Leonardo Damico
16/04/2018
13:01
Rio de Janeiro (RJ)

Nesta segunda-feira (16), completa-se um mês do início das vendas dos pacotes de figurinha para a Copa do Mundo e o LANCE! foi até um encontro de colecionadores em um colégio no bairro do Maracanã, Rio de Janeiro, para fazer um balanço desses 30 dias iniciais de vendas. E apesar do preço elevado dos cromos, o levantamento foi bastante positivo: crianças e adultos continuam na febre das figurinhas e jornaleiros duplicam a renda.

No evento, realizado no sábado (7/4), estavam pessoas de todos os gêneros e todas as idades. Luiz Simas, professor de história, que coleciona os álbuns do Mundial desde a Copa de 1970 comentou sobre o valor dos pacotes e acerca da tradição familiar que vem desde a época de seu avô:

- Fiquei muito assustado com o preço do pacote, mas não pensei em deixar de colecionar. Tenho uma tradição familiar, meu avô completava os álbuns também. Tenho um filho pequeno que está começando a gostar desse mundo do futebol, então não cogitei isso. Mas esse ano estou priorizando muito mais a troca do que a compra de figurinhas, porque, realmente, é um álbum muito caro. - disse o historiador de 50 anos que complementou falando que não pensa em vender as coleções:

- Nunca pensamos em vender, meu avô prezava pelos álbuns, então ficou pra gente como uma espécie de herança para a família. Nós, inclusive já apresentamos os álbuns mais antigos em gincanas de colégios e em feiras, mas não ofereceram nenhum valor. Sei que devem valer um bom dinheiro, mas não penso em me desfazer das coleções, e espero não precisar fazer isso (risos) - finalizou Simas.

Além ajudar a aumentar a galeria dos colecionadores mais antigos, o álbum da Copa é um sucesso no meio infantil também. Mariana e Daniel, filhos professor de Geografia, Diego Moreira, são portadores de autismo e se disseram muito felizes de estarem colecionando o álbum junto com o pai.

- A gente gosta muito de colecionar álbum. O papai mostra muito de futebol pra gente, assistimos muito o 'FutParódias'(Canal do Youtube) - disse a menina de seis anos.

- Esse é o terceiro que estamos colecionando. Em 2014 eu colei algumas figurinhas também e meu pai terminou o de 2006 sozinho. - complementou o garoto oito anos.

Pai das crianças, Diego, de 35 anos, falou sobre a alegria de estar proporcionando isso para os filhos, alegando ser um estímulo para se divertirem, principalmente para eles, que sofrem de autismo. O professor comentou também sobre a dificuldade que teve na infância para juntar o álbum, coisa que só pôde fazer a partir de 2006.

- A Copa gera uma expectativa muito grande. E agora que eles tem 8 e 6 anos é mais legal ainda, estão mais crescidos, eles estão curtindo mais. Eles, inclusive tem um canal no Youtube e nós gravamos um vídeo abrindo os pacotes. Estou estimulando bastante, sei que é muito importante pra eles, ainda mais com o autismo ter esse tipo de diversão, quero que eles curtam, assistam os jogos, vivam a Copa. - disse o Geógrafo, que completou falando sobre as dificuldades dos anos 80 e 90 para colecionar o álbum:

- O primeiro que fiz foi em 2006, quando já estava casado. O período dos anos 80 e 90 foi muito difícil, então meus pais não tinham condição de me ajudar a colecionar. Quando assumi uma independência financeira, comecei a fazer aquilo gostava e que não pude ter na infância, e felizmente estou conseguindo proporcionar essa alegria para os meus filhos. Na última Copa eles eram muito pequenos, agora eles já conhecem os jogadores, são fãs do Cristiano Ronaldo, Messi, Dybala e Neymar - complementou o pai.


Com relação aos álbuns anteriores, o preço dos pacotes para o de 2018 teve um aumento significativo. Em 2006, um pacote custava R$ 0,60, já em 2010, aumentou para R$ 0,75, enquanto em 2014 elevou para R$ 1. No entanto, mesmo custando R$ 2 este ano, a venda dos pacotes não diminuiu. O jornaleiro Valério Sacco, dono de uma banca há 27 anos na Tijuca, Rio de Janeiro dizendo que ano de Copa é sempre um respiro para as finanças:

- O faturamento aumenta em mais de 100%. Hoje em dia o número de pessoas que vem à banca pra comprar um jornal ou um revista diminuiu bastante, então quando chega a época de Copa do Mundo, é um alívio pra nós. Eu estou vendendo em média mais de 400 pacotinhos por dia - disse Sacco que finalizou comentando sobre a diversidade do público que procura pelos cromos, fazendo uma comparação também com a última Copa no Brasil:

- A Copa do Mundo é um diferencial. Estou vendendo nos mesmos níveis da última Copa, o preço não influenciou e me arrisco a dizer que mesmo que estivesse ainda mais caro, as pessoas comprariam. Inclusive estou tendo problemas com a distribuidora, que não está dando conta da alta demanda e da febre que está sendo o Álbum. E não existe um público-alvo, vem até aqui crianças, adultos e até idosos procurando as figurinhas - encerrou o jornaleiro.