliz de fazer gol. Tenho de agradecer à confiança da diretoria, dos torcedores, que sempre me ajudaram. Então sou muito grato a eles por essa marca. 

Gostaria de ser poupado para voltar com tudo no clássico contra o São Paulo no sábado?
Não sei o que o Carille vai fazer amanhã durante o trabalho. Ele já disse que terão algumas mudanças. Amanhã ele vai conversar com os jogadores para deixar bem claro. Independentemente de quem está em campo, tem de buscar as vitórias. Sempre quero jogar, mas a comissão e o pessoal sempre tem um pensamento. O São Paulo é um clássico, e todo mundo quer ganhar. Mas primeiro temos a Ferroviária.