Vinícius Faustini
15/11/2016
08:00
Rio de Janeiro (RJ)

Há 20 anos, Ricardo Pinto se tornou um dos personagens mais emblemáticos na história dos duelos entre Fluminense e Atlético-PR. A comemoração efusiva pela vitória por 3 a 2 do Furacão culminou em uma verdadeira “batalha campal” nas Laranjeiras, da qual, em meio a socos, pontapés e reclamações de tricolores após mais um revés na luta contra o rebaixamento, ele saiu carregado do gramado.  

Ao LANCE!, o ex-goleiro recorda as marcas que guarda há décadas, os momentos que viveu na meta dos dois clubes, e traça um panorama de Fluminense (clube pelo qual foi prata da casa, ganhou uma Copa São Paulo de Futebol Júnior e integrou o elenco que levantou o último título nas Laranjeiras, a Taça Guanabara de 1993 ) e Atlético-PR, que se enfrentam neste feriado, no Maracanã, pela 35ª rodada do Brasileirão.

Quais são as suas perspectivas para a reta final de Fluminense e Atlético-PR neste Brasileiro?

O Atlético-PR ainda mantém as suas chances de sonhar com uma vaga no G6. Agora, o Fluminense continua com aquela velha rotina de mudar de treinadores, isso atrapalha qualquer clube. E o Levir Culpi é um bom treinador, não vinha fazendo um mau trabalho neste ano.

Você atuou por vários clubes de ponta, mas seu nome acabou ligado a Fluminense e Atlético-PR também por se envolver em um episódio de rivalidade justamente entre as equipes. O que você guarda daquele 10 de novembro de 1996?

Antes de tudo, foi uma irresponsabilidade marcarem um jogo daquela dimensão para as Laranjeiras. Parece que não houve nenhuma atenção à segurança na partida, o que poderia prevenir que o meu gesto transformasse em uma confusão como aquela. Prejudicou o Fluminense. Tanto que não há mais grandes jogos lá.


Você fez aquela comemoração ao fim do jogo por algum motivo especial?

Quando acabou o jogo, bati no meu peito, num gesto só de que comemorava porque ganhei o jogo. Não fiz gesto obsceno nenhum para a torcida. Houve a invasão dos torcedores do Fluminense e iniciou uma briga generalizada. Nesse meio, veio um cara covarde e me bateu por trás com um pedaço de pau. Fui parar no hospital.

Aquela briga rendeu alguma consequência para você?

Saí de campo carregado (encaminhado para um hospital em Curitiba após sofrer um traumatismo craniano, Ricardo Pinto teve de ser submetido a uma cirurgia para a retirada de um coágulo no cérebro), e aquela pancada comprometeu minha carreira. Fiquei de fora dos dois jogos das quartas de final do Brasileirão. Nós perdemos a vaga logo depois, para o Atlético-MG. E eu encerrei a carreira três anos depois daquele jogo. Eu não fiz aquele gesto porque queria me vingar, devo muito ao Fluminense, clube no qual tive orgulho de trabalhar e tenho muitas lembranças.

O que você guarda na memória do seu início de carreira no Fluminense?

Cheguei em 1984, ganhei uma Copa São Paulo de Juniores em 1986 e, mesmo tendo passado pelo incidente nas Laranjeiras, não guardo mágoas. Fui titular durante anos em um momento de transição do Fluminense, e tive o privilégio de jogar com nomes como Paulo Vítor, Romerito, Assis, Washington. Tive a oportunidade de disputar finais de Carioca, enfim, são só coisas boas.

E a torcida do Atlético-PR? Você acha que chega a ter uma identificação com o clube?

Tenho muita sorte por todas as coisas que vivi no Atlético-PR, além de ter sido campeão da Série B em 1995, com nomes como Oséas, Paulo Rink. Anos mais tarde, voltei ao clube e tive outro privilégio: fui campeão brasileiro (em 2001) como treinador de goleiros. Até hoje sou lembrado por torcedores. É um carinho que não tem preço depois de uma carreira passada por tantos clubes. Já no Fluminense, não ficou esta lembrança.