Vinícius Perazzini
13/03/2018
13:20
Barueri (SP)

- Esta é a fantástica fábrica de figurinhas.

A citação ao filme "A Fantástica Fábrica de Chocolate" não é exagerada. A frase foi dita pelo presidente da Panini Brasil, José Eduardo Martins, ao lado do maquinário da fábrica da empresa em Barueri (SP). O LANCE! esteve no local para acompanhar um dia da produção das figurinhas do álbum oficial da Copa do Mundo, processo iniciado em 20 de fevereiro. A fábrica produz, por dia, cerca de 8 milhões de pacotinhos com cinco cromos, que alimentam os mercados da América do Sul e América Central - exceto o México, que por conta de acordo comercial recebe o material da matriz italiana, assim como toda a Europa. E só existem essas duas fábricas da Panini em todo o mundo.

A visão logo na entrada dá fábrica é impressionante. Aproximadamente 100 funcionários, entre homens e mulheres, participam de um processo de sincronia incrível. As máquinas não param de produzir um segundo sequer - e não é algo literal, porque a fábrica funciona durante 24 horas por dia. Junto dos trabalhadores, pilhas e mais pilhas de figurinhas. Escalações dos times, cromos brilhantes, os principais craques da Copa... Ali, magia e suor andam lado a lado.


José Eduardo Martins está à frente da Panini Brasil há 21 anos. Ele explicou ao L! como funciona a linha de produção dentro da fábrica e contou curiosidades, como o fato de que uma figurinha nasce junto com outras 199 "irmãs".

- Todas as figurinhas são impressas em folhas autoadesivas. A Panini manda os arquivos, um parceiro imprime, e essas folhas então chegam aqui na fábrica.  Cada folha comporta, em média, 200 figurinhas. Como o álbum da Copa tem 682 figurinhas, elas são impressas de uma vez em quatro folhas grandes, para conter todas as figurinhas. Essas folhas, depois, são cortadas em pranchas (papéis menores) aqui, porque elas tem que ser intercaladas. E a disposição das figurinhas nas folhas é feita de forma científica, para que não haja pacotinhos com repetição de figurinhas. Você nunca vai encontrar um envelope da Panini com figurinha repetida - comentou José Eduardo Martins, em seguida explicando a transformação das pranchas em figurinhas unitárias:

- Ficam 20 figurinhas por prancha, quatro por cinco. Essas pranchas entram em uma máquina, que separa as figurinhas uma a uma faz um embaralhamento. Depois de embaralhadas, elas são perfiladas e colocadas de forma precisa, determinada, para o operador abastecer o escaninhos da envelopadora. Ele sabe qual pilha vai colocar em cada escaninho. Aí, a máquina pega as figurinhas uma a uma e depois envelopa, com dois papeis com cola dos dois lados.

José Eduardo Martins
José Eduardo está à frente da Panini Brasil desde junho de 1996

A meta é fazer, pelo menos, 600 milhões de envelopes de figurinhas da Copa até o fim das vendas. O número seria o mesmo do realizado na Copa de 2014. Até aqui, 126 milhões de pacotinhos já foram produzidos. E as vendas das figurinhas ainda nem começaram - elas serão iniciadas nesta sexta-feira. Já o álbum será distribuído junto de 40 jornais pelo Brasil no domingo - e estará à venda nas bancas e livrarias de todo o país a partir da próxima terça-feira.

- Em 2014, nós produzimos nessa fábrica 600 milhões de envelopes. A gente espera que seja igual neste ano. Se foi igual, já está bom. Mas depende de muitos fatores. Em 2014, a Venezuela era uma grande cliente e hoje o país vive uma situação difícil. Isso já dá um impacto grande. O Chile também vai vender menos, porque eles não estão classificados. Mas a gente está esperando um bom retorno. Pelo interesse que a gente está vendo dos jornaleiros, das livrarias, acredito que será um grande sucesso - destacou José Eduardo, explicando em seguida que o calor pode atrapalhar um pouco a produção:

- Esse papel adesivo é como um sanduíche. A parte que se joga fora tem aplicação de silicone, de cola acrílica. São dois papeis de estruturas diferentes. Quando o tempo está quente, o papel sofre, ele fica enrolado. Isso prejudica a máquina, que acaba trabalhando com produtividade menor. Para trabalhar melhor, o papel tem que estar estável, "retinho". Quando há problema de temperatura alta, de umidade, isso acaba afetando a produção. O número acaba variando. Hoje (a visita foi na última segunda) está quente, vamos chegar a 8 milhões de pacotinhos. Quando está mais frio fazemos até 8,5 milhões.

Figurinhas do álbum da Copa
Figurinha de Neymar no álbum da Copa (Foto: Vinícius Perazzini)

Com tudo pronto, as figurinhas vão de avião e navio para outros países - mais de avião - e pegam as estradas pelo Brasil afora. Por conta da violência, os caminhões com os pacotinhos estão indo escoltados para o Rio de Janeiro.

- Teremos escolta para alguns lugares. O Rio certamente, até pelo cenário atual. Também terá escolta para alguns lugares de São Paulo e outras regiões. É um produto altamente visado e é preciso fazer essa proteção - disse José Eduardo.

O álbum mais simples, de capa cartão, custará R$ 7,90. Já cada pacotinho sairá pelo valor de R$ 2,00, o que gerou diversas reclamações de fãs nas redes sociais - já que o pacotinho na Copa de 2014 custava R$ 1,00. José Eduardo Martins admitiu que o aumento é grande, mas justificou a decisão tomada:

- Na Europa, o preço do pacote é 90 centavos de euro (R$ 3,60). Nos Estados Unidos custa um dólar (R$ 3,26). Para podermos dar a chance de as pessoas colecionarem no Brasil, decidimos vender por R$ 2,00. Uma parte do papel é importada, tarifada em dólar. E é um papel muito especial, porque a gente sabe que a criança põe na boca, na pele. É um papel que a gente sabe a origem desde a semente, é certificado pelo FSC (Conselho de Manejo Florestal, em português). Não é de desmatamento. Tudo isso gera um produto que custa. Entendemos que é um aumento expressivo, mas muita coisa mudou desde a última Copa do Mundo. Fizemos o melhor preço que poderíamos fazer.