Marcio Porto e Thiago Salata
07/07/2018
05:55
Enviados especiais a Kazan (RUS)

A expectativa na Seleção Brasileira era de que a Copa do Mundo de 2018 fosse a Copa de Neymar. Aos 26 anos, o jogador mais caro do planeta viajou à Rússia para seu segundo Mundial, o que lhe dava a maturidade necessária após a frustrante experiência há quatro anos, no Brasil. O fato é que Neymar, por mais que tenha se esforçado até o último instante da Seleção Brasileira na Copa, deixou o torneio com sua imagem arranhada aos olhos do mundo. Para a comissão técnica, ele voltou ao seu ápice após se recuperar de grave lesão.

Simulação virou, de vez, sinônimo de Neymar. Não que ele já não tivesse tal fama ou que outros adversários não façam o mesmo. Se é justo ou não é, não cabe o julgamento. Mas os dois gols em cinco jogos na campanha do Brasil na Rússia ficaram ofuscados por outras polêmicas ao fim da competição.

Historicamente, os craques brasileiros decisivos em Copas do Mundo o foram em sua segunda participação. Pelé, com 17 anos em 1958, claro, é exceção, mas Garrincha em 1962, Romário, em 94, e Ronaldo, em 1998, e principalmente em 2002 se levarmos em conta que ele não foi a campo em 1994, construíram uma sina animadora para Neymar, a atual estrela da Seleção. Depois de uma participação abreviada e sem brilho em 2014, havia uma expectativa de que o camisa 10 pudesse ser decisivo para o hexa. Mas isso não aconteceu.

Neymar marcou nos acréscimos contra a Costa Rica, na segunda rodada da fase de grupos, e contra o México, nas oitavas de final, partida em que também deu assistência para o gol de Firmino. Essa foi a única participação realmente decisiva do craque, que teve atuação apenas regular no jogo da queda para a Bélgica. Na hora mais importante, não conseguiu ser decisivo. O chute nos acréscimos na Arena Kazan, espalmado por Courtois, foi último suspiro.

Neymar virou alvo de críticas pela sua postura em campo. Contra a Costa Rica, bateu boca com a arbitragem e adversários. Na mesma partida, teve um pênalti marcado e depois anulado com o auxílio do VAR. O árbitro considerou simulação. A partir daí, o termo simulação sempre esteve presente na caminhada do jogador, e gerou comentários indignados de ex-jogadores, como o lendário Peter Schmeichel, ex-goleiro da Dinamarca, e de parte considerável da imprensa internacional, que o ironizou após a eliminação brasileira.

Vídeos e memes começaram a viralizar nas redes sociais, como o de garotos jogando futebol que saltam no gramado ao ouvir a ordem "Neymar".


- É muito irritante de assistir. A maneira com que ele tenta forçar cartões nos adversários. Parecia que ele estava morrendo. Pensei que ele seria colocado numa maca, então numa ambulância, e nunca mais o veríamos de novo - detonou o ex-goleiro dinamarquês Peter Schmeichel durante a Copa.

É verdade que Neymar ganhou defensores, como o atacante da Bélgica, Romelu Lukaku, que falou até em português para defendê-lo antes da vitória contra o Brasil. O belga afirmou que o craque "não é ator", mas sim um atleta de habilidade fora do normal, e que ele será o melhor jogador do mundo.

Neymar jogou 450 minutos na Copa do Mundo, percorrendo 22.8km com a bola nos pés. Ao todo, correu 47.3km. Foram 27 finalizações para conseguir os dois gols - ele tinha feito quatro nas cinco partidas da Copa de 2014. O camisa 10 bateu 17 bolas de fora da área e outras dez de dentro. Deu uma assistência.

A avaliação da comissão técnica é de que o atleta, que só voltou a jogar nos amistosos de preparação, após três meses em recuperação de uma cirurgia no tornozelo direito, chegou ao seu ápice físico na Copa. Mesmo que tenha mancado por algumas vezes contra a Bélgica...

- Neymar vem numa franca evolução, chegou no ápice das condições. Ele voltou na plenitude. A gente consegue perceber quando a cabeça pensa e o corpo responde. Voltou acima do que eu imaginava. Ele é muito bem dotado em termos físicos - afirmou o técnico Tite.

A estrela do Brasil recebeu um cartão amarelo, fez quatro faltas e sofreu 26, o que dá uma média de 5,2 por partida. Seis vezes apareceu em impedimento. Neymar, que também virou notícia por uma mudança no penteado, algo que desfez logo em seguida, terá 30 anos na Copa do Mundo de 2002, no Catar. Será a terceira chance de o atleta realizar seu sonho. Nas dez partidas que fez em Mundiais, o limite para ele foi as quartas: lesão em 14 e eliminação em 18.

Ele deixou a Rússia com poucas declarações. Não falou ao sair da Arena Kazan, na sexta, fato que virou comum. Deu apenas entrevistas oficiais quando foi escolhido o melhor em campo na vitória contra os mexicanos.