RADAR/LANCE!
17/12/2016
09:44
Chapecó (SC)

Emocionado, Alan Ruschel concedeu entrevista coletiva na manhã deste sábado, em Chapecó, e garantiu que quer voltar a jogar futebol. Inclusive, o jogador, que foi o primeiro sobrevivente a receber alta, estabeleceu o prazo de seis meses para que isso aconteça.

- Não tem palavras para explicar o que estou sentindo. É uma mistura de sentimentos, uma alegria grande por poder estar aqui de novo, sentado aqui. Mas ao mesmo tempo é um luto por ter perdido muitos amigos. Como eu postei foto esse dia, falando que seguirei em frente, honrando os que foram morar com Deus. Honrarei seus familiares que aqui ficaram, que hoje estão sentindo a dor - disse Alan chorando muito, antes de completar:

- Farei de tudo para voltar a jogar, com muita paciência. Mas farei de tudo para dar alegria ao Plínio (presidente da Chapecoense), aos médicos, farei de tudo para dar alegria a esse pessoal aqui. Eu calculei três meses para calcificar a coluna, já passou um. Mais dois meses para fortalecer a musculatura. Estou só na capa -completou.


O lateral ainda revelou que trocou de lugar com um dos diretores da Chapecoense, Cadu, dentro do avião da LaMia em Santa Cruz de la Sierra. 

- Quando a gente chegou em Santa Cruz, pegaríamos o voo fretado e o Cadu pediu (para trocar). Eu estava sentando mais atrás, o Cadu pediu pra sentar na frente para deixar os jornalistas no fundo. Na hora eu não quis sair. Aí eu vi o Follmann e ele insistiu para sentar com ele. Saí de trás e fui sentar com o Follmann. É a parte que eu lembro - contou Ruschel indo às lágrimas novamente.

Alan Ruschel
Alan Ruschel foi o primeiro brasileiro a ter alta (Foto: Reprodução)

Confira outros trechos da entrevista:

- No momento em que caiu aquele avião Deus me pegou no colo e falou que eu tinha mais missão aqui na Terra, por isso ele não me levou. A única explicação, são dois milagres: eu estar vivo e o milagre de eu poder estar andando. Os médicos falaram que foi uma lesão grave que eu tive na coluna. Poder estar andando, é milagre de Deus.

Lições

- Estava indo para um jogo e você não sabe o que vai acontecer daqui dez minutos. O que eu levo de lição é aproveitar a vida e fazer o bem. O que fizeram comigo durante esses dias não tem explicação. O jeito que me trataram na Colômbia, aqui no Brasil, o que os médicos fizeram por mim não tem explicação.

Lembranças

- Não (tem lembranças). Eu lembro de sair de São Paulo, depois a gente chegando e Santa Cruz de la Sierra, depois saindo de lá. Não lembro do voo, do acidente. O que eu lembro depois é da minha esposa Marina falando no hospital.

Momentos após o acidente

- Não sabia o que estava acontecendo e aos poucos foram me contando, e aos poucos a ficha foi caindo. Quando eu a vi eu não sabia o que estava acontecendo, não lembrava do jogo, não lembrava de nada. É uma coisa muito louca, não sei explicar o que aconteceu.

Voltar para casa

- É uma situação que todos vocês devem imaginar como é chegar em casa depois de dias de trabalho, viagem. Vocês sabem como é chegar em casa, ver sua família. Depois de toda essa situação, chegar em casa, dormir com minha esposa, ver meu cachorro, minha mãe, ter todo mundo em casa, para mim é uma sensação única, não tem explicação. Não tem palavras para descrever o momento que foi quando eu cheguei em casa.

Chapecoense

- Quando eu entrei aqui aqui, como eu falei para o Plínio (presidente da Chapecoense), sensação de estar voltando para casa também. Falei para ele que vou dar muita alegria para ele, para todo torcedor da Chapecoense, com muita dedicação, esforço, trabalho, com certeza vou dar a volta por cima e voltar a jogar.

Problemas com o combustível do avião

- Na verdade procurei nem falar muito do acidente, procurei evitar de ver, de olhar notícias, até para não ver coisas que de repente eu não iria gostar, mas pelo que deu para ver um pouco por cima aí, acho que teve um pouco de ganância.

Neto

- O Neto é um amor de pessoa, cara. Neto é outro milagre de Deus, assim como Follmann, Rafael. O Neto é um cara sensacional, já tinha uma amizade boa com ele antes do acidente. A gente já se dava super bem, sentava do lado um do outro, quase, na bancada do vestiário. E hoje o Neto é um cara que eu vou levar para vida toda como um irmão para mim.