Gilmar Dal Pozzo, técnico (Foto: Lucas Uebel/TRATO.TXT)

Gilmar Dal Pozzo foi um dos alvos de membros de uma torcida uniformizada do Ceará (Foto: Lucas Uebel/TRATO.TXT)

LANCE!
16/02/2017
13:04
Fortaleza (CE)

Após o Ceará ser eliminado da Copa do Brasil ao perder para o Boavista por 1 a 0, os jogadores e o treinador do Vozão, Gilmar Dal Pozzo foram ameaçados por torcedores uniformizados no aeroporto de Fortaleza (CE) na madrugada dessa quinta-feira. 

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram que após desembarcar, Gilmar - que foi garantido no cargo pela direção do Ceará - foi seguro por um membro da torcida após receber um aviso de que não estava fazendo ''p**** nenhuma'' para tirar o Vozão da fase difícil que vive em 2017.

Ao tentar demonstrar aos membros que também estava incomodado com a situação da equipe, o treinador foi ameaçado pelo mesmo torcedor: 

- Vá embora, é a melhor coisa que você faz. Peça para sair, antes que piore para o seu lado. Peça para sair antes que piore para o seu lado, já está avisado.

Além de Gilmar Dal Pozzo, três jogadores - entre eles o ídolo do Ceará, Magno Alves, também foram ameaçados pelos uniformizados:

- O Ceará nunca caiu na primeira fase da Copa do Brasil. B...., time de b...., perder para time sem divisão. Estamos criticando a passividade, vocês são o rei da pipoca. Teve (sic) 90 minutos pra fazer o gol, p..., quer (sic) jogar nas costas do juiz

Através da assessoria de imprensa, a diretoria do Ceará comunicou que não se pronunciará sobre o tema. Também via assessoria, Gilmar Dal Pozzo se manifestou. Confira a nota de repúdio do treinador:

''Lamentável o que aconteceu nesta madrugada. É um sentimento muito forte de tristeza. Depois de um jogo em que um erro gravíssimo de arbitragem nos eliminou da Copa do Brasil, por conta também de um novo regulamento ridículo, viajamos por 10h com a cabeça inchada, desgastados, doloridos pela derrota da forma que foi, chegamos e deparar com isso é duro. Queríamos muito passar de fase, por óbvio. Não aconteceu porque foi inventado um pênalti aos 51 minutos do 2° tempo. O futebol permite críticas, pressão da torcida na arquibancada, lida com passionalidade, mas a injustiça em qualquer esfera é torpe. Estamos desde dezembro trabalhando, em meio toda tragédia que tivemos com a Chapecoense, onde para mim foi ainda mais difícil pelo relacionamento pessoal e pensei que ao menos o respeito fosse crescer entre todos. A diretoria, na figura do presidente Robinson de Castro, do nosso gerente de futebol, Marcelo Segurado, traçou dois objetivos para 2017: título do estadual e acesso para a Série A. Recém é o começo de uma temporada. Planejamos bastante, contratamos e confiamos nestes jogadores que aqui estão para as conquistas. Também importante ressaltar a valorização das categorias de base do Clube, onde há muitos anos não ocorria. Domingo passado, por exemplo, eram quatro atletas em campo oriundos daqui da região. Somos líderes no Campeonato Cearense, classificados para a próxima etapa e buscando esta meta. As imagens mostram o quão revoltante foi o episódio no saguão do Aeroporto aqui de Fortaleza. Quem acompanha o dia a dia percebe nossa dedicação e trabalho árduo. Ficamos expostos e questionados em todo um trabalho por conta de um resultado que passa muito por um lance inexistente no final da partida. Espero que a cultura do futebol brasileiro se permita evoluir. Sigo focado para fazer do Ceará campeão".