Rafael Henzel

(Foto: Reprodução/Facebook)

LANCE!
29/12/2016
13:59
Chapecó (SC)

Um mês após o acidente aéreo com a delegação da Chapecoense, a cidade de Chapecó começa a cicatrizar suas feridas e volta à sua rotina normal de sorrisos e abraços. É o que conta Rafael Henzel, jornalista da Rádio Oeste Capital e um dos sobreviventes da tragédia em Medellín.

Recuperando-se em Chapecó ao lado da família, Henzel concedeu entrevista ao Redação Sportv nesta quinta-feira e revelou como acompanhava o noticiário sobre o acidente, além da sua indignação com o erro humano:

- Acho que no quinto, sexto dia depois que passei por todo aquele tratamento intensivo é que eu comecei a ter ideia. Quando eu recebi as imagens de Chapecó, de saber que todos estavam aqui, Fifa, o Puyol, o Seedorf e o Tite... Mas eu evitava de ver essas imagens porque Deus nos preservou do sofrimento que o Chapecoense passou (...). Depois mais fortalecidos, acompanhamos de perto. Até hoje, o assunto me interessa muito porque passou dos limites do futebol. Confesso que após cada reportagem que eu leio, eu fico um pouco mais indignado com a perda de 71 pessoas, que poderia ser evitada. Até pelas publicações nas redes sociais, com gente do mundo inteiro, eu consegui entender que esse era um fato além do futebol, uma comoção mundial.

Apesar de ser um dos últimos sobreviventes resgatados no acidente, a recuperação de Henzel segue em boas condições. Segundo o jornalista, para fugir da ociosidade, gosta de visitar a Arena Condá e oferecer conforto às famílias das vítimas:

- Ociosidade é ruim. Dentro das minhas limitações, gosto de dirigir. Estou muito bem, minhas costelas estão cicatrizando. Ainda não consigo calçar meu próprio tênis, mas não me importo. Essa semana visitei a Arena Condá, abracei os funcionários da Chapecoense. Nesse período, quando encontro alguém que sofreu, gosto de conversar pra explicar o que aconteceu e levar um consolo, dizer que a gente não sofreu naquele momento. Foi um acidente lastimável e criminoso, mas não houve sofrimento. Lamento muito o que houve, mas estou feliz de estar aqui com minha família. Essas cicatrizes são troféus que vou levar pra vida inteira, são as marcas da sobrevivência.

Henzel ainda afirmou que já tem data para voltar a trabalhar e revela o desejo de narrar o amistoso da Seleção Brasileira com a Colômbia, no próximo dia 25 de janeiro, cuja renda será revertida às famílias afetadas pelo acidente de Medellín.

- Minha meta é voltar dia 9, eu não publico nada até lá. Estou conversando com os colegas de imprensa, mas estou aqui como os outros também poderiam. Mas quero voltar sim, vou ao Rio de Janeiro em breve, quero narrar o amistoso do Brasil. É isso que nos move, é isso meu combustível. Quero voltar logo, mas tenho que esperar passar os 45 minutos de jogo. Como vitima, se você me perguntar se tenho medo de avião, vou dizer que não. Foi um erro humano, desumano. A minha volta pra casa, com a aeronave da FAB, tirou todo o medo que deveria ter. Meu plano é voltar o mais rápido possível para estar com os amigos.