Marcio Porto
23/06/2018
05:39
Enviado especial a Sochi (RUS)

A vitória sobre a Costa Rica nesta sexta-feira serviu para acalmar os ânimos da Seleção Brasileira após uma estreia tensa contra a Suíça, mas não para Neymar. Autor do segundo gol no triunfo por 2 a 0, o atacante explodiu após a partida, declarou guerra aos críticos e retomou postura "contra tudo e contra todos", semelhante a outros momentos da carreira, como na disputa dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro. 

Na contramão de todo o grupo, que preferiu destacar os efeitos positivos da primeira vitória, Neymar foi às redes sociais e postou uma mensagem para quem o critica, sem citar nomes. Disse que ninguém sabe o que ele passou por estar ali, que "falar até papagaio fala" e classificou seu choro como de luta, superação. Isso depois de passar uma semana com dores no tornozelo direito, tendo deixado um treino mais cedo por conta do problema. O craque optou pelo ataque. 

Na Olimpíada, o alvo da raiva de Neymar foi parte da imprensa, principalmente o narrador Galvão Bueno, da TV Globo, e o comentarista Neto, da TV Bandeirantes. Insatisfeito com as críticas recebidas após passar em branco nos dois primeiros jogos, contra África do Sul e Irá, o camisa 10 liderou um movimento para os atletas não darem entrevistas. No fim, conquistou a inédita medalha de ouro e ficou com a sensação de que saiu vitorioso. Agora, a situação se repete. 

Contra a Costa Rica, Neymar também foi flagrado pelas imagens de televisão discutindo com o árbitro e xingando adversários, temperamento bem diferente do que Tite prega para sua Seleção. Esse comportamento exclusivo do craque, aliás, vai totalmente contra o que o comandante deseja para o time na Copa do Mundo. O treinador tem se esforçado para pedir calma aos jogadores, que não se exaltem com a arbitragem nem simulem faltas. Na partida, Neymar teve um pênalti marcado, depois anulado com a consulta ao VAR - o árbitro considerou que ele simulou. Tite sabe que essa situação de animosidade sobre a principal estrela brasileira gera torcida contra, oposto ao que vem acontecendo com a Seleção desde que ele assumiu, com o resgate da admiração de parte dos brasileiros pela Canarinho. Com ele, tal clima é inédito, já que a na Olimpíadas o time foi dirigido por Rogério Micale.

Ao mesmo tempo, Neymar  é defendido e protegido pelos companheiros de time. O zagueiro Thiago Silva, o meia Philippe Coutinho e o atacante Douglas Costas foram alguns dos que saíram a blindar Neymar. Thiago defendeu o choro do atacante após o jogo, e Douglas tentou tirar a responsabilidade das costas do colega de grupo.

- A gente divide todo o peso. Neymar faz a diferença e é o nosso craque, mas dividimos isso. Não é fácil carregar todo o peso. Eu me sinto lisonjeado pelo gol do Neymar, pois expressa tudo o que estamos sentindo - afirmou Douglas Costa.

Em duas semanas na Rússia, Neymar também teve outros componentes únicos dentro do grupo. Seus país e agora a namorada Bruna Marquezine estão hospedados no mesmo hotel da Seleção em Sochi, enquanto os amigos e familiares dos outros jogadores ficam em um hotel diferente, como foi programado pela CBF antes da Copa. A entidade diz que não tem como controlar o total fluxo do hotel da Seleção, pois abriram vagas após a definição do outro hotel para as famílias. 

Defendido por amigos, familiares e seus companheiros, Neymar tenta vencer a batalha que ele mesmo pegou para si com postura semelhante a de outros momentos. Resta saber se o final será glorioso como foi na Rio-2016.