Gabriela Brino
14/07/2017
19:05
Santos (SP)

- Tio, vem jogar bola - disse Luisa de três anos para Rafael Longuine.

- Vem conhecer meu quarto - chamou Douglas.

Assim começou a sexta-feira do meia do Santos e zagueiro do São Paulo. Em Santos, na Associação Casa da Criança, os atletas foram cumprir a aposta que fizeram no clássico - o vencedor do San-São teria que doar agasalhos a instituições de caridade - e passar a manhã com as crianças.

E aos que imaginam que as roupas atraíram os pequenos, engana-se. A presença dos jogadores foi o que mais chamou a atenção. E não pela profissão ou time, mas pela companhia e brincadeiras.

Apesar da timidez inicial, não demorou muito para os meninos e meninas 'se soltarem' e os chamarem para conhecer seus quartos e brincarem de bola e bicicleta. Luisa foi o 'xodó' dos jogadores, a pequena de cabelos longos morenos e muito risonha grudou e os acompanhou por todo o canto da instituição.

Foi a primeira visita de Rafael em uma instituição de crianças e ele se emocionou com a alegria delas. O meia ressaltou a importância que isso tem, não só para elas, mas para si próprio.

- Primeira vez que estou vindo visitar e essa ação para mim está sendo muito especial. Por mais que venhamos e trazemos agasalhos, só a visita para eles já é uma alegria. Estar aqui, dar um abraço, levá-los para comer, ter esse contato. É muito importante (para as crianças e para Rafael) - explicou em entrevista ao LANCE!

Douglas já havia visitado outros locais, inclusive quando esteve na Ucrânia. E segundo o zagueiro, esta sexta-feira ficará marcada para sempre em sua vida.

- Já tinha feito esse tipo de ação. Fiz na Ucrânia, o povo é muito carente. Sempre que eu tinha a oportunidade eu procurava ir visitar as crianças. Para nós é um gesto muito simples, mas para eles é muito importante. Fico feliz em estar aqui com o Rafael, que é um grande amigo, podendo participar desse momento que marcou nossas vidas - disse.

A despedida foi difícil, mas aconteceu. E ambos entraram de uma forma e saíram de outra. Longuine disse que saiu do local na mesma sintonia que das crianças: alegre, enquanto Douglas levará consigo os sorrisos de todos.

- Essa alegria contagiante, a gente veio e estou saindo na mesma sintonia deles - ressaltou Longuine.

- Busco levar a alegria que elas têm, apesar das dificuldades que elas levam na vida, mas sempre com esse sorriso lindo deles, é o que mais marca - completou o defensor.

A instituição abriga crianças que são violentadas, sofrem vulnerabilidade e miserabilidade social por conta da falta de condição básica de sobrevivência. Em último caso a medida de acolhimento é acionada.