Uruguai x Arábia Saudita

AFP

Pool da Copa
21/06/2018
08:53
El Observador (Uruguai)

Foram os nervos do segundo jogo, eu digo. Ou o Uruguai encontrou a fórmula de 1 a 0, que a Espanha usou com tanto sucesso na Copa do Mundo na África do Sul? Ou é uma questão de coerência, justa. Desta vez não houve final épico, mas um gol em uma jogada de escanteio. E a Celeste ganhou e se classificou, como anunciou o escritor argentino Hernan Casciari, que no ano passado, assim que o sorteio para os grupos acabou, twittou: "Parabéns ao Uruguai pela sua classificação para a segunda fase".

O problema, do ponto de vista estético, quando o Uruguai joga com equipes inferiores, é que o jogo é chato. Eles têm a bola e não têm muita ideia do que fazer com ela; tocam para trás e para o lado e um pouco para a frente e novamente para o lado e para trás. E quando o Uruguai faz pressão, perdem facilmente a bola.

E então um escanteio a favor, o goleiro salta como uma gazela, a bola continua como se nada tivesse acontecido e Suarez empurra para o gol, para comemorar seu centésimo jogo com a Celeste. Para meu gosto, foi muito cedo, porque nos próximos 70 minutos não havia nada que valesse a pena mencionar.

De qualquer forma, o jogo serviu para ensaiar algumas jogadas, como no final, num escanteio favorável ao Uruguai, no qual Suárez aproveita desvio para arriscar ao gol, mas acaba fazendo falta. Tem que praticar mais essa estratégia. Creio que o objetivo é criar mais escanteio antes de perder a bola na linha de fundo.

Neste ponto, acho que devemos reconhecer que a renovação do plantel e as novas intenções do treinador não nos fizeram a Holanda de 74. Uma vez aceita essa situação, devemos esperar que as coisas se tornem difíceis e, assim, ter a oportunidade de evoluir.

Porque o que aconteceu nesses dois jogos foi o inverso de "em jogo duro, Uruguai cresce". Na verdade, foi "Uruguai se complica em jogo fácil". Não houve incentivo. Se o assunto fosse se classificar, bem. Agora vamos ter que sofrer contra a Rússia, ganhar 1 a 0 e depois, sim, nas oitavs, tomar o controle das partidas.

Aceito que possa haver alguma decepção por não ter cumprido a responsabilidade de golear. Admito que é desconfortável que as situações nem sequer tenham sido criadas. E sofrer contra a Arábia não era o que tínhamos em mente. Mas estamos falando de partidas de preparação. É necessário chegar com toda a motivação do mundo ao jogo com Portugal ou com a Espanha. E tem que ganhar.

Para isso, acho que a melhor estratégia é seguir em frente. Quero dizer: vencer a Rússia por 1-0. Esperemos que os russos partam para o ataque, porque senão vai ser outro jogo sonolento. Eu confio que eles farão isso e que será um grande jogo de preparação para o que está por vir. Agora, finalmente, estamos indo contra um time que vem muito bem entrosado, depois de ter marcado oito gols em dois jogos, e vai tentar impor sua vontade em casa. Bem lá estaremos, com humildade, como em 50.

Neste cenário há algumas razões para a alegria: a classificação foi alcançada vencendo o segundo jogo consecutivo, não há jogadores lesionados ou pendurados, o artilheiro fez um gol e o goleiro está invicto.

Talvez o que está faltando seja algum susto, que algum time ameace ganhar o jogo. Essa é a função da Rússia, assim como do Egito e da Arábia era classificar o Uruguai. Cabe agora aos russos cumprir o papel de terceiro adversário: aquele que ousa pressionar o Uruguai.

Uma vez que superarmos esse estágio, estaremos prontos para o ibérico que aparecer no caminho. Eu não me importaria em chegar às quartas de final com quatro resultados de 1 a 0.

Louis Roux, do El Observador

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Montagem Lance!/El Observador
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