Sala do VAR

A sala do VAR que será utilizada durante os jogos da Copa do Mundo da Rússia (Foto: MLADEN ANTONOV / AFP)

Bernardo Cruz
13/06/2018
15:05
Enviado especial a Moscou (RUS)

A partida entre Rússia e Arábia Saudita, nesta quinta-feira, às 12h (de Brasília), no Estádio Luzhniki, entrará para a história. E não apenas por aumentar o hall de duelos que abriram uma edição de Copa do Mundo. Será pelo ineditismo de ser a estreia do VAR, árbitro de vídeo, no torneio.

A tecnologia, que começou a ser implementada no futebol em 2016, estará à disposição do trio de arbitragem comandada pelo argentino Néstor Pitana em qualquer eventualidade da partida. O LANCE! explica, agora, um pouco melhor como funciona toda essa engrenagem para o Mundial.

A EQUIPE
​A equipe do VAR é composta por quatro profissionais. O árbitro responsável (que na estreia será o italiano Massimiliano Irrati) comanda todo o processo. Outros dois profissionais ficam responsáveis por observações de lances em geral, e o último terá função única e exclusiva de ficar atento a impedimentos. 

CÂMERAS E MICROFONES
Todos os estádios da primeira fase contarão com um total de 33 câmeras. Elas serão as responsáveis por flagrar e ajudar a equipe do VAR a avisar o árbitro ou tirar a dúvida dele em qualquer lance que gere alguma incerteza na partida. Além disso, dois desses equipamentos possuem tecnologias 3D e serão utilizadas exclusivamente em jogadas que tenham ou não impedimentos.

Para a fase mata-mata, o número de câmeras aumentará para 35, devido aos estádios que abrigarão esses jogos terem capacidade de contar com um número maior de equipamentos.

Em relação ao microfone, serão 30 no total captando áudios.

COMUNICAÇÃO
A comunicação entre o trio de arbitragem e a equipe do VAR é feita da seguinte maneira: somente o chefe do grupo que monitora os vídeos, e ficará em uma sala na sede do IBC, em Moscou, falará com os três profissionais que estarão comandando os jogos. Esse diálogo é feito por meio de microfones e fones de ouvidos.

QUANDO O VAR PODE SER REQUISITADO
O árbitro da partida pode pedir o auxilio do VAR em quatro situações: marcação de gol, cartão vermelho, marcação de pênalti e identificação errada de jogador punido. As jogadas de cunho interpretativo (mão na bola ou bola na mão) serão analisadas dentro do campo, por meio de um monitor, pelo juiz. Não há limite para solicitações.

OUTRA MARCAÇÃO PODE SER ANOTADA SEM TER SIDO REQUISITADA?
Sim. Se, por exemplo, o VAR foi acionado para verificar um impedimento (se o bandeirinha estiver em dúvida, é orientado a não levantar seu instrumento para a jogada seguir), a infração for confirmada, mas anteriormente ter acontecido uma falta, a marcação muda. Um outro caso, no entanto, não há volta atrás da decisão, independente de troca ou não de decisão: cartão amarelo por comemoração sem camisa.

LIMITE DE TEMPO PARA A DECISÃO FINAL
Não há um prazo estipulado. A Fifa espera que a dúvida seja solucionada no menor tempo possível, mas não impõe que todos os casos sejam desta maneira.

QUEM TOMA A DECISÃO FINAL
A decisão final sempre será do árbitro da partida, que pode ratificar a marcação inicial ou mudá-la após consultar a tecnologia.

BRASILEIROS ENVOLVIDOS
Serão 13 árbitros responsáveis por comandarem a engrenagem do VAR. Entre eles está Wilton Pereira de Carvalho, da Federação Goiana de Futebol. Sandro Meira Ricci, que será o quarto árbitro da partida de abertura da Copa, é considerado "híbrido": poderá ser escalado tento para atuar dentro de campo, como na sala do VAR.